segunda-feira, 14 de agosto de 2017

#4 Lirismos: Tudo, todos e o todo – Carlos Rodrigues Brandão

Postagem: Eric Silva

Somos feitos de barro e de fogo
e por isso somos o desejo e o amor.
Fomos feitos de terra e de água
e assim somos eternos como a vida
e somos passageiros como a flor.
Somos a luz, a sombra, o clarão, a escuridão
a memória de deus, a história e a poesia.
Somos o espaço e o tempo, a casa e a janela
e a noite e o dia, e o sol e o céu e o chão.

Somos o silêncio e o som da vida.
O estudo, a lembrança e o esquecimento.
Somos o medo e o abandono.
A espera somos nós e somos a esperança.
Pois não somos mais e nem menos do que tudo.
Somos o perene e o momento, a pedra e o vento
a energia e a paz, a vida criada e o criador.

Somos o mundo que sente, e irmãos da vida
somos a aventura de ser vida e sentimento.
E assim em cada ave que voa há nossa alma
e em cada ave que morre, a nossa dor.



Sobre o autor

Carlos Rodrigues Brandão nasceu no Rio de Janeiro. É psicólogo, mestre em antropologia e doutor em ciências sociais e divide sua produção escrita entre a área científica e a literatura, tendo publicado mais de oitenta obras. Recebeu o Prêmio Poesia-Liberdade pela Fundação Centro Alceu Amoroso Lima, entre várias outras condecorações por seu trabalho científico. É professor emérito da Universidade Federal de Uberlândia e pesquisador do CNPq.








Poema extraído do livro O Jardim de Todos, publicado em 2007, pela editora Autores Associados.





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