Mostrando postagens com marcador Literatura Japonesa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura Japonesa. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de julho de 2020

A Espada que dá Vida – Yagyu Munenori – Resenha


Por Eric Silva
11 de abril de 2020

“Se os pensamentos estão dentro, suas tintas serão manifestadas fora”
(Yagyu Munenori)

Nota: todos os termos com números entre colchetes [1] possuem uma nota de rodapé sempre no final da postagem, logo após as mídias, prévias, banners ou postagens relacionadas.

Diga-nos o que achou da resenha nos comentários.

Está sem tempo para ler? Ouça a nossa resenha, basta clicar no play.


Um tratado de esgrima, um texto clássico do zen-budismo e lições de vida, A Espada que dá Vida do espadachim japonês que viveu ativamente as primeiras décadas do xogunato Tokugawa, Yagyu Munenori, é um livro por sua filosofia desafiante, mas, ao mesmo tempo, repleto de valiosas reflexões sobre a mente humana.

Sinopse do livro

Espadachim e mestre de artes maciais fundador do ramo Yagyū Shinkage-ryu de Edo[1], Yagyu Munenori é considerado como o maior rival de Musashi, outro famoso espadachim japonês, ainda que nunca o tenha conhecido pessoalmente. Retentor direto da casa Tokugawa, e instrutor de espadas de três gerações sucessivas de xoguns: Ieyasu, Hidetada e Iemitsu. Contudo, mais do que um instrutor de artes marciais, Yagyu, foi também um importante conselheiro do xogunato Tokugawa e uma figura influente na vida do terceiro xogum, Iemitsu.

Na arte da espada, Yagyu foi um mestre de grande respeito e fama, tendo aperfeiçoado o estilo de espada de seu clã ao introduzir nele uma série de ideias e conceitos do zen-budismo. A Espada que dá Vida (Heihō kadensho – 兵法家伝書)[2] é o tratado de Yagyu através do qual ele passou às gerações seguintes de seu clã toda a filosofia de seu estilo de espada, uma reflexão sobre a Não Espada.

O tema central dessa obra, que ainda hoje é considerada como um texto clássico do zen, é a arte de utilizar a espada mais como instrumento de vida do que de morte, através de um controle sobre o oponente por meio da preparação espiritual para lutar, muito mais do que pela luta propriamente dita. Trata-se de um livro de estratégia que leva o seu leitor a refletir como vencer uma batalha sem necessariamente usar força ostensiva e evitando perda para todas as partes envolvidas. Um livro que extrapola o universo da esgrima, ainda que este seja seu tema central.

Resenha

Detalhe dos suportes (koshirae) para um par de espadas (daishō), período Edo.
Autor: Marie-Lan Nguyen. Wikimedia Commons.
Comecei a ler esse livro por conta de um aluno novo que ao saber da minha opção religiosa me pediu que lesse esse importante texto do kendō (剣道), arte marcial praticada por ele, mas que também é considerado um texto clássico da literatura zen, fortemente influenciado pelo pensamento do monge Takuan Soho, que era amigo próximo de Munenori. Por conta disso, A Espada que dá vida nos apresenta uma série de ideias filosóficas aplicáveis em muitos aspectos da vida cotidiana. Princípios que pode ser utilizado no convívio social, bem como nos negócios. Isso se deve porque a ideia central desse texto não é unicamente ensinar técnicas de manuseio da espada, mas ensinar um estilo de espada que considera que não é a derrotar o oponente a maior vitória que você pode conquistar, mas torná-lo seu parceiro, evitando o conflito.

Escrito no século XVII, A Espada que dá Vida, foi concebido em plena era de domínio do Xogunato Tokugawa, o Período Edo. Nessa época, o Japão vivia um momento político marcado tanto pelo forte isolamento político-econômico do país, como pelo controle rígido exercido pelos xoguns[3], generais que comandava o exército imperial, mas que a partir do século XII, haviam se tornado governantes de facto de todo o país[4].

Durante o período Edo, o Japão foi governado pelos xoguns da família Tokugawa, da qual foram membros Ieyasu, Hidetada e Iemitsu, os três primeiros xoguns da linhagem que governaria as terras nipônicas de 1603 até 1868. Foi durante o governo dos primeiros três xoguns que Yagyu Munenori (1571 – 1646) viveu grande parte de sua vida, e foi ao lado deles que o espadachim fez seu nome na história das artes marciais japonesas.

Yagyu era filho caçula de um espadachim de renome e aristocrata de um vale em Yamato[5], Yagyu Sekishusai Muneyoshi, e herdou deste os segredos de seu estilo de espadas, o Shinkage-ryu. Em certa ocasião, o futuro xogum, Ieyasu, convidou Sekishusai para visitá-lo em sua vila de Takagamine, fora da capital. Ieyasu queria conhecer a famosa técnica de Sekishusai de derrotar um homem armado usando apenas as mãos livres – a técnica da Não Espada.

Sekishusai foi ao encontro de Ieyasu acompanhado de Munenori, na ocasião com 22 anos, e lá explicaram ao xogum os princípios do Shinkage-ryu e o demostraram numa luta entre Sekishusai e Ieyasu.

Impressionado, Ieyasu pediu que o velho mestre se tornasse seu instrutor pessoal. Recusando educadamente, Sekishusai declarou que tinha uma idade já avançada e recomendou seu filho para o posto oferecido. Foi desse modo, que Munenori tornou-se instrutor de três xoguns da casa de Tokugawa, passando a ter também, com o tempo, uma forte influência política dentro do xogunato como conselheiro de Iemitsu, neto de Ieyasu. 

Por volta de 1632, Munenori concluiu o Heihō kadensho (A Espada que dá Vida), livro no qual ensinaria a prática da espada Shinkage-ryu e como seus princípios poderia ser aplicado em um nível macro à vida e também à política[6].

Filosofia, zen-budismo e artes marciais

Monge zen-budista japonês da escola Soto em meditação.
Autor: Marubatsu. Wikimedia Commons.
A Espada que dá vida é um livro difícil de descrever – tanto quanto está sendo complicado resenhá-lo. Essa dificuldade nasce porque ele não é só um livro de artes marciais, é também um livro de estratégia. Contudo além de um livro de estratégia, ele é também uma obra que mergulha na tradição zen, e como tal é repleto de ideias sofisticadas oriunda de uma filosofia cuja compreensão e aplicação podem ser muitas vezes bastante complexo, ainda que tudo pareça ser muito simples. Se não bastasse, além do zen, o livro também tem fortes influências confucionistas[7].

Sou zen-budista, e como tal posso atestar que a simplicidade do zen e de sua prática meditativa, o zazen, são apenas a superfície de um lago profundo no qual repousam conceitos que em certos momentos parecem muito simples de compreender, mas, em outros, parece flertar com o paradoxal porque exige de você enxergar além do aparente (muito além). A Espada que dá Vida é assim também, e lê-lo é um convite a meditar cada ideia antes de prosseguir com a leitura, o que desacelera bastante o ritmo desta leitura.

O zen é uma tradição religiosa associada ao Budismo do ramo mahayana, que foca, sobretudo, na prática, no zazen, ou seja, em sentar-se em meditação (em zen), acalmar a mente, e, nas palavras de Rodrigo Daien, “existir, ser uno com todas as coisas, ouvir os sons sem julgá-los, não fazer cogitações ou viagens para passado ou futuro”[8]. Parece simples, entretanto não é.
Mas como em toda tradição religiosa, há uma filosofia complexa que da base ao Zen: os ensinamentos do Dharma, a lei verdadeira ensinada pelo Buda histórico, Shakyamuni, ou Sidarta Gautama.

Após atingir a iluminação, o próprio Shakyamuni Buda buscava ensinar as quatro nobres verdades sobre o sofrimento de maneiras muito diversas, indo das formas mais simplificadas, às mais complexas, para que independente do grau de conhecimento e instrução de cada um, todos pudessem entender a mensagem do Dharma. Logo, apesar de muito evidentes, muitos ensinamentos de Buda podem ser dificílimos de compreender à primeira vista. Um livro que bebe dessa tradição, inevitavelmente, fará emergir algumas coisas bem complexas.

Mesmo para mim, que tenho uma certa familiaridade com o Zen e com o budismo (dentro do nível mais básico que um recém-convertido pode ter), houve momentos que ler A Espada que dá Vida foi ficar perdido com conceitos abstratos de uma filosofia muito diferente da nossa, mas que fala de nós e do nosso mundo com imensa precisão. Por diversas vezes prossegui na leitura em meio a névoas até alcançar um novo ponto onde as coisas voltassem a ser compreensivas no todo, mas é inegável que as palavras de Munenori, em vários momentos, têm um peso imenso e uma profundidade arrepiante.

O livro original é dividindo em três partes, nas quais Munenori vai mesclando as técnicas do Shinkage-ryu com a filosofia zen e as ideias confucionistas. No entanto, a edição lida também contém um longo prefácio (intitulado aqui como introdução), no qual o editor da tradução inglesa, William Scott Wilson, faz um apanhado geral da trajetória de vida de Munenori e das origens do estilo de espada por ele herdada e aperfeiçoada.

O primeiro capítulo, “A Ponte do Sapato de Presente”, é o menor dos três e apresenta as técnicas fundamentais do estilo, bem como orienta seu treinamento. Além disso, esse capítulo aborda a importância da estratégia criada “ainda dentro dos limites do nosso território”, tendo o inimigo ainda longe, e também de entender nas artes márcias “os limites do território são a nossa mente”. Uma mente que deve ser livre de negligências e observadora dos movimentos e atividades do oponente, buscando falhas e planejando estratégias.

A parte seguinte, “A Espada que Traz Morte”, fala das estratégias e da postura a ser adotada pelo aprendiz do Shinkage-ryu, enfatiza o aspecto técnico mas dá um grande destaque ao aspecto mental, falando sobre o ch’i, a intensão, a ilusão como base das artes marciais, sobre a essência do atacar e do aguardar, assim como a relação entre a mente e os ritmos na luta.

Um ponto muito interessante deste capítulo é quando o livro trata do que Munenori chama de doença nas artes marciais.

Nas palavras de Munenori, pensar apenas em vitória ou em só usar as artes marcais, ou em demonstrar resultados nas mesmas é doença, e nos ensina a usar o pensamento para atingir o não pensar e usar a conexão para desconectar. Confusão, não? Mas trata-se de usar o pensamento para expulsar o mal, expulsar pensamentos usando pensamentos, e que leva ao não pensar. Me farei mais claro.

Imagine uma situação onde você se encontra dominado por pensamentos obsessivos relacionados a algo ou alguém. Uma frustração, uma insatisfação, uma dor. Sua mente está inquieta, dispersa, e você, doente. Mas através de outros pensamentos, de outra coisa que tome sua atenção e ocupe passageiramente sua mente você se libertará, tanto dos pensamentos obsessivos quanto daqueles que os substituíram, e alcançará o não pensar.

Nas artes marciais, quando você está obcecado pela vitória, a derrota pode ser a única realidade que você conhecerá, por isso, o não pensar te traz ao equilíbrio necessário para estar atento ao seu oponente e a sua própria espada e seu próprio corpo. A mente se equilibra, e ela é a senhora de seu corpo. Isso vale para a vida também.

Finalmente, em “A Espada que dá Vida”, é explorada a ideia da “não-espada” citada no começo da resenha e que foi demonstrada ao xogum. Além disso, o capítulo fala sobre como usar a distância na luta com espadas, posicionamentos a serem adotados, da importância de que a mente jamais fique parada numa ação já ocorrida. Além disso, outros conceitos filosóficos zen-budistas são discutidos como o conceito de apego, da existência e da não-existência, do falso vazio e do verdadeiro vazio, do potencial e da função e outras discussões sobre a mente e o corpo.

Enfim, A Espada que dá Vida é um livro que será muito interessante àqueles que praticam artes marciais, porque, mais do que ensinar técnicas de esgrima, a obra ensinará sobre a vida e como vivê-la de forma a evitar conflitos desnecessários. Para os budistas, será uma fonte de mais alguns ensinamentos. Já para os demais, ela também será uma fonte de conhecimento sobre a história de alguns importantes personagens da história do Japão. Ainda assim, pode ser uma leitura difícil e em vários momentos exaustiva. Eu mesmo tive muitas dificuldades de concentração e de prosseguir a leitura toda vez que me deparava com algum pensamento mais complexo. Foram 52 dias de leitura – ressaltando que meu trabalho também influiu no atraso da leitura.

Ademais, acrescento que a tradução é impecável e o texto original de Yagyu é conciso. A introdução achei excessivamente longa. Por fim, a edição tem uma capa muito elegante e foi produzida em papel em tom amarelado.

A edição lida é da Editora Cultrix, do ano de 2013 e possui 184 páginas.




[1]https://institutoguanyu.wordpress.com/2015/06/02/yagyu-munenori/
[2]https://en.wikipedia.org/wiki/A_Hereditary_Book_on_the_Art_of_War
[3]https://pt.wikipedia.org/wiki/Per%C3%ADodo_Edo
[4]https://pt.wikipedia.org/wiki/Xogum
[5]O texto não deixa claro se Yamato seria alguma das muitas cidades japonesas com esse nome ou se faz referência a antiga Província de Yamato, que atualmente corresponde à atual prefeitura de Nara em Honshū.
[6]https://en.wikipedia.org/wiki/Yagy%C5%AB_Munenori
[7]Referente às ideias de Confúcio (孔子551 a.C. – 479 a.C.), pensador e filósofo chinês do Período das Primaveras e Outonos. (Wikipédia)
[8]https://sobrebudismo.com.br/o-zen-e-enganadoramente-simples/

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

A Vida Secreta do Senhor de Musashi e Kuzu – Junichiro Tanizaki – Resenha


Por Eric Silva

Nota: todos os termos com números entre colchetes [1] possuem uma nota de rodapé sempre no final da postagem, logo após as mídias, prévias, banners ou postagens relacionadas.
Diga-nos o que achou da resenha nos comentários.

Está sem tempo para ler? Ouça a nossa resenha, basta clicar no play.


Um samurai com uma perversão sádica e necrófila e um escritor que parte em uma jornada em busca de inspiração, A Vida Secreta do Senhor de Musashi é a reunião de duas novelas que inicialmente chama à atenção por uma temática muito peculiar e provocativa, mas que no final não impressiona.

Confira a resenha do décimo livro da III Campanha Anual de Literatura do Conhecer Tudo que em 2018 homenageia literatura japonesa.

Um livro, dois enredos distintos

Retratando duas épocas distintas da história do Japão, as duas novelas que compõem esse livro possuem tons e temáticas bastante distintos ainda que abordem a cultura de um mesmo país.

A primeira novela, que dá nome ao livro, relata a história de Terukatsu, o filho de um poderoso senhor de terras, que na infância foi conhecido por Hôshimaru e, na idade adulta, chegaria a suceder seu pai como o senhor de Musashi.

A Vida Secreta do Senhor de Musashi começa contando como, ainda na infância, Hôshimaru havia perdido sua inocência e adquirido uma certa inclinação sexual sadista.

Quando ainda era criança seu pai, Terukuni, selou um acordo político de paz com Tsukuma Ikkansai, senhor do castelo de Ojika. Nos termos desse acordo, Terukuni entregou seu filho mais velho e herdeiro, de apenas seis anos, como refém de Ikkansai. Hôshimaru foi então separado de sua família e levado ao castelo de Ojika, onde viveu por dez anos recebendo instrução em literatura e artes marciais para que se tornasse um samurai.

É nesse período que o castelo de Ojika é cercado por tropas inimigas e após semanas de cerco ameaça é tomado pelos inimigos. Por ser ainda menino e incapaz de lutar, Hôshimaru fica isolado com as mulheres e outras crianças no interior do castelo enquanto a guerra não é decidida. Inconformado por não poder participar das lutas, o menino fica curioso acerca das batalhas que acontecia fora dos muros do castelo até que ele encontra a oportunidade de presenciar um dos mais importantes rituais de guerra da cultura japonesa da época: o trato das cabeças decapitadas dos inimigos vencidos em batalha.

Ajudado por uma das mulheres que cuidavam das cabeças recolhidas pelos guerreiros de Ikkansai, Hôshimaru foge até um sótão isolado do castelo e lá assiste a um grupo de mulheres, entre elas uma linda jovem, que lavavam, penteavam e maquiavam as cabeças decapitadas. Maravilhado com aquele ritual e sobretudo com o zelo extremado com o qual a mais jovem das mulheres tratava as cabeças dos samurais, o menino desperta para sua sexualidade e tem o gatilho para o desenvolvimento de um fetiche sexual sádico e necrófilo que o acompanhará pelo restante da vida e que, de modo direto, influirá na sua personalidade, nas suas ações depois de adulto e nas suas decisões enquanto guerreiro e senhor feudal.

Por usa vez, na segunda novela, Kuzu, Junichiro Tanizaki conta a história da jornada de dois amigos à remota povoação que dá nome à história. O narrador de Kuzu é um escritor que busca inspiração para seu novo livro e decide partir em uma viagem à região de Yoshino, em Yamato, onde poderia resgatar informações sobre a vida de uma importante figura da história medieval japonesa: o Imperador Celestial. Com ele viaja um antigo amigo que busca alguns parentes e com eles as origens e a história de sua mãe falecida ainda muito jovem. Juntos eles seguem uma jornada de encontros e reencontros com o passado. A história gira entorno dessa busca dos dois personagens ao passo que se concilia com elementos da história e da cultura secular japonesa.

Resenha

Capa da edição lida. Imagem produzida por Eric Silva, em dezembro de 2018.
À primeira vista A Vida Secreta do Senhor de Musashi e Kuzu podem parecer duas narrativas bastante distintas, apesar de escritos pelas mesmas mãos. Essa sensação é em decorrência das temáticas muito diferentes e discrepantes. Contudo notei várias semelhanças no estilo de suas narrativas. A primeira delas foi a forma documental com o qual se dá a narração.

Em ambas as novelas Tanizaki traz um narrador que é também um investigador do passado. Tanto o narrador observador de A Vida Secreta do Senhor de Musashi quanto o narrador personagem de Kuzu contam suas histórias com um profundo tom jornalístico que enfatiza bastante as peculiaridades culturais e históricas dos momentos históricos por eles pesquisados.

O narrador da primeira novela se apoia em escritos de pessoas próximas do senhor de Musashi para narrar sua história. Ele interpreta os escritos o compara e aí reconstrói o mosaico da vida sexual e particular do protagonista. Enquanto isso, o narrador de Kuzu mescla documentação histórica com história pessoal sua e de seu amigo, mas ainda aí há um profundo tom de resgate e de documentação do passado.

Outro aspecto foi a ênfase grande nos aspectos culturais de cada época. Muitas referências às artes literárias e guerreiras, às fábulas e à cultura são feitas pelo escritor, com maior destaque para Kuzu.

Contudo o conteúdo de A Vida Secreta do Senhor de Musashi é mais inquietante, ainda que não seja um texto apelativo ou demasiadamente pesado. Não é uma abordagem pornográfica e muito menos sensacionalista, mas que ainda assim mexe com muitos tabus. Por sua vez, Kuzu tem uma temática bem mais leve e monótona – na verdade achei todo o livro monótono. 

Por ser profundamente ligado a elementos culturais do Japão, esse segundo conto exige do leitor conhecimentos profundos sobre a literatura, a história japonesa, do seu folclore e de seu teatro tradicional. Confesso que me senti perdido na leitura dessa novela, que além de enfadonha é cheia de citações e referências a coisas que simplesmente desconheço e cuja ausência de notas de rodapé contribuíram para me manter na ignorância. Por isso, não consegui me concentrar na leitura que foi mais maquinal e mecânica do que imaginei que seria ao começar as primeiras páginas.

A escrita de Tanizaki não é atrativa, metafórica ou lírica e poética, ainda que seja firme e fluida. Mesmo Kuzu com a beleza de seus cenários poderia ser um conto belo e poético, mas foi seco e sem beleza.

Objetivamente, nada nos dois contos me chamou muito a atenção. O caráter jornalístico das novelas foi o que mais me desestimulou durante a narrativa com as constantes intromissões e análises do narrador da primeira novela, bem como com a insistência do narrador de Kuzu em fazer milhares de referências e inferências a aspectos da história japonesa e de sua arte.

Quando li Beleza e Tristeza de Yasurai Kawabata me incomodou um pouco as constantes e massivas referências ao mundo das artes e que davam base a trama, mas consegui tolerá-las sem prejuízo da minha compreensão da narrativa. Em grande parte, a escrita limpa de Kawabata e a construção dos personagens e do drama entorno do qual gira a trama tenham contribuído enormemente para manter minha atenção. Contudo, o mesmo não se deu com os escritos de Tanizaki. De certo modo a falta de sabor como o qual a segunda metade da primeira novela se desenvolve foi o gatilho para que eu não tivesse mais paciência para compreender Kuzu de uma forma mais global. Confesso que só os últimos capítulos foram para mim mais significativos e inteligíveis, porém o desfecho dessa segunda novela foi tão fraco e decepcionante que me arrependi do tempo gasto em sua leitura.

Aprendi um pouco mais da história dos samurais e das guerras e conflitos medievais da história japonesa e mesmo o rito das cabeças decapitadas me pareceu interessante. Por isso, e somente por isso valeu a pena ler A Vida Secreta do Senhor de Musashi, mas a história vai se tornando maçante e o texto não possui uma beleza estética que me impressionasse.

Ademais, os personagens, ainda que bem descritos e desenvolvidos, não impressionam nem cativam. Só Hôshimaru intriga por suas ações e inclinações morais, mas ele sozinho não é o suficiente para impedir que a trama se torne chata em grande parte do seu desenvolvimento. Não senti nenhum humor na trama nem um sentimento forte o suficiente para reduzir o forte tom jornalístico da primeira trama. Kuzu ainda suaviza esse seu caráter do meio para o final da trama, mas não salva por completo a peça.

A edição lida é da Editora Companhia das Letras, do ano de 2009 e possui 218 páginas.

Sobre o autor

Junichiro Tanizaki (谷崎 潤一郎) nasceu em 24 de julho de 1886, em Tóquio. É um dos maiores autores da literatura japonesa moderna e o mais popular romancista japonês depois de Natsume Soseki.

Estudou literatura japonesa na Universidade Imperial de Tóquio e com influências de Poe, Baudelaire e Oscar Wilde, começou a escrever desde cedo.  Publicou seu primeiro trabalho em 1909, numa revista literária que ajudou a fundar.

A partir de 1923, deixou-se absorver pela cultura de seu país e abandonou a inclinação ocidentalizante, vivendo nesse momento uma crise intelectual e emocional que contribuiu decisivamente para torná-lo um dos nomes centrais da literatura japonesa do século XX. O centro dos seus interesses é a preservação da língua e da cultura tradicional do Japão.

Em 1949, recebeu o prêmio Imperial de Literatura. Dentre suas principais obras estão Amor insensato (1924), Voragem (1928), Há quem prefira urtigas (1930), A chave (1956) e Diário de um velho louco (Estação Liberdade, 2002).

Morreu em 30 de julho de 1965, um ano após ter sido o primeiro autor japonês eleito membro honorário da American Academy and Institute of Arts and Letters.



sábado, 8 de dezembro de 2018

Tsugumi – Banana Yoshimoto – Resenha


Por Eric Silva

 “Ao fitar o céu alaranjado na iminência do anoitecer, senti uma ligeira vontade de chorar.
Isso porque ocorre-me que o amor é um sentimento ilimitado e inesgotável que podemos doar à vontade, como a água canalizada distribuída pela rede de abastecimento do Japão. ”
(Tsugumi – Banana Yoshimoto).


Está sem tempo para ler? Ouça a nossa resenha, basta clicar no play.


Nostálgico, intimista e poético Tsugumi (つぐみ), livro da japonesa Banana Yoshimoto (よしもと ばなな) fala de umas férias de verão e de dias singelos. Uma obra sobre uma amizade que supera as adversidades de um humor despótico e da saudade que a distância do lugar ao qual pertencemos pode imputar em nossa alma.

Confira a resenha do nono livro da III Campanha Anual de Literatura que em 2018 homenageia a literatura japonesa.

Sinopse

Deixar a terra natal não está sendo algo fácil para Maria Shirakawa que constantemente relembra o cheiro de maresia da raia onde crescera. Recém-instalada em Tóquio para onde se mudou com a mãe, ela rememora as lembranças da vida na pequena cidade litorânea e das primas Yoko e Tsugumi.

Apesar da bela Tsugumi sofrer de uma doença crônica séria, isso não impede que ela tenha uma personalidade forte, despótica e cruel, exigindo de todos a paciência digna de um santo. Mas por mais difícil que seja conviver com Tsugumi ela e a prima se compreendem e se gostam e, por isso, Maria aceita o convite de Tsugumi para voltar à cidade nas férias de verão, última estada juntas.

Publicado originalmente em 1988, Tsugumi é um livro sobre nostalgia e sobre a percepção que as pessoas possuem acerca da eminência da possibilidade do fim que não se concretiza, da possibilidade da morte e da separação. O livro rendeu à autora o prêmio Yamamoto Shūgorō e foi adaptada para o cinema por Jun Ichikawa, em 1990. No Brasil, só foi lançado em 2015, com tradução direta do japonês, pela Editora Estação Liberdade.

Resenha

Enredo

Narrado em primeira pessoa, Tsugumi (つぐみ) conta a história das últimas férias de verão de Maria na pousada de seus tios, ao lado das primas Yoko e Tsugumi. Uma narrativa bem cotidiana com duas protagonistas centrais: a que dá título ao livro e sua narradora.

Maria nasceu em uma pequena cidade pesqueira, na costa oeste de Izu, interior do Japão, onde viveu grande parte da sua vida sempre ligada ao mar e às primas. Durante muitos anos ela viveu com a mãe na edícula da pousada Yamamoto, propriedade de seus tios.

Seu pai durante muito tempo tentou se separar da primeira esposa sem obter sucesso e, por isso, levou anos até conseguir regularizar sua vida com a mãe de Maria e trazê-las para Tóquio para viverem com ele. Enquanto isso, a mãe de Maria ajudava na cozinha da pousada e suportava a situação em silêncio, mas por conta disso e por viver de favor na edícula, sempre se sentiu um parasita, sentimento que ocultava com bom humor e resignação.

Maria, por sua vez, era uma menina feliz e tinha uma vida alegre junto das primas que viviam na pousada. Apesar de se entristecer com a situação dos pais, ela gostava da cidade onde vivia, se sentia ligada ao mar e às suas amizades, mas sobretudo a Tsugumi, a prima mais nova.

Tsugumi desde a infância foi uma criança doente, de saúde muito delicada e possuía uma rotina de febres e internações que preocupavam a pequena família, no entanto, seu temperamento era dos mais difíceis. “Ríspida, boca suja, egoísta, mimada e ardilosa”, Tsugumi não hesitava em dizer o que pensava, ofender e ser desagradável, mas contraditoriamente todos buscavam ter paciência com ela e agiam de forma resignada. Apenas Maria costumava rebater as crueldades da prima e procurava ser dura com ela quando Tsugumi passava dos limites, mas também a compreendia e admirava, e a amizade entre as duas era mutuamente sincera. É narrando sua história simultaneamente a de Tsugumi, que Maria vai nos apresentando a peculiar figura da prima, seu gênio difícil e as pequenas aventuras irresponsáveis que muito prejudicavam a sua saúde. 

Apesar da alegria de finalmente se mudar para Tóquio com a mãe para viverem com o pai, a saudade do mar permanece no coração de Maria. Ela ganha a oportunidade de reviver aqueles dias quando sua prima a convida para passar as férias de verão na pequena cidade litorânea. A pousada seria vendida e a família de Tsugumi se mudaria para outra cidade onde abririam um novo negócio, por isso aquela seria então a despedida de ambas, a última oportunidade de viverem juntas a praia da infância.

Sobre nostalgia: tema e apreciação crítica

Fotografia da edição produzida por Eric Silva em dezembro de 2018.
Tsugumi é um livro moderno que fala do Japão contemporâneo, mas em sua essência incorpora traços da tradição literária japonesa.

Monotonia e contemplação são as principais marcas dos livros japoneses que já li esse ano, e isso não foi um problema para mim. Percebi isso logo com Beleza e Tristeza de Yasurai Kawabata, mas depois livros como A Fórmula Preferida do Professor, de Yoko Ogawa e Histórias da Outra Margem, de Nagai Kafu reforçaram essa impressão. O mesmo se deu com Botchan, de Natsume Soseki, e agora com Tsugumi, de Banana Yoshimoto. Todos são livros sobre o cotidiano em épocas distintas, mas voltados para falar da realidade cotidiana japonesa, hábitos e pequenos problemas. O que fez com que uma leitura fosse agradável e outra não foi exclusivamente o talento de escrita de seu respectivo autor.

Tsugumi tem uma leitura rápida, poética e com um drama sem tons de fato dramáticos – Tsugumi consegue espantar com seu humor excêntrico qualquer nuvem pesada que possa cair sobre a trama –, mas como não consegui me identificar com os personagens a leitura desse livro não conseguiu me causar nenhum arrebatamento ou vontade de tornar a lê-lo.

Banana Yoshimoto escreve bem e tem uma escrita por vezes profunda, lírica e bonita. A passagem que citei logo no começo dessa resenha é uma das mais belas e metafóricas e me inspirou bastante, contudo é a rotina de Maria, a narrativa repleta de repetitivos passeios, noites estreladas, dias de febre alta de Tsugumi e pores do sol que me causou monotonia.

Por ser é uma ficção realista pintado com tons de nostalgia, a realidade é que Tsugumi é verossímil demais, sem que seus personagens pareçam de fato reais. Todos que cercam Tsugumi são para mim calmos, pacientes e resignados demais com as travessuras da menina. Já aprendi que essa natureza serena e resignada dos japoneses é pura estereotipia. Eles são pessoas de carne e osso, e mais parecidos conosco do que se julga. Diferenças culturais são óbvias, mas há muito de ocidental no Japão moderno e, por isso, me custa acreditar que apenas porque Tsugumi era doente todos seriam assim tão pacientes e resignados diante de suas brincadeiras cruéis, de sua falta de noção e de educação.

Não digo que Tsugumi seja um livro ruim. Ele possui uma qualidade literária muito grande e o que mais gostei foi do seu tom poético, mas foram os personagens que não me cativaram. 

Tsugumi é um livro que dá pleno destaque as suas personagens femininas e cujo protagonismo é dividido entre mais de uma personagem. Tsugumi, Maria e Yoko cumprem o papel de uma tríade de protagonistas, no qual, no entanto, Maria e Tsugumi possuem o maior destaque dentro da narrativa.

Das três Tsugumi tem a personalidade mais forte. Ela é descrita com uma beleza estonteante que contrasta com a debilidade de sua saúde, porém, para se sobrepor a fragilidade de seu corpo, ela age de forma espontânea, impulsiva e até agressiva como se a todo momento exigisse de si mesma a energia para viver e isso se manifestasse na forma de traquinagens e atos impulsivos e irresponsáveis. Yoshimoto desenha uma personagem forte e determinada apesar de grosseira, altiva e mal-educada.

Maria e Yoko, por sua vez, possuem temperamentos mais brandos do que a de Tsugumi. Maria é ativa e forte, poética e determinada, mas também é bem mais responsável e sensata do que a prima. Yoko, por ser a mais velha, é madura e responsável, mas também frágil e chorosa. Na tríade ela é a mais apática e passiva, mas se revela uma boa amiga e uma irmã paciente e preocupada.

Esses três personagens foram muito bem construídos por Yoshimoto, mas os demais (os pais de Maria, a mãe de Yoko e Tsugumi, e, por fim, Kyoichi, o rapaz que se encontra na cidade durante o verão) não são muito convincentes. Mesmo Yoko não me convenceu o bastante. Digo isso por culpa de Tsugumi. Os atos da garota são revoltantes e de uma falta de educação e consideração que ultrapassam os limites do bom senso, mas todos a sua volta se mantêm resignados e aceitam-na como se fosse essa a única possibilidade. Foi essa resignação inverossímil que os fazem aceitar Tsugumi como ela é com pouca ou até sem nenhuma reclamação que os tornou, para mim, distantes da realidade. Excetuando Maria, parece que o pai de Tsugumi é a única exceção, o único a se revoltar – mesmo que silenciosamente –, mas ele é inativo na narrativa e quase não é mencionado.

Sou sincero em dizer que não gostei e nem me senti ligado aos personagens de Yoshimoto e, por consequência, também não me senti ligado ao livro.

Sinto que o propósito da escritora com seu livro é falar de nostalgia e recordações, mas também da possibilidade da morte e como cada um de nós reagimos a ela.

A primeira dessas percepções está ligada ao tom da obra e se confirma no epílogo do livro escrito pela autora. Tsugumi possui um tom nostálgico de uma recordação de um tempo perdido e impossível de ser recuperado. É como o resultado de alguém que mudou de vida deixando para trás a anterior, mas que por um curto período de tempo a resgata e se agarra a esta lembrança.

Maria viveu toda a sua vida naquela cidadezinha pesqueira e se sente ligada ao mar e as pessoas que ali vivem, por isso, ao se mudar para Tóquio ela se sente um tanto deslocada e a falta daquele lugar a acompanha. As férias de verão é uma oportunidade de reencontrar o passado recente, bem como de se despedir dele para aceitar um futuro em diferente que será construído em outro lugar.

Porém, é quando se lê o epílogo do livro que o leitor percebe que o significado dessa nostalgia é bem mais profundo. Yoshimoto inspira-se em sua própria experiência pessoal para escrever e compõe o livro com o objetivo de “registrar o estado de ócio” dos verões que ela costuma passar com a sua própria família numa localidade da costa de Izu e que serve de inspiração a sua trama. Ela resolve escrever uma trama que lembrasse aos seus os momentos em que viveram juntos, e que lhes fosse possível recordar a maresia, os passeios na praia, os banhos de mar.

Mas a outra temática é a possibilidade da morte. Tsugumi tem uma saúde frágil e debilitada, por conta disso o tema da morte lhe é rotineiro e uma sombra que paira sobre sua vida. A todo momento temos a perspectiva de que ela não sobreviverá. Porém, Tsugumi tem um posicionamento em relação a vida surpreendente: ela não se abate, não se faz de vítima, usa até o último fôlego de suas energias, não se sente deprimida e nem parece ter medo do fim, ela o aceita, mas, ao mesmo tempo, luta para viver de forma intensa cada um dos momentos mais banais ou sublimes de sua vida. Ela os vive ao seu modo e gosto, mas os vive sem arrependimentos. Trata-se de uma posição muito positiva em relação a vida e um desejo intenso de vivê-la. Esse aspecto é tão notável dentro da trama que me custa entender porque não me senti ligado a personagem.

Em conclusão: narração e escrita

Fotografia da edição produzida por Eric Silva em dezembro de 2018.
A narração se dá em primeira pessoa e é bastante linear, porém Maria usa de lembranças do passado que nos ajudam a compreender melhor sua vida passada e o temperamento de Tsugumi. Esses poucos e breves flashes se tornam, então, essenciais para a construção dos personagens e o entendimento de como vivem suas vidas. Mas os dois aspectos que mais marcar a narração e por consequência a escrita de Yoshimoto é o lado sensorial da história e a poética de sua escrita.

Apaixonada pelo mar Maria conduz uma narração bastante sensorial na qual os sentidos do olfato, do tato e da visão são constantemente invocados. Yoshimoto escreve cenas cheias de elementos naturais e poéticos e faz com que sensações como o cheiro da maresia sobretudo se torne um elemento desencadeador de lembranças e marcante na vida dos personagens. Do outro lado, ela também escreve a monotonia e tardes mornas cheias de poesia e lirismo, e este que é um livro intimista e sem grandes ápices se torne também muito poético, como nessa passagem à onde ele fala de noites estranhas e de sonhos:

"Às vezes a noite usa dessas pequenas artimanhas. O ar atravessa lentamente escuridão e, num local bem longínquo, encontra alguém com o mesmo estado de espírito formando uma estrela cadente que cai em suas mãos fazendo-o despertar. As duas pessoas sonham o mesmo sonho. Isso tudo ocorre durante a noite é uma sensação única. Na manhã seguinte, o que ocorreu se torna ambíguo e se confunde com a luz. Esse tipo de noite é longa. É eterna e brilhante como uma pedra preciosa."

Por fim, acrescento que o texto é fluido e a leitura muito rápida, sobretudo por conta dos capítulos pequenos (em geral 15 páginas) e por conta de uma escrita bem estruturada e com uma tradução impecável e numa linguagem acessível. Elogio ainda a edição que está belíssima e com notas de rodapé que economizam a pesquisa de termos japoneses que aparecem na trama com relativa frequência.

O desfecho surpreende porque nos dá uma possibilidade de esperança, mas não é um grande final. Yoshimoto prefere seguir o mesmo ritmo de toda a trama e fechar seu livro sem nenhuma grande reviravolta, mas com a expectativa de mudanças que estão por vir na vida de seus personagens.

A edição lida é da Editora Estação Liberdade, do ano de 2015 e possui 184 páginas.

Sobre o autor

Nascida em 24 de julho de 1964, em Tóquio, Banana Yoshimoto (よしもと ばなな) é o pseudônimo de Mahoko Yoshimoto.

Filha do filósofo, poeta e crítico literário Takaaki Yoshimoto, Banana é uma escritora contemporânea japonesa. Formou-se pela faculdade de Artes da Universidade Nihon, especializando-se em Literatura. Durante essa época, tomou para si o pseudônimo "Banana", por causa de seu amor por flores de bananeira.

Seu romance de estreia, Kitchen, foi um sucesso instantâneo no Japão e foi adaptado duas vezes para o cinema. Em novembro de 1987, recebeu o sexto Prêmio Kaien de Novos Escritores e o Prêmio Umitsubame de Primeiro Romance, bem como o décimo sexto Prêmio Literário Izumi Kyoka, em janeiro de 1988.

Alguns críticos dizem que muito de seu trabalho é superficial e comercial, mas seus fãs pensam que Banana Yoshimoto consegue capturar perfeitamente o que significa ser jovem e frustrado no Japão moderno. Os dois principais temas de sua obra, segundo a própria autora, são "a exaustão da juventude no Japão contemporâneo" e "a maneira como experiências terríveis modificam a vida de uma pessoa".

Preview do Issuu

Abaixo você pode conferir uma prévia do livro disponível no Issuu.


Booktrailer





Postagens populares

Conhecer Tudo