quinta-feira, 26 de maio de 2016

A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón - Resenha

Por Eric Silva

“Os leitores extraem dos livros, consoante o seu carácter, a exemplo da abelha ou da aranha que, do suco das flores retiram, uma o mel, a outra o seu veneno” (Friedrich Nietzsche).

Os livros são capazes de mudar vidas, até mesmo guiá-las. Não são apenas palavras impressas no papel, mas o clamor da alma de quem as escreve, que se mistura a alma de quem as lê, em um frenesi de sensações e sentimentos tão violento quanto o caudal de um rio furioso.  Foi esse frenesi, tão parecido com a sensação de estar apaixonado, que revolucionou a vida de Daniel e fez dele o homem que se tornou. Que o guiou pelas ramblas e ruelas da antiga Barcelona franquista, em busca dos rastro de alguém que parecia ter sido engolido pelas sombras e pelo fogo.


Resumo

Obra do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento narra as aventuras de Daniel Sempere, um jovem barcelonês em busca de desvendar o passado de Julián Carax: um autor pouco conhecido, que desapareceu do mapa e que, se isso não bastasse, estava tendo todos os seus livros sistematicamente destruídos por um misterioso incendiário.


Narrado em primeira pessoa pelo próprio Daniel, o livro começa com a noite em que, ainda menino, ele acorda desesperado por não conseguir mais lembrar do rosto da mãe, falecida alguns anos antes. Como consolo, o pai do menino leva-o no meio da noite a um lugar escondido na cidade de Barcelona. Um lugar cuja localização deveria continuar em segredo. Tratava-se do Cemitério dos Livros Esquecidos, uma colossal biblioteca onde livros de todas as partes eram resguardados, provavelmente do furor daqueles tempos de ditadura. 

Mas as pessoas que conheciam pela primeira vez aquele castelo de livros tinham o direito de levar para si um exemplar de suas muitas estantes e conserva-lo consigo para sempre. Daniel teria naquela noite a oportunidade de resgatar do cemitério um daqueles livros. Por isso, caminhando pela infinidade de estantes empoeiradas, o menino sai em busca de um volume que lhe agradasse e, perdido naquela profusão de livros, encontra aquele que seria o estopim para uma aventura que mudaria os rumos de sua vida: A Sombra do Vento, o livro de um escritor de nome Julián Carax.

Feliz com seu achado, Daniel mergulha no enredo de A Sombra do Vento naquela mesma noite e fascinado perde a noção do tempo, devorando toda a narrativa ao longo da madrugada.

Mas como todo bom leitor, Daniel queria mais. Queria ler outros livros daquele fantástico autor. Contudo, para a sua primeira decepção, seu pai, “livreiro de raça e bom conhecedor dos catálogos editoriais”, nunca havia ouvido falar nem do livro nem de seu autor. Carax era um mistério.

Diante daquele impasse, resolveram pai e filho consultar outro especialista que pudesse ter alguma pista: o rico e excêntrico Gustavo Barceló. Seria através de Barceló e Clara, a sobrinha cega do milionário, que o menino teria a sua segunda frustração: a vida de Carax parecia envolta em mistérios e sua história, cheia de lacunas. Pior do que isso, ao que parecia todos os livros do autor estavam sendo queimados por um louco que os comprava a qualquer preço, unicamente para depois deitar-lhes fogo.

A despeito das poucas informações sobre Carax, Daniel não se dá por vencido e decide, a partir daquele dia, reunir informações que o ajudassem a revelar o segredo da vida de Carax. O livro de Zafón irá, então, nos guiar entorno desta busca que se arrasta por anos, mas que contribuiu para o crescimento do próprio Daniel que incansável persistia em reunir todas as informações possíveis sobre a vida de Carax.

Resenha

A Sombra do Vento é uma narrativa cheia de surpresas. À medida que vamos lendo o magnetismo da escrita de Zafón prende nossa curiosidade e cada nova revelação tece uma parte de outra história paralela e marcada por sofrimento e desencontros: a história do passado de Julian Carax. 

