terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Nós e a literatura brasileira: até quando acharemos que o que é de fora é melhor? - Postagem Especial


Por Eric Silva

Está sem tempo para ler? Ouça a nossa resenha, basta clicar no play.



Literatura brasileira ou estrangeira? Por que no país muitos leitores valorizam mais a literatura de fora?
Imagem: http://educarparacrescer.abril.com.br/blog/biblioteca-basica/.

Porque tantos brasileiros não gostam de literatura brasileira e dão preferência a literatura estrangeira?

Eu como muitos brasileiros também não era grande simpatizante da literatura nacional. Para perceber isso basta observar que leio autores do mundo todo e pouquíssimos deles são nacionais. Contudo, a medida que fui montando um de nossos projetos que fala sobre os livros que marcaram minha infância e adolescência, fui percebendo pela lista de livros que devo muito mais à literatura brasileira do que imaginava. Foi ela quem me iniciou no mundo das letras, foi ela minha primeira amante.

Percebo hoje que foi inspirado por literatura brasileira que tive meus primeiros sonhos literários e que foi com autores como Aristides Fraga Lima (A Serra dos Dois Meninos), Leila Rentroia Iannone (Rio tem Coração?), Clarice Lispector (A Vida Intima de Laura) e tantos outros que me fiz leitor. Mas por algum motivo me perdi na seara de minhas escolhas literárias e como tantos outros passei a olhar de outro modo minhas origens. Cuspi no prato que comi.

Felizmente, todo os anos os projetos do Conhecer e principalmente a nossa Campanha Anual de Literatura me ensina algo novo e dessa vez o ensinamento me fez tomar o papel de filho pródigo e voltar para casa. Por isso, na postagem especial de hoje venho discutir um pouco sobre porque tantos brasileiros não gostam de literatura brasileira. Falar de quais fatores na minha opinião impulsionam essa descrença pela nossa literatura e dos motivos de no país se dar tanto crédito a uma literatura estrangeira supostamente tomada como superior à nossa.

***

Clarice Lispector, uma de minhas iniciadoras na literatura.
Imagem: http://acervo.revistabula.com
Acho um tanto leviano comparar a literatura internacional com a brasileira, porque não temos uma noção ampla da produção de cada país. Ao contrário disso, nossos maiores contatos são com livros de países de língua inglesa, marcadamente de autores estadunidenses e ingleses. No caso de outros países como os do continente africano, por exemplo, poucos são os autores que chegam a ser traduzidos e publicados no país. Então quase sempre que alguém compara nossa literatura com a estrangeira ou o faz pautado em um número restrito de autores de um determinado país, ou o faz baseado na literatura mais comercial estadunidense e inglesa, que é o que de fato chega mais até nós.

Por outro lado, mesmo que tivéssemos a condição de conhecer amplamente a literatura de cada país do mundo, ainda seria leviano ranqueá-las. Entendo a literatura de uma nação como um reflexo da cultura, da identidade, da história, dos problemas e dos sonhos de um povo. Se olhos são o espelho da alma de alguém, a literatura é também uma expressão de uma sociedade, está sempre carregado de identidade própria, mesmo quando se imita uma dada tendência internacional. E se, na era moderna, as nações reconheceram que nenhum povo é superior a outro, nenhuma literatura também o será.

Evidentemente que isso não elimina o fato que a nossa literatura tem seus problemas, de que está repleta de livros que não são muito prazerosos e de tantos outros que foram malsucedidos. Eu, por exemplo, não suportei o livro Noite do Massacre do reconhecido autor Carlos Heitor Cony. A despeito da fama de seu autor, esse pequeno livro de Cony é, na minha opinião, nada muito além de um amontoado de violência gratuita. Foi em respeito às nossas próprias condutas éticas que preferi não resenhar o livro de Cony. Contudo, não é por uma pequena amostragem estatística que se define as reais características de uma população e isso vale também para a literatura seja ela nacional ou estrangeira.

Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien.
Uma das obras estrangeiras que mais fez sucesso no Brasil,
sobretudo após ser adaptado para o cinema.
Os livros que chegaram ao Brasil são quase sempre selecionados de acordo com as possibilidades de sucesso no mercado brasileiro. São best-sellers, ganhadores do prêmio Nobel, autores com público cativo que em geral já acompanha os seus trabalhos na sua língua nativa, livros que viraram filmes e séries de televisão de sucesso ou livros que obtiveram grande aceitação no exterior. Por tanto são livros que são esperados por um determinado público ou que podem ganhar terreno no mercado, tomando como base a sua popularidade e boa aceitação lá fora. Os insucessos raramente chegam até nós e mesmo bons livros não nos alcançam por que não são pops.

Mas é claro que dos livros estrangeiros que chegam até o Brasil, nem todos são cativantes. Há também obras estrangeiras que considerei entediantes como Los Alamos, de Martin Cruz Smith, e A Bela e a Adormecida, do cultuado Neil Gaiman. Esse último, para mim, foi a releitura mais pouco inspirada que já li e não está entre os melhores trabalhos do autor.

Por outro lado, na minha modesta opinião, o principal motivo dos brasileiros não gostarem da literatura local é porque a desconhece em sua profundidade. E por que? A resposta é difícil porque é cíclica e um fator retroalimenta o outro. Em resumo seria: falta divulgação e espaço para o escritor nacional, e falta porque não há procura expressiva, e se não há procura, pela (in)lógica capitalista acaba faltando também interesse de criar oferta.

O grande mercado editorial brasileiro não dá um maior espaço aos novos escritores brasileiros por razões muito óbvias e a principal delas é a dificuldade de vender literatura brasileira quando esta não é popular entre os já escassos leitores do país.

Vamos por partes.

Os brasileiros têm uma tendência muito forte de depreciar tudo o que é nacional. Dizia Nelson Rodrigues, dramaturgo e escritor brasileiro, que nós temos um “complexo de vira-lata”, ou seja, um olhar de povo colonizado que se coloca, “voluntariamente”, ressaltava o autor, em uma posição de inferioridade em relação ao resto do mundo. Esse “complexo” se reflete em diferentes seguimentos da vida e nos faz repetir frases depreciativas como “só podia ser brasileiro” para tudo o que é de ruim e que de alguma forma envolve o país. Não é diferente quando se trata de literatura.

Antes de escrever qualquer postagem, costumo ler sobre o assunto, indo de artigos científicos às opiniões de colunistas e resenhistas. Andei lendo alguns textos também sobre o fato de que nós não gostamos de literatura brasileira e o que descobrir é que as pessoas que não leem a literatura nacional o faz por preconceito, por conhecer pouco de sua diversidade, por um problema de divulgação de milhares de escritores nacionais, pela seletividade do mercado editorial, mas principalmente por estarem dentro deste complexo de que nos falava Nelson Rodrigues.

Na minha pesquisa me deparei com todo tipo de opinião, mas um artigo em particular me chamou muito atenção e que pertence a um blogueiro que costuma fazer listas sobre temas literários.

O conteúdo do blog citado é interessante, para dizer a verdade, porque é objetivo (ao contrário dos meus textos intermináveis) e não assusta quem tem preguiça de ler. Porém, em uma dessas listas o citado blogueiro tece dez razões de porque a literatura estrangeira é mais atraente do que a nossa, tomando por base sua própria experiência literária. Contudo ao ler a lista a sensação que fica para o leitor é que ele lê bem pouco os autores brasileiros ou está preso a um determinado círculo de autores e não se aventura para além do que os vestibulares costumam exigir.

Para justificar sua posição o blogueiro lista uma série de problemas que ele julga ser a razão da literatura brasileira ser (nas minhas palavras) decadente e desestimulante. Eis a lista: falta de objetividade, de movimento, descompromisso com o enredo e com o entretenimento, catálogo reduzido “de bons ficcionistas nacionais”, o uso excessivo de metáforas, ambiguidades e de sentidos figurados, excesso de seriedade (falta humor), excesso de militância, pouca amplitude (só fala das mazelas brasileiras como a corrupção e a violência) e, por fim, somos atraídos pelo desconhecido.

Imagem da fachada da Acadêmia Brasileira de Letras no Rio de Janeiro.
Imagem: Wikimedia Commons.
Após ler a lista concordei em parte com o que ele dizia. Estes problemas de fato existem. Mas ao contrário do que ele quis sugerir não é um problema exclusivo do Brasil, pelo contrário é um fenômeno geral, corriqueiro em todo o mundo. Os problemas são bem mais profundos e estruturais.
Além disso, separemos o joio do trigo, é leviano e generalista afirmar que TODOS os milhares de escritores do país são como a lista descreve e que TODOS os milhões de estrangeiros escrevem melhor do que nós.

Catálogo reduzido? De forma alguma! Catálogo pouco divulgado.

Uso de metáforas e sentidos figurados? É certo que o excesso torna a leitura massacrante, mas em muitos casos são elas que dão charme e seduzem o eleitor pela curiosidade, abrem sua mente para imaginar o que tudo aquilo pode significar! Qual a mensagem que o autor quis passar. Inclusive essa é a alma de A Hora dos Ruminantes, de José J. Veiga, um dos últimos livros que resenhei aqui. Sem o uso da metáfora simplesmente não existiria história no livro citado.

Pouca amplitude? Sem comentários, porque é uma inverdade. Eu diria que muitos autores brasileiros se fixam demais no cotidiano, nas coisas simples da vida brasileira, são introspectivos demais, mas mesmo entre esses a variedade temática é imensa.

Movimento? Literatura agora é cinema? Todo livro tem que falar de ação? As questões psicológicas e/ou filosóficas devem estar a serviço da ação, mesmo que se corra o risco da literatura se tornar um amontoado de obras rasas e sem relevo?

Falta de humor? Convido todos a lerem A Mulher que escreveu a Bíblia de Moacyr Scilar ou Hilda Furacão de Roberto Drummond.

Falta de objetividade? O que se busca não são histórias inteligentes, reais, fantásticas, inspiradas e comoventes? Objetividade não tem nada a ver com nenhuma dessas coisas. Objetividade é questão de estilo e isso é próprio de cada escritor.

Descompromisso? Como é possível pecar pelo excesso de figuras de linguagem, questões filosóficas e existências e ao mesmo tempo ser descompromissado? Foi a que menos entendi, mas me pareceu que se quis dizer – como outro blogueiro afirma claramente, inclusive, – de que os brasileiros só imitam os escritores estrangeiros tentando adaptar estilos e movimentos para a realidade brasileira quando isso nem sempre é possível. Bem, se isso acontece, é porque temos o famigerado “complexo de vira-lata” e na vida estamos sempre buscando imitar o que é de fora.

Militância? Existe em todo lugar porque é algo necessário à conquista dos direitos sociais como a liberdade de expressão, e a literatura sempre foi e sempre será uma ferramenta de luta independente de qual foi o idioma em que foi escrito. Ou devemos esquecer das críticas sociais feitas por grandes escritores europeus como Charles Dickens e Victor Hugo em suas obras?

Por fim, vem a questão do entretenimento. Concordo, em parte, que muitas histórias de escritores brasileiros não são para serem lidas de uma vez, sem o devido cuidado e atenção. São textos para serem digeridos lentamente e são pouco acessíveis para quem tem pouca experiência, vocabulário pobre, ou pouca formação educacional. Como diz o jornalista Felipe Pena, muitos escritores “escrevem para si mesmos e para um ínfimo público letrado, baseando as narrativas em jogos de linguagem que têm como único objetivo demonstrar uma suposta genialidade literária”. Mas essa constatação não pode ser estendida a todos de forma alguma.

As histórias brasileiras podem não ser em sua maioria cinematográficas como os romances do espanhol Carlos Ruiz Zafón, autor que gosto muito. Mas quem foi que disse que todo livro tem que estar a serviço da sociedade do espetáculo? Uma literatura baseada só e puramente no entretenimento seria pobre, rasa e repetitiva – tenderia a ser mais do mesmo. Há que sim, buscar o meio termo.

Mas deixando de lado o blogueiro em questão. O que quero dizer é que o primeiro ponto que nos impossibilita de gostar de literatura brasileira é esse “complexo de vira-lata” que faz o brasileiro depreciar tudo o que é nacional e exaltar o estrangeiro. Foi-se aí o primeiro ponto que eu queria colocar.

O segundo ponto tem relação com as nossas experiências literárias na escola, local onde temos (somos obrigados a ter) maior contato com a produção nacional, particularmente os clássicos.
Para muitos leitores – marcadamente os mais jovens – a literatura brasileira é chata, porque para a maioria deles a literatura do Brasil se resume aos clássicos estudados na escola. Também já pensei assim.

A questão que reside aqui é que a literatura varia no tempo, muda de estilo e de temática e na escola geralmente somos forçados a ler obras em uma linguagem difícil – para qual não fomos devidamente preparados – e sobre temas de relevância para uma época passada que pouco fala de nós e da forma como vivemos. Não se cria identificações nem laços e a barreira da língua contribui enormemente para isso. Como muitos professores não conseguem nos alcançar e mostrar o verdadeiro valor da obra que temos em mão, o efeito obtido é nos traumatizar em relação aos clássicos brasileiros.

Se não bastasse, há pouco espaço para a literatura contemporânea na escola. Nossas primeiras leituras na instituição ou são de livros infantis e pedagógico ou de literatura clássica. Pouco se lê da literatura brasileira atual e pouco se diversifica o tipo de leitura e seus gêneros. No fundamental II não há diversidade e no Ensino Médio só se lê os clássicos. Ou seja, se o estímulo para ler já é pouco, menor ainda é a variedade do que se “obriga” a ler.

Acredito que o que falta nesse quesito é leituras que vão avançando conforme a idade, o letramento e a formação crítica dos alunos. Leituras que vão gradativamente dos livros mais acessíveis aos mais complexos, dos contemporâneos aos clássicos, utilizando-se dos mais variados gêneros, cultivando pouco a pouco e continuamente o interesse pela leitura. E ler deve ser algo divertido, deve se lúdico, envolver projetos, unir literatura a ouras artes como o cinema e o teatro. Como isso não acontece não se cultiva leitores, muito pior, amantes de literatura brasileira.

Imagem de livraria localizada no Brasil. Ao fundo secção dedicada a literatura brasileira.
Imagem: Nelson Kon.
O terceiro ponto está na outra ponta da corda: o mercado editorial.

Como eu disse é difícil vender literatura nacional quando esta não é popular entre os já escassos leitores brasileiros. Por conta disso o mercado procura atender aos nichos de leitores já existentes e publica mais aquilo que interessa a esses grupos.

Muitas vezes as grandes editoras buscam aqueles autores brasileiros que já fizeram sucesso em editoras menores ou com produções independentes porque aí já existe um público interessado. Esse foi o caso de Eduardo Spohr, autor de A Batalha do Apocalipse, e de Chris Mello, autora de Sob a Luz de seus Olhos, que possuem uma qualidade literária muito boa, fizeram sucesso em editoras menores e chamaram a atenção do grande mercado editorial tendo seus livros republicados por ele. Mas, na verdade, a maior parte do espaço é dado a autores brasileiros já consagrados, ganhadores de prêmios, autores indicados para uso pedagógico, celebridades e aqueles escritores que possuem alguma notoriedade dentro de um grupo social específico como o meio artístico, intelectual ou da elite nacional.

A literatura nacional popular, para jovens, de fantasia, de terror, policial, de ação, de aventura, dentre outros gêneros e subgêneros, possui pouco espaço o que cria o mito de que não existe bons autores nacionais que produzam narrativas desse tipo de gênero, o que é, na verdade, um equívoco. Além disso, para as editoras, apostar em autores que já fazem sucesso no exterior nesses gêneros como Rick Riordan (literatura para jovens), George R. R. Martin (fantasia), Stephen King (terror) e Jo Nesbø (policial e suspense) é certeza de lucros maiores.

Ao contrário disso, encontrar, lançar e promover novos autores que sejam bons, do país e desconhecidos pelo grande público é, em muitos casos, um empreendimento que pode dar prejuízos, uma vez que, salvo poucas exceções, esses autores demoram a chamar a atenção do mercado, exigindo um maior trabalho de marketing e logo, gastos maiores. No fim, são as pequenas editoras que mais se lançam nesses projetos de risco, porém com números menores de livros e de autores publicados por ano.

Mas ainda temos um quarto ponto: divulgação.

A literatura que mais vende no Brasil está ligada ao cinema, a TV
 e ao sucesso do autor e da obra no exterior.
Os livros estrangeiros recebem um marketing muito maior e até mais agressivo, enquanto que os livros brasileiros quase sempre são divulgados no boca a boca, geralmente pelos próprios autores ou por blogueiros como nós do Conhecer Tudo e tantos outros. Isso diminui a visibilidade das obras nacionais, de novos escritores. Só quem está ligado nas redes, quem lê bastante pequenos blogs, quem vai a encontros literários por todo país têm contato com os novos escritores e conhecem seu trabalho. E mesmo alguns autores mais antigos e consagrados acabam vendendo pouco porque suas obras são pouco divulgadas ou aparecem apenas em algumas mídias como revistas de grande circulação, mas que não são lidos por todos os seguimentos.

Acredito que o pouco marketing se deva, sobretudo, pelos gastos quando comparados com as possibilidades de retorno, porque divulgação nem sempre elimina o preconceito do brasileiro em relação a nossa literatura.

Como se vê o problema é complexo e não pode ser nem generalizado, nem simplificado. Mas ainda assim, penso que, diante do que discutimos, não é só o mercado editorial brasileiro que tem que mudar, mas o brasileiro também.

De um lado, as escolhas das editoras se baseiam em termos comerciais, porque, no final das contas, elas são empresas que precisam lucrar ou acabam fechando as portas. Mas do outro, também o posicionamento do leitor brasileiro que ainda vê a literatura nacional com preconceito tem que ser mudado.

Acredito que quando a nossa literatura for mais valorizada pelos leitores brasileiros a tendência será de uma valorização dos autores independentes, dos novos autores, da produção vinda de pequenas editoras e também por parte do grande mercado editorial que está sempre farejando tendências.

A verdade é que não importa se a literatura brasileira é mais intelectualizada ou popular, ou se é pouco ou muito ligada ao entretenimento. Precisamos abandonar um posicionamento em que valorizamos mais a literatura estrangeira do que a literatura local, porque para gostar de literatura brasileira, assim como de qualquer outra literatura, é preciso sair do comodismo e minerar: ler de tudo, buscar pequenas editoras, autores estreantes, ler os clássicos, os livros mais intelectualizados, os mais populares, os best-sellers nacionais, as produções independentes e livros de todos os gêneros.

É necessário que nos aventuremos com o olhar despido de qualquer tipo de ideia preconcebida. Porque de outra maneira continuaremos com nossos olhares voltados para fora e deixaremos de enxergar pequenas pérolas de grande valor que surgem aqui mesmo.



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