Por Eric Silva para Wendy, que me apresentou o livro
“A ignorância não fica
tão distante da verdade quanto o preconceito”
Denis Diderot
Começo a resenha deste
livro com a frase de um dos grandes pensadores do iluminismo francês porque ela
contém muito da mensagem que Walcy Carrasco quis passar a seus leitores com sua
pequena novela A Corrente da Vida.

Raquel que jamais havia
imaginado que aquilo poderia acontecer com alguém tão próximo se desespera, mas
o amor pelo amigo a impulsiona a criar forças para apoia-lo a enfrentar o maior
desafio de sua vida. Por isso ela busca se informar sobretudo que já se sabia
na época sobre a doença e se torna a principal aliada da família de Nelson no
combate à doença e ao preconceito que existia em relação aos seus portadores.
Na época em que o livro
foi publicado em sua primeira edição (1993, editora Moderna) a AIDS era uma
doença muito mais cercada de tabus do que ela é hoje e com um tratamento muito
menos eficaz e mais caro. Por isso Nelson, com ajuda de Raquel e também de Marcelo,
teve que enfrentar o preconceito na escola por parte daqueles que antes eram
seus amigos, e também das mães destes jovens que por ignorância temiam pela
segurança de seus filhos. A própria Raquel é vítima de preconceito e fofocas por
apoiar o amigo, e também tem que enfrentar o medo e o desconhecimento sua família.
A ignorância e o preconceito porém não são os únicos desafios enfrenados pelos
protagonistas, Nel tem uma doença oportunista gravíssima – doenças que se
aproveitam da debilidade do sistema imunológico do aidético (http://www.aids.gov.br/pagina/infeccoes-oportunistas)
– e não tem condições de trata-la adequadamente. A doença de Nel também será responsável
pela aproximação de Raquel e Marcelo.
Ao longo da narrativa
percebemos como seus personagens, ainda muito jovens, amadurecem com a situação
difícil do amigo. Ela também nos mostra como o ser humano é capaz de importar-se
com seu semelhante e dar-se através do ato da solidariedade despindo-se de todo
sentimento mesquinho e egoísta em nome do sentimento mais nobre e que a milênios
traz esperanças aos corações de milhões: o amor ao próximo. Outros temas como a
pobreza e a solidariedade também encontram espaço na narrativa que se mostra bastante
didática e informativa quanto a AIDS, e por essa mesma razão o livro é amplamente
utilizado pelas escolas como forma de informar os jovens sobre a doença. Eu mesmo,
descobri o livro através de um dos meus alunos que tinha uma atividade escolar
para fazer com ele. Uma iniciativa importante da escola ante ao fato de que a
AIDS é ainda um problema de ordem pública em muitos países e que não tem cura
comprovada, sendo que o aidético fica preso aos medicamentos existentes pelo
resto da vida. Considero informar e conscientizar os jovens, assim como vem
feito a escola de meu aluno, um ato de amor que a escola e seus educadores demonstram
para com os seus alunos, mesmo que os últimos nem sempre vejam desta forma. Seria
talvez um exemplo prático da desgastada frase: quem ama cuida, adaptada para quem
ama ensina. Esse é o valor que tenho levado eu também para minha práxis como professor que se importa com
o bem estar dos jovens com o qual trabalha e instrui. Tudo que posso dar a eles
é instrução, e faço da melhor forma possível e torno a dizer: quem educa sabe o
quão difícil é a missão de ser professor.
Hoje a AIDS é uma doença amplamente conhecida
no Brasil e como dito estudada nas escolas, mas que vem sendo perigosamente banalizada,
contraditória e insanamente por já não mais inspirar em muitos o terror que
outrora inspirava na população mundial. Muitos jovens, e também adultos, têm se
descuidados com a própria saúde. Na África, onde a AIDS já pode ser considerada
uma epidemia, centenas de pessoas morrem todos os anos e outras centenas são
contaminadas todos os anos, não apenas por descuido por parte da população, mas
por falta de acesso à informação, acesso a preservativos, questões étnico-religiosas
e guerras que formam o cenário perfeito para o alastramento da doença. No Brasil,
da década de 80 até o ano de 2012, 656.701 foram notificados, sendo que 38.776
casos somente no ano de 2011 (http://www.aids.gov.br/pagina/aids-no-brasil). No
final do ano passado (2014) foi noticiado no Fantástico - programa de televisão
da Rede Globo – que o Brasil teve um aumento de 50% na incidência de AIDS entre
os jovens brasileiros nos últimos 6 anos (http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/11/casos-de-hiv-entre-jovens-aumentam-mais-de-50-em-6-anos-no-brasil.html),
um dado muito preocupante.
Informar é ainda a melhor
forma de impedir que estes jovens destruam toda uma vida. Voltando a frase de Diderot:
a ignorância quando reconhecida aproxima o sujeito da verdade que, por sua vez,
só será encontrada quando nos despimos do preconceito. O preconceituoso está
mais distante da verdade justamente porque ele é cego ante sua própria ignorância,
ele não a reconhece e jamais se aproxima da verdade. Raquel – apesar de ser
apenas um personagem fictício, mas que poderia ser qualquer um de nós – reconheceu
sua ignorância e estudou com afinco para ajudar o amigo que precisava de sua
apoio moral e assim afastou de si qualquer pensamento ou ação preconceituosa e
foi ainda mais longe ajudou outros a sarar dessa doença que pode ser mais cruel
que a própria AIDS.
Obrigado, Wendy, por me
apresentar o livro que você estava lendo, e parabéns pela iniciativa de sua
escola em continuar abordando o tema.
A edição lida foi de
2012, pela editora Moderna, digital e com 70 Locations (parâmetro para epub) lido através de um tablete de 7”.
Para saber mais sobre a
AIDS consulte o portal do Departamento de DST, AIDS e Hepatites virais (http://www.aids.gov.br/).
Quer conhecer outras
opiniões:
Gostei muito
ResponderExcluirQue bom!
Excluiré bao
ResponderExcluirObrigado pelo comentário.
Excluirlegal
ResponderExcluirObrigado pelo comentário.
ExcluirMuito bom seu comentário e resumo do livro, me ajudou muito!!
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