Daniel é, a princípio, um garoto ingênuo, mas que ao longo da história vai ganhando maturidade, porém sem perder o frescor que é comum a juventude, nem a capacidade de se apaixonar por qualquer mulher que lhe encantasse os olhos. Pouco a pouco, aquele menino entristecido do primeiro capítulo vai dando lugar a um outro, mais aventureiro, mais aberto ao desconhecido. A verdade é que Carax foi para ele uma forma de preencher o vazio deixado pela morte da mãe.

Muito intenso em seus sentimentos e emoções, Daniel é um personagem cativante, a pesar de em alguns momentos se mostrar inseguro, vacilante – ora corajoso e imprudente, ora temeroso e fraco – mas são características o que o torna mais humano.  Ainda me impressionou algumas vezes como com o seu jeito manso, sua malícia e astúcia convencia as pessoas a dizerem o que ele queria saber. Um “diabinho”, mesmo que nem sempre seus ardis fossem suficiente e o amigo Fermín tivesse que intervir. É através de seus passos e andanças que vamos conhecendo a cidade e seus curiosos e melancólicos habitantes.

A Barcelona descrita na história é uma cidade marcada pelos despojos da Guerra Civil e envolta na atmosfera pesada e aterradora da censura da ditadura de Francisco Franco (1939 a 1976). As marcas do conflito estão em todos os lugares, não só nos restos de estilhaço na Plaza de San Felipe Neri, mas também nas pessoas. A Sombra do Vento, parafraseando Saramago, é um ensaio sobre a amargura e a solidão. Quase todos os personagens são de alguma forma atingidos pela amargura. São pessoas que sofreram os terrores do conflito ou que perderam pessoas queridas no Castillo de Montjuic, e que ainda viviam os dissabores da censura ditatorial e o gosto amargo de vidas solitárias.

O terror causado pelos anos de ditadura é marcante na história através da figura do inspetor Francisco Javier Fumero e que ao longo da história vai ganhando espaço e importância na narrativa como o principal antagonista de Daniel e seu companheiro de aventuras Fermín Romero de Torres.

Fumero era um homem asqueroso e louco com uma lista de assassinatos e torturas tão grande que fazia dele o homem mais perigoso de Barcelona. Além disso, o inspetor tinha Fermín como um de seus maiores desafetos.
Plaza de San Felipe Neri. 
Imagem: 
http://irbarcelona.com/

Por sua vez, Fermín era um alegre e beberrão morador de rua e que Daniel resgatou da indigência lhe dando um trabalho na livraria do pai. Um literato que viva fazendo referências aos clássicos com bom humor e bastante espirituoso. Mas Fermín é também um personagem que considero curioso. Mesmo tendo sofrido horrores durante e depois da Guerra Civil, ele conservava a alegria, a espiritualidade e a juventude que somente os personagens mais jovens da trama conseguiam esboçar e, mesmo assim, sem a mesma intensidade. Fermín juntamente com Daniel são a alma da narrativa e por isso, em meados da história, o ex-mendigo e Fumero se tornam pontos-chaves para a descoberta do mistério de Carax. 

Outros personagens são importantes, como Clara Barceló, Beatriz Aguilar, a família Aldaya, Nuria Monfort e principalmente Julián Carax. Entretanto falar deles revelaria segredos da narrativa. Mas são personagens que ao decorrer da narrativa tem suas vidas entrelaçadas como se fossem os fios de uma grande e complexa tapeçaria.

Lindo e sincero, A Sombra do Vento foi o livro que despertou em mim uma paixão pela Espanha, particularmente por Barcelona, que até então eu não tinha. Zafón nos mostra os recantos mais belos e também os mais tenebrosos da Barcelona da década de 1950, fazendo um passeio que nos revela os segredos daquela cidade à beira do Mar mediterrâneo.
O autor.
Foto: http://www.carlosruizzafon.co.uk/

Assim como o livro de Carax se caracterizava por ser uma narrativa fantástica que envolvia o sobrenatural e o misterioso, a obra de Zafón mergulha nesse mesmo universo de ausências, mistérios, perdas e solidão. O autor ainda demonstra uma sensível capacidade de compor imagens singelas e tenebrosas em que reúne beleza e sensibilidade – “uma rosa rodeada de inverno”. Tamanho foi meu entusiasmo que antes de terminar a leitura fiz uma postagem especial com alguns pontos interessantes da cidade que aparecem no livro (clique aqui).

Além disso, Zafón escreve com um lirismo capaz tanto de encantar como prender o seus leitor.

Pelo espaço de quase meia hora deambulei entre os meandros daquele labirinto que cheirava a papel velho, a pó e a magia. Deixei que a minha mão roçasse as avenidas de lombadas expostas, tentando a minha escolha. Avistei, entre os títulos sumidos pelo tempo, palavras em línguas que reconhecia e dezenas de outras que era incapaz de catalogar. Percorri corredores e galerias em espiral povoadas de centenas, milhares de volumes que pareciam saber mais acerca de mim do que eu deles. Daí a pouco, assaltou-me a ideia de que atrás da capa de um daqueles livros se abria um universo infinito por explorar e de que, para além daqueles muros, o mundo deixava passar a vida em tardes de futebol e folhetins radiofónicos, contentando-se em ver até onde alcança o seu umbigo e pouco mais. Talvez fosse aquele pensamento, talvez o acaso ou o seu parente de gala, o destino, mas naquele mesmo instante soube que já tinha escolhido o livro que ia adoptar. Ou talvez devesse dizer o livro que me ia adoptar a mim. Assomava timidamente no extremo de uma estante, encadernado a pele cor de vinho e sussurrando o seu título em letras douradas que ardiam à luz que a cúpula destilava lá do alto. Aproximei-me dele e acariciei as palavras com a ponta dos dedos, lendo em silêncio.

A Sombra do Vento
JULIÁN CARAX

Nunca tinha ouvido mencionar aquele título ou o seu autor, mas não me importou. A decisão estava tomada. Por ambas as partes. Peguei no livro com extremo cuidado e folheei-o, deixando esvoaçar as suas páginas. Libertado da sua cela na estante, o livro exalou uma nuvem de pó dourado. Satisfeito com a minha escolha, voltei pelo mesmo caminho ao longo do labirinto levando o meu livro debaixo do braço com um sorriso impresso nos lábios. Talvez a atmosfera feiticeira daquele lugar tivesse levado a melhor sobre mim, mas tive a certeza de que aquele livro tinha estado ali à minha espera durante anos, provavelmente desde antes de eu nascer.

Essa passagem além de revelar importantes aspectos do lirismo da escrita de Zafón mostra como este registra os fatos e os lugares de forma criativa e tece as história de seus personagens ligando-os entre si de forma majestosa e inteligente. Mesmo eu tendo lido uma versão portuguesa publicada pela Editora Dom Quixote e sentido dificuldades com palavras pouco correntes no Brasil, ainda consegui me apaixonar pela forma como ele compõe sua história, pela sua capacidade criativa. Um encantamento que nos levou a homenagear a literatura espanhola declarando 2016 o ano da Espanha no blog.

Como a edição que li é digital e estrangeira, já me decidir por comprar a edição brasileira impressa. Aqui no Brasil o livro foi publicado pela Suma de Letras com 399 páginas.

Ler A Sombra do Vento foi ainda mais interessante porque fala de um apaixonado pelos livros, assim como eu. Além disso a narrativa misturou tudo o que gosto: lugares incríveis, mistério, uma boa escrita e aventura. Enfim, A Sombra do Vento fala de mim, fala de você, leitor. Fala de nós, amantes dos livros que acreditamos nas palavras de Jorge Luis Borges que diz: “sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria”. 

No dia 14 de maio a obra completou seu aniversário de 15 anos de publicação. A data me faz pensar como foi possível ter ficado todo esse tempo sem ter lido A Sombra do Vento. São coisas da vida. Mas o importante é que esse momento chegou e hoje posso suspirar e dizer: quero um dia encontrar o caminho para o Cemitério dos Livros Esquecidos.

Obrigado pela atenção.
Eric Silva dos Santos

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O Andarilho das Sombras - Eduardo Kasse - Resenha

Por Eric Silva, em parceria com a Editora Draco que nos cedeu o livro.


“Eu era apenas mais um vulto nas sombras, imperceptível, silencioso e isso proporcionava um sabor a mais no teatro do medo”. 

Guerras, fé e corrupção marcaram a Europa em um período onde glória e decadência caminhavam lado a lado, como os dois fios de uma mesma espada. A “Idade das Trevas” europeia foi a era da ignorância e do medo do inferno, do domínio de nobres e da Igreja e de um dos maiores flagelos da história da humanidade: a peste negra. Contudo, era oculto nas sombras que espreitava silencioso o maior de todos os perigos, aquele que outrora foi homem e que agora imortal caminharia pela Terra, deixando para trás um rastro de perdição e morte.
Capa da edição lida

O Andarilho das Sombras, livro do escritor brasileiro Eduardo Kasse, é o primeiro da série Tempos de Sangue, e narra os primeiros passos da instigante história de Harold Stonecross, cujas “teias do destino” a muito trançadas fizeram dele um eterno e solitário viajante, um errante amaldiçoado, um vampiro.

Harold nasceu filho de um importante Earl – que seria um título de nobreza anglo-saxão – da região de Dunholm, um recanto perdido da Inglaterra medieval. Porém sendo desprezado pela família, e principalmente pelo seu pai, fugiu de casa ainda menino para viver uma aventura que não só mudaria completamente os rumos da sua vida, como o transformaria em um homem carismático e sedutor, mas igualmente marcado pelo sofrimento e pela desventura. 

Viajando pelas estradas perigosas e pelas cidades imundas da Inglaterra, o destino do menino cruzaria ainda com várias pessoas que lhe estenderiam a mão e seriam decisivas para seu crescimento como pessoa, mas que seriam igualmente passageiras em sua vida.

Caminhando sempre sem destino, primeiro sozinho e depois ao lado do amigo Edred, Harold passaria muitas dificuldades e testemunharia muitos dos males e glórias que o seu mundo possuía e lhe podia ofertar. Contudo, chegaria o momento funesto em que seu caminho como homem íntegro, valoroso, corajoso, mas, sobretudo, sensato, se encerraria, para que começasse uma nova caminhada, agora como uma criatura amaldiçoada, sedenta por sangue e destruição, igualmente errante, mas que levaria a morte e o sofrimento a todo lugar por onde passasse.

Eduardo Kasse compôs em O Andarilho das Sombras o que eu chamaria de um dos livros nacionais mais bem narrados que já li. E por que digo isso? Porque ainda não havia visto entre os livros brasileiros que já li um trabalho de pesquisa tão impecável. É certo que a princípio estranhei a forma com que o autor escreve logo no início da narrativa, usando preferencialmente períodos curtos – frases constituídas de uma ou mais orações –, mas o motivo do meu estranhamento se deve a minha própria incapacidade de optar por eles – quase sempre escrevo com períodos longos. Contudo, deixando estas questões a parte, logo que envolvido pela narrativa me esqueci dos períodos e a leitura se tornou tranquila e fluida. Foi aí que comecei a notar o conhecimento aprofundado do autor acerca da vida cotidiana na Idade Média e que ele se utiliza na composição dos cenários e personagens de sua história.
A Idade Média representada em o Andarilho das Sombras não é aquela
romantizada pelos livros de cavalaria, príncipes e reis como o rei Arthur.

Kasse conseguiu neste livro descrever o mundo medieval tal como ele era: de muito trabalho e perigos, festejo, sofrido, violento, religioso, corrupto, desigual, supersticioso, mas fascinante e tragante. A realidade da narrativa, sobretudo no comportamento de muitos dos personagens masculinos, as vezes assusta, mas acredito que foi necessário para descrever a devassidão escondida por sob a encardida manta de hipocrisias que recobria e encobria a verdade daqueles tempos. Uma licenciosidade que era recriminada numa “terra cheia de falsos pudores”, citando as palavras do próprio Harold. Distante da idade média romantizada a qual estamos acostumados encontrar em livros de príncipes, senhores feudais e cavaleiros, Kasse opta por uma idade média mais realista e próxima ao que ela foi de fato.
Eduardo Kasse busca em seu livro representar a Idade Média em seu
cotidiano, a vida das pessoas simples e a influência da
Igreja e das superstições sobre elas.

Mas além de contemplar a realidade cotidiana da época, Kasse ainda faz um resgate da mitologia nórdica e dá aos vampiros de sua narrativa não só o aspecto de seres das sombras sedentos por sangue, mas também de criaturas míticas, resultado de poderes de deuses antigos que deixaram de ser cultuados com a chegada da fé cristã.

A sensação que tive ao ler é que na narrativa, mais do que monstro, o autor transforma o vampiro em uma destas entidades antigas, um ser de um conjunto de seres fantásticos, antigos, mitológicos, a muito tempo desacreditados, como deuses a muito esquecidos. Além deste aspecto, o autor ainda consegue demonstrar como um pouco da cultura e das crenças dos povos pagãos ainda se encontravam vivas – ainda que meio adormecidas – e fundidas à cultura cristã, em um todo ambivalente e contraditório.

Outro aspecto sobre os vampiros de Kasse que quero destacar é a humanidade que estes seres ainda conservam não se diluindo completamente na fúria de sua selvageria. Harold, por exemplo, mesmo muitas vezes se demonstrando um caçador implacável e inclemente, também em muitos momentos deixa emergir vislumbres da generosidade, da cordialidade e da ternura que tinha quando em vida, como quando conversou com um menino que era caçoado por outros garotos maiores:

– Qual é o seu nome? – perguntei ao garotinho que tinha lágrimas nos olhos.
– Edgar, filho de Edgar, senhor... – respondeu com a voz magoada.
– Você é um fricote, Edgar, filho de Edgar? É um maricas? – indaguei com escárnio.
– Não senhor – respondeu o garoto fracamente.
– Você é tolo, Edgar?
– Já sei contar as moedas e preparar a lã das ovelhas tosquiadas na primavera, senhor – respondeu com um pouco de orgulho.
– Está com medo de mim, Edgar? – inquiri incisivamente.
– Por que deveria senhor? – respondeu com os olhos curiosos.
– Então, Edgar, nunca deixe que zombem de você! Seja o mais rápido, o mais forte e o mais esperto – falei em tom áspero, olhando para os outros garotos espantados – Dance e cague sobre as tripas dos seus inimigos! Ignore o medo e tenha sempre belas mulheres para aquecer a sua cama! – disse enquanto segurava o garoto no colo e dançava rodopiando com ele – Lembre-se sempre disso Edgar!
– Farei isso senhor – respondeu com uma risada marota.
– Agora vão para casa! – falei sério – Rápido.Os quatro garotos correram sem olhar para trás, escorregando nas ruas cobertas pelo barro úmido devido ao dia chuvoso.

Contudo, generoso ou não, Harold era um vampiro e em seguida, para se alimentar, mataria um dos garotos que caçoavam do pequeno Edgar.

Harold é um personagem que chama bastante a atenção. O autor teceu para sua narrativa um personagem bastante crítico e sincero que, como um espectador do mundo que lhe é contemporâneo, fala de certos aspectos da época com sarcasmo e repugnância. Harold tem horror à corrupção instalada no seio da Igreja e à ignorância dos camponeses que se deixam levar pelo medo que o clero lhes incutia. Assim, o personagem é, no livro, o maior crítico da fé professada na época. Além disso, ele não carrega consigo nem um pouco de hipocrisia e reconhece o “demônio” que existia nele mesmo.
O autor

Por fim, para concluir, não poderia deixar de mencionar as passagens de tempo existentes na narrativa.

A história de Harold não é contada de forma linear, ao contrário, vivemos dois momentos distintos na narração. Uma alternância entre o passado quando Harold ainda era humano e o momento presente. A todo instante somos levados a continuação da história do jovem Harold, como se fosse a transição entre o dia e a noite. Eu diria que o livro é dividido em dois e assim como o tempo se alterna entre períodos de luz e de escuridão nos alternamos entre o humano e o vampiro. O dia seria do Harold garoto, o jovem aventureiro e andarilho, e a noite, do vampiro sanguinário, mas ainda assim bastante humano.

O Andarilho das Sombras foi publicado pela Editora Draco. A edição é de 2012 e conta com 384 páginas. O livro seguinte da série chama-se Deuses Esquecidos e também foi publicado pela Editora Draco.

Desde já, estou ansioso para continuar a leitura da série, e assim que conseguir fazê-lo venho correndo contar minhas impressões a vocês.

Obrigado pela atenção.

Eric Silva

domingo, 1 de maio de 2016

LANÇAMENTOS INTERESSANTES DE ABRIL

Por Eric Silva

Para a postagem de hoje resolvi separar alguns livros que foram lançados no último mês e que chamaram minha atenção. Livros que me deixaram curioso e que por isso certamente acabaria lendo. Por isso separei os livros em grupos de acordo com a motivação que me levaria a lê-los, desde a pertencer aos meus gêneros prediletos até a pura e simples curiosidade. Vamos a eles:

Livros que mais se encaixam aos meus gostos

O Quarto Dia – Sarah Lotz

Sinopse do Skoob: Em O Quarto Dia, Sarah Lotz conduz o leitor por uma viagem de réveillon que tinha tudo para ser perfeita. Mas às vezes o novo ano reserva surpresas desagradáveis...

Janeiro de 2017. Após cinco dias desaparecido, o navio O Belo Sonhador é encontrado à deriva no golfo do México. Poderia ser só mais um caso de falha de comunicação e pane mecânica... se não fosse por um detalhe: não há uma pessoa viva sequer no cruzeiro.

As autoridades acham indícios de uma epidemia de norovírus, mas apenas descobrem os corpos de duas passageiras. Para piorar, todos os registros e gravações de bordo sofreram danos irreparáveis.

Como milhares de pessoas podem ter sumido sem deixar rastro? Teorias da conspiração se alastram, mas só há uma certeza: 2.962 passageiros e tripulantes simplesmente desapareceram no mar do Caribe.

Porque leria: assim que li essa sinopse foi inevitável comecei a especular qual seria o mistério por trás do desaparecimento dos tripulantes do navio. Uma megaoperação criminosa? Algo sobrenatural? Um sofisticado ataque terrorista? O que haveria acontecido durante esses dias à deriva? Policiais me instigam, mas nada me inquieta mais do que um grande mistério!

Editora: Arqueiro

Eu sou o peregrino - Terry Hayes

Sinopse do Skoob: Uma mulher é brutalmente assassinada em um hotel decadente de Manhattan, seus traços dissolvidos em ácido. Um pai é decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita. Na Síria, um especialista em biotecnologia tem os olhos arrancados ainda vivo. Restos humanos ardem em brasas na cordilheira Hindu Kush, no Afeganistão. Uma conspiração perfeita, arquitetada para cometer um crime terrível contra a humanidade, e apenas uma pessoa é capaz de descobrir o ponto exato em que todas essas histórias se cruzam.

Peregrino é o codinome de um homem que não existe. Alguém com tantas identidades que mal consegue lembrar seu verdadeiro nome. Adotado ainda jovem por uma família rica, ele se tornou um importante profissional da espionagem. Em uma perseguição cinematográfica, Peregrino cruza o mundo, da Arábia Saudita às ruínas da Turquia; do Afeganistão ao Salão Oval da Casa Branca. Um caminho doloroso e repleto de ameaças inesperadas, na busca por um homem desconhecido cujo plano é desencadear uma destruição em massa sem precedentes.

Porque leria: Outro livro de mistério, mas também de conspiração. Chamou-me a atenção o fato do personagem principal não possuir um nome o que lhe envolveu em uma atmosfera de mistério ainda maior. Quem seria? De onde viria? Além disso, o número de casos aparentemente desconexos entre si me lembrou algumas histórias que já li onde os fatos são visivelmente desconectados mas que guardavam uma ligação que só ao longo da leitura se poderia vislumbrar.

Editora: Intrínseca

Vocação para o mal - Robert Galbraith (J.K. Rowling)

Sinopse do Skoob: Quando um pacote contendo a perna decepada de uma mulher é entregue a Robin Ellacott, seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, suspeita de quatro pessoas de seu passado que poderiam ser capazes de tamanha brutalidade. Mas quando a polícia foca no suspeito que Strike tem cada vez mais certeza de que não é o criminoso, ele e Robin precisam correr contra o tempo para descobrir a verdade. 

Depois de O chamado do Cuco e O bicho-da-seda, o terceiro romance da aclamada série escrita por Robert Galbraith, pseudônimo de J. K. Rowling, é um suspense inteligente, com reviravoltas inesperadas a cada página, e também a emocionante história de um homem e de uma mulher numa encruzilhada em suas vidas pessoais e profissionais.

Porque leria: para começar Vocação para o Mal é um livro policial, um dos meus gêneros literários preferidos. Em segundo lugar a autora é mundialmente conhecida e creditada como uma grande escritora. Por fim o livro tem recebido boas críticas dos skoobers. Contudo só leria este livro após ler seus dois antecessores, porque não acho interessante [e vocês concordarão comigo] começar uma saga pelo meio ou pelo final.

Editora: Rocco

Os livros cuja temática original me chamou a atenção

O Livro dos Bichos – Reportagens – Roberto Kaz

Sinopse do Skoob: Major Tom passou trinta dias no espaço, orbitando ao redor da Terra e experimentando os efeitos da gravidade, e prestou grandes serviços à comunidade científica russa. Major Tom é um camundongo, e sua vida é uma das muitas contadas neste inusitado livro de reportagens sobre animais. A partir da história de cada bicho, Roberto Kaz conduz o leitor a um universo desconhecido. Quando fala de um cavalo reprodutor, revela todo um mundo de negociações milionárias e intrigas políticas. Quando perfila uma celebridade animal, expõe uma guerra de patentes nos bastidores da maior emissora do país. Com empatia, Kaz tira desses bichos histórias marcantes, que revelam tanto sobre o mundo animal quanto sobre nós mesmos.

Porque leria: O que me chamou a atenção para este livro não foi por ele falar de animais, mas por que a sinopse deixou transparecer que há aqui uma denúncia de como o ser humano, achando-se superior a todas as espécies, utiliza-se dos animais como se estes fossem objetos, mercadorias ou peças em um tabuleiro onde o homem joga como se fosse um deus, brincando com vidas indefesas em uma sociedade do espetáculo, em uma sociedade que faz parecer que tudo pode ser convertido em dinheiro.

Editora: Companhia das Letras


Yakuba - Thierry Dedieu

Sinopse do Skoob: Livro de temática africana, sobre um jovem que está prestes a se tornar um guerreiro.

Amanhece na savana africana. E, para o jovem Yakuba, é um dia especial: ele está prestes a se tornar um guerreiro. Para provar sua coragem, precisa, no entanto, enfrentar um leão. Sob o sol escaldante, o menino-homem caminha, com medo, e finalmente encontra o inimigo. Ansioso, ele corre para lutar, mas é paralisado pelo olhar do grande felino, que está ferido. Agora Yakuba deve decidir: ou mata o animal, e ganha o respeito da tribo, ou o poupa, e se torna homem a seus próprios olhos.


Porque leria: esse é mais um livro que me atraiu pela temática. Yakuba parece falar não apenas de um menino que vai a caça, mas de toda uma cultura de um povo antigo que pesa sobre um menino que precisa ser reconhecido pelo grupo para ser aceito. Gosto de conhecer novas culturas, e a África é um continente que me fascina pela sua ancestralidade. Já é um bom motivo para ler.

Editora: Galera Júnior

Os que a temática me interessam

Vozes de Tchernóbil - A História oral do desastre nuclear - Svetlana Aleksievitch

Sinopse do Skoob: "Em abril de 1986, uma explosão na usina nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia então parte da finada União Soviética, provocou uma catástrofe sem precedentes: uma quantidade imensa de partículas radioativas foi lançada na atmosfera e a cidade de Pripyat teve que ser imediatamente evacuada. Tão grave quanto o acidente foi a postura dos governantes soviéticos, que expunham trabalhadores, cientistas e soldados à morte durante os reparos na usina. Pessoas comuns, que mantinham a fé no grande império comunista, pereciam após poucos dias de serviço. Por meio das vozes dos envolvidos na tragédia, Svetlana constrói este livro arrebatador, que tem a força das melhores reportagens jornalísticas e a potência dos maiores romances literários. Uma obra-prima do nosso tempo.

Porque leria: sou geógrafo e amo história, Tchernóbil ou Chernobyl, como costumo escrever, é um momento da história que muito me interessa e sobre o qual discuto frequentemente com meus alunos. O maior acidente nuclear da história e que completou 30 anos em abril é até hoje fonte de interesse de pesquisadores do mundo inteiro. Conheço muito desta história, mas o que me chamou atenção no livro foi a possibilidade de “ouvir” dos envolvidos a sua versão dos fatos.

Editora: Companhia das Letras


Sob a Pirâmide - O Juiz do Egito #1 - Christian Jacq
Sinopse do Skoob: Ao ser convocado para investigar as mortes misteriosas de cinco vigilantes sob o grande túmulo de Quéops a esfinge de Gizé, um jovem, inteligente e incorruptível juiz novato vê-se jogado em um viveiro de ganância e corrupção. Sua recusa em assinar um documento que não parecia fazer sentido o leva a descobrir uma trama monstruosa para assassinar o faraó Ramsés, o Grande. Com a ajuda de seu irmão de sangue e de uma bela jovem médica por quem é apaixonado, ele luta para expor a verdade, resolver uma série de assassinatos brutais e frustrar uma tentativa descarada de golpe de Estado. Mas será ele capaz de sobreviver no processo?

Porque leria: Já disse que gosto de história. Ademais sou fanático pelo Egito, Christian Jacq é famosos por seus livros com grande peso histórico e voltados para a temática. Mas o melhor da obra reside no fato de que seu ator é realmente egiptólogo o que faz com que seus livros sejam carregados pelo seu conhecimento de área. Além disso, o livro gira entorno de uma conspiração, intrigas. Para um apaixonado pela história do Egito e que gosta de literatura de mistério, de conspiração, não são necessárias muitas justificativas de porquê leria esse livro.

Editora: Bertrand Brasil



O Livro de Ouro das Revoluções - Movimentos Políticos que Mudaram o Mundo - Mark Almond

Sinopse do Skoob: Por que as revoluções simplesmente enfatizam a aparente estabilidade de estados e sociedades? Quais são as raízes dos levantes políticos e sociais? Por que algumas insurreições são bem-sucedidas e outras não? Das insurreições populares a golpes militares, de guerras civis a rebeliões políticas, as revoluções através do mundo mudaram o rumo da história. Este livro analisa mais de vinte dos eventos mais dramáticos e revolucionários e os fios comuns que os ligam.

Porque leria: temos aqui outro livro com temática histórica, mas que é na verdade uma reedição da obra. As revoluções são, sem dúvida, temas que mexeram com a história e, posso afirmar, mudaram o curso desta. Basta revistáramos a história da Revolução Francesa ou da Revolução Russa e veremos isso. A primeira se tornou o marco da Idade Contemporânea e a segunda foi decisiva para existência da Guerra Fria. A influência de ambas são sentidas até os dias de hoje, seja no pensamento filosófico como no político. Estudar e compreender as revoluções são essenciais para entendermos a sociedade, a política e o mundo em que vivemos, bem como a sede de liberdade que emana das pessoas.

Editora: HarperCollins Brasil


Aposta

The Kiss of Deception - Crônicas de Amor e Ódio # 1 - Mary E. Pearson

Sinopse do Skoob: Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro?

Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor.

O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo.

Porque leria: confesso que não gosto muito de romances, antes prefiro os dramas, mas este me pareceu ser mais do que apenas uma história de amor, por isso é uma aposta. Ainda não conheço a DarkSide Books e ainda não li nenhum dos livros publicados por ela, sei apenas que seu foco está no terror, um gênero quase preferido meu. Talvez deva ser a hora de começar, e por que não por este? Além disso, alguns skoobers vem tecendo interessantes elogios a obra e quem escreveu a sinopse conseguiu, para mim, ser bastante convincente ao sugerir que nessa narrativa nem tudo é o que parece ser.


Editora: DarkSide Books

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