quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Monte Cinco


“Todo homem tem direito de duvidar de sua tarefa, e de abandona-la de vez em quando; a única coisa que não pode fazer é esquece-la. Quem não duvida de si mesmo, é indigno - porque confia cegamente na sua capacidade, e peca por orgulho. Bendito seja todo aquele que passa por momentos de indecisão”. (Paulo Coelho, O Monte Cinco)
Capa da edição lida. Fonte: Reprodução.

O pequeno enxerto acima é a fala do Anjo do Senhor para Elias quando este, subindo o Monte Cinco para encontrar a morte pelo fogo sagrado, duvida da missão confiada a ele por Deus. A imensa carga filosófica deste pensamento, contudo, é sem dúvida a marca registrada da escrita de Paulo Coelho, um dos escritores brasileiros mais bem conceituados no exterior. Em Monte Cinco, Paulo Coelho conta de uma forma diferente a história de um dos grandes personagens do Antigo Testamento, o profeta Elias. 

Elias era um dos profetas de Deus que teve que fugir da cólera da princesa Jezabel que ordenara que fossem mortos todos os profetas de Jerusalém e imposto o culto ao deus pagão Baal. Por desígnio de Deus, Elias impôs uma longa seca que assolaria por anos a região de Jesuralém e perseguido por Jezabel é orientado por Deus para que fugisse para a torrente de Querite onde seria alimentado por corvos que lhe trariam comida. Depois dali, o Senhor o envia para a cidade de Sarepta onde seria acolhido por uma viúva e é nessa estadia na cidade de Sarepta, na história chamada de Akbar, que a história se transforma.

Elias no deserto, de Washington Allston. Fonte: Wikimedia Commons

O livro no seu princípio segue com alguma fidelidade o que está escrito na bíblia e traz também passagens desta, mas é no momento em que Deus pede a Elias que vá a Sarepta que tudo muda. Na bíblia não há grandes relatos sobre o tempo em que Elias viveu ali, além do fato da morte do menino da viúva que Elias pede que Deus ressuscite e é atendido. É nesse ponto Paulo Coelho dá asas à imaginação e passa a escrever sobre como foi o período em que Elias viveu entre os habitantes de Akbar, a perseguição que sofreu, a condenação pela morte do menino da viúva e a ameaça da invasão assíria.

O que me chamou mais atenção na história, contudo, é a mensagem muito bonita de superação e fé trazida pelo personagem e na qual devemos aprender a lutar sempre, ás vezes até mesmo com Deus pois Ele espera de nós essa força de vontade e atitude.

A edição lida é da Editora Objetiva com 280 páginas.


Baal era uma entidade divina venerada na Antiguidade por fenícios e cartagineses e cuja adoração era abominada pela fé judaica. O culto desta entidade é bastante lembrado pelas passagens bíblicas que mencionam como muitos hebreus se desviaram da Crença no Deus de Abraão e pela prática comum na época de sacrificar crianças em sua homenagem. Na imagem Baal com o braço direito levantado. Estatueta de bronze. Fonte: Wikimedia Commons

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