sábado, 16 de fevereiro de 2013

A Biblioteca do geógrafo - Jon Fasman - Resenha

A Biblioteca do Geógrafo, livro de Jon Fasman, conta a história de um repórter de jornal local que se depara cm um caso que inicialmente parece ser corriqueiro e banal, mas que ao decorrer da investigação se mostra intrigante, misterioso.

A morte do recluso e estranho professor Jaan Pühapäev parecia natural, mas uma ligação anonima dizendo que ele havia morrido indicava que talvez não fosse, ainda mais estranho era o mistério que cercava a vida daquele homem.

Na sede de sua curiosidade e na possibilidade de uma melhoria em sua carreira, Paul Tomm irá mergulhar na vida de Jaan e descobrirá uma trama que vem de muito longe, do Leste Europeu envolvendo mortes, roubos e artes desconhecidas. Em Paralelo à essa trama diversas narrativas de roubos e crimes envolvendo antigos artefatos de alquimia são desenrolados e que dão a trama  grande parte do seu gás.

Uma leitura leve, fluida, que não entrega suas cartas de uma vez, mas a conta-gota ao longo de mais de 400 páginas. Indicadíssimo para quem gosta de conhecer culturas novas e se interessam pela velha (e manjada) disputa entre norte-americanos e soviéticos.


Parece um grande romance, não é mesmo? Minha visão porém não bate muito com ela. se você não liga para Spoiler leia a ficha técnica que preparei com uma crítica  da minha visão do livro. Mas ressalto, minha visão não será necessariamente a sua, caro leitor, o ideal é que se faça uma leitura do livro e quem sabe você não perceba algo em que me passei. Qualquer coisa me conte, será um prazer ler sua crítica. A internet é democrática, espaço de todos.

Link para a Ficha Técnica:

Não sabe o que é Spoiler?
Veja meu glóssario:

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A história da Escrita 2 – A Invenção da Escrita Cuneiforme – as escritas Ideográficas

A historiografia tradicional periodiza a trajetória humana sobre a Terra em duas grandes épocas: a pré-história e a História tendo como marco uma grande revolução cultural e social humana: a invenção da escrita, ou seja, do registro escrito da comunicação. A pré-história ficaria como sendo todo o período em que o homem desconheceu essa modalidade de comunicação. Porém esse termo, pré-história, é muito discutido e criticado pela historiografia moderna. Por qual razão? Tentemos explicar:


      1º.    O termo é preconceituoso, numa clara alusão á inferiorização dos povos ágrafos. A nossa História possui uma visão bastante eurocêntrica, a própria Ciência Histórica surge na Europa (Grécia Antiga) num período em que a escrita já era bastante difundida e já existiam dela algumas variedades, e desde aquela época os historiadores como Heródoto usam das inscrições, documentos deixados pelos povos para fazer suas pesquisas históricas. Assim documentos escritos se tornaram as principais fontes históricas para a pesquisa, negligenciando-se muitas outras fontes igualmente importantes. A Ciência Histórica “procura entender como os seres humanos viveram e se organizaram desde o passado mias remoto até os dias de hoje” (COTRIN, 207, p. 12), porém durante muito tempo os povos ágrafos foram considerados inferiores, menos desenvolvidos, o próprio nome Pré-história é pejorativo por considerar os povos de sua época como homens não históricos. O termo tem sido então primeiramente criticado “pois o ser humano, desde seu aparecimento no planeta é um ser histórico, mesmo que não tenha utilizado a escrita, em algum período” (idem, ibdem, p. 15).

      2º.    “As sociedades humanas não obedeceram a um padrão geral nas suas evoluções históricas” (PEDRO, LIMA, CARVALHO, 2005, p. 15). Ao contrário do que o ensino fragmentado e tradicional nos faz pensar, nada na história do mundo ocorre ao mesmo tempo, em todos os lugares e da mesma forma. Cada lugar, época e povo possuem suas singularidades e ali os fatos históricos se deram e se dão em contextos, momentos e de modos também singulares. É errôneo pensar que em todas as partes do mundo os homens se desenvolveram, descobriram o fogo, a agricultura, os metais da mesma forma, nas mesmas circunstâncias, ao mesmo tempo e os utilizavam da mesma forma, pelo contrário houveram povos que nem fizeram essas descobertas. Culturas diferentes, povos diferentes, contextos históricos igualmente diferentes.

Mas voltando a escrita...
A descoberta da escrita modifica a história de ALGUNS povos. O uso da escrita pictográfica é passa a dar lugar a uma variação mais complexa: a escrita Ideográfica. Segundo Ricardo Sérgio (2007)

Consiste num sistema de escrita que se manifesta através de "ideogramas": símbolo gráfico ou desenho (signos pictóricos) formando caracteres separados e representando objetos, ideias ou palavras completas, associados aos sons com que tais objetos ou ideias são nomeados no respectivo idioma. (SÉRGIO, 2007)

A escrita ideográfica utiliza-se de desenhos como signos, ideogramas, que indicam cada um uma ideia que se quer expressar, assim se você que dizer: O sol nasce depois do vale, haverá um signo (desenho) ou conjunto deles para sol nascente, outro para “depois” e um outro para vale. Em chinês tradicional essa frase seria escrito dessa forma (GOOGLE TRADUTOR, 2013):





 太陽升起後,從山谷



Onde 太陽升起 significa o Sol nasce. significa depois, e finalmente 從山谷 significa do vale.
O nome vale sozinho significaria . Observe que se trata de um signo, símbolo, desenho que um dia deve ter sido semelhante ao desenho de um vale, forma geográfica muito comum no Japão e na China.
A primeira escrita ideográfica conhecida, porém foi a Cuneiforme surgida na Mesopotâmia e criada pelo povo Sumério. O cuneiforme é um tipo de escrita gravada em blocos de argila frescos através de um instrumento em forma de cunha e que depois eram cozidos para endurecer. Ela surgiu a primeira vez em um sitio arqueológico de uma antiga cidade mesopotâmica chamada Uruk. Ali os arqueólogos encontraram uma pequena tabua contendo inscrições de pequenos desenhos, signos que transmitiam uma mensagem. Logo se descobriu outras tabuas com inscrições semelhantes por todo o Iraque, pais onde se situa a antiga Mesopotâmia.
           

Figura 1- escrita cuneiforme em tabuleta de barro

O Cuneiforme era uma forma ideográfica de escrita onde os sumérios criaram uma serie de símbolos que se assemelhavam aos objetos que queriam representar, assim o desenho de um sol representaria o próprio astro representado. Com o passar do tempo e com o uso, os símbolos foram sofrendo modificações e se tornando cada vez mais abstratos e simplificados. Como a os sumérios utilizavam a escrita principalmente para transações comerciais as modificações podem sugerir a necessidade de que a escrita torna-se mais rápida e prática. A figura a baixo mostra a evolução de dois ideogramas cuneiformes ao longo do tempo.


Figura 2 - da escrita pictográfica à cuneiforme - evolução da escrita

Mas além de modificações na forma como era representada a ideia, começou a surgir uma forma silábica da escrita onde símbolos eram agrupados para formar nomes próprios devido ao som semelhantes a estes nomes. Assim dois ou mais símbolos que tinham na pronúncia som semelhante ao nome de alguém poderiam ser agrupados para representar a própria pessoa.
Outra modificação surgiu na forma como eram feitas as gravações no barro.

Os primeiros ideogramas eram gravados em tabuletas de argila, em sequências verticais de escrita com um estilete feito de cana que gravava traços verticais, horizontais e oblíquos. Até então duas novidades tornaram o processo mais rápido e fácil: as pessoas começaram a escrever em sequências horizontais (rotacionando os ideogramas no processo), e um novo estilete em cunha inclinada passou a ser usado para empurrar o barro, enquanto produzia sinais em forma de cunha. Ajustando a posição relativa da tabuleta ao estilete, o escritor poderia usar uma única ferramenta para fazer uma grande variedade de signos. (WIKIPÉDIA, 2013)

A pesa de ser uma criação suméria a escrita cuneiforme foi também utilizada pelos povos “acadianos, babilônicos, elamitas, hititas e assírios e adaptada para escrever em seus próprios idiomas” (idem, 2013).
Além das escritas Cuneiforme e Chinesa outras escritas surgiram e que também apresentam a característica de serem ideográficas, entre eles os hieróglifos egípcios e as escritas maia e asteca. Confira o quadro informativo baseado em dados da enciclopédia italiana Conhecer.

Povo
Escrita
Maias
Figura 3 - Escrita Maia
“Quando os espanhóis aportaram na península de Yucatán, descobriram entre os maias inscrições que não entenderam. (...) Seus sinais gráficos tendiam para um completo e perfeito sistema alfabético ou silábico. Sua escrita era ideográfica (parecida com a dos egípcios):os sinais reproduziam idéias completas, não apenas sons ou sílabas. Contudo, junto aos ideogramas já começavam a surgir os “determinativos” (incluídos no próprio ideograma)”. (ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1972).

Astecas

Figura 4 - escrita asteca
Possuíam “uma escrita parcialmente fonética, embora predominantemente ideográfica. Os astecas escreviam sobre peles de cervo ou numa espécie de papel fabricado com fibras d agave; (...) Com a vinda dos invasores espanhóis, porém, foi destruída a maior parte desse precioso acervo”.
“Os documentos são difíceis de interpretar. Geralmente contem desenhos de características próprias e inconfundíveis, legendas e comentários escritos pelo sistema ideográfico, ideogramas que podem ser lidos foneticamente. Além disso, as cores representam papel de grande importância: um desenho reproduzindo um líquido escorrendo, em vermelho, indica sangue, e em azul, indica água. Para a representação dos nomes próprios, usavam o sistema fonético. O exame detalhado dos documentos recolhidos (os quais são conhecidos por “códices”) revela as impressões de um sistema que ensaiava os passos intermediários na direção de uma escrita perfeita. A invasão espanhola frustrou a tentativa dos ameríndios nesse sentido.” (ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1972).
Chineses

Figura 5 - escrita chinesa
“enquanto nas línguas ocidentais o alfabeto é formado por letras, com as quais se compõe palavras, o chinês possui sinais gráficos chamados ideogramas. Ou seja, cada sinal exprime uma ideia ou até uma frase inteira. Existem aproximadamente 60 mil ideograma comuns que podem ser combinados de milhões de maneiras”. (ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1972).
Egípcios

Figura 6 - Hieróglifos egípcios
“os sinais inspiravam-se na flora e na fauna do país, bem como em instrumentos de trabalho. A princípio essa escrita não passava de motivos gráficos desenhados artisticamente, reproduzindo o real. Com o tempo, porém, o mesmo desenho adquiriu outros sentidos: simbólico (designando abstrações: ações efetuadas pelo objeto ou ideias que evocava); fonético (representando palavras de que o mesmo som participasse); silábico (usando-se objetos expressos por palavras de uma sílaba para formar as polissilábicas); e, por fim, e muito mais tarde – alfabético (vinte e quatro sinais passando a representar letras)”.
(...)
“Os Hieróglifos (do grego, hieros = sagrado, e glyphein ou graphein = escrita) somente forma decifrados nos começos do século XIX.”
(...)
“Os hieróglifos escreviam-se vertical e horizontalmente; neste último caso, se os animais desenhados olhassem à esquerda, a leitura deveria ser da direita para a esquerda e vice-versa. As palavras não eram separadas; mas ao final de cada uma agregava-se um sinal determinativo – como síntese do termo”.


                        Quer saber mais sobre escritas de povos diferentes? Consulte o site da FIOCRUZ.


Figura 7 - hieróglifos do templo de Karnac



Referências

CALENDÁRIOS dos mais e astecas. In: Enciclopédia Conhecer. Vol. II, pg. 314. Editora Abril Cultural. São Paulo (1972).

CHINESES: 4 milênios de civilização. In: Enciclopédia Conhecer. Vol. II, pg. 603. Editora Abril Cultural. São Paulo (1972).

COTRIM, Gilberto. História Global – Brasil e Geral. 8ª ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 608.

DECIFRANDO Hieróglifos. In: Enciclopédia Conhecer. Vol. III, pg. 542-3. Editora Abril Cultural. São Paulo (1972).

ESCRITA cuneiforme. Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Escrita_cuneiforme. Acesso em: 15 fev. 2013.

GOOGLE tradutor. Disponível em: http://translate.google.com.br/. Acesso em: 15 fev. 2013.

PEDRO, Antonio; LIMA, Lizânia de Souza; CARVALHO, Yone de. História da civilização ocidental. 2ª ed. São Paulo: FTD, 2005.  P. 559.

SÉRGIO, Ricardo. Os Sistemas de Escritas. Disponível em:http://www.recantodasletras.com.br/gramatica/370335. Acesso em: 11 fev. 2013.

Imagens


Escrita Chinesa. Disponível em: http://www.invivo.fiocruz.br/media/chines.jpg. Acesso em: 15 fev. 2013.

Escrita cuneiforme em tabuleta de barro. Disponível em: http:/4.bp.blogspot.com/-RNI1BMk3Lmw/TnDcSJnFLyI/AAAAAAAABrI/7CYAsgFVLM0/s1600/3.jpg. Acesso em: 15 fev. 2013.

Da escrita pictográfica à cuneiforme - evolução da escrita. Disponível em: http:/4.bp.blogspot.com/-RNI1BMk3Lmw/TnDcSJnFLyI/AAAAAAAABrI/7CYAsgFVLM0/s1600/3.jpg . Acesso em: 15 fev. 2013.

Escrita asteca. Disponível em: http:/www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=915&sid=7. Acesso em: 15 fev. 2013.

Hieróglifos egípcios. Disponível em: http:/www.mariomarcia.com/FotosViagens/Africa/Egipto/InfoEgypt/Imagens/EgyptHieroglifosEdfu2.jpg. Acesso em: 15 fev. 2013.

Hieróglifos do templo de Karnac. Disponível em: http:/4.bp.blogspot.com/_wf2ZhV4rG-Q/TEtHUt4AzRI/AAAAAAAAAQE/rm9qv9pvpsA/s1600/templo+de+karnac+hier%C3%B3glifos.jpg;. Acesso em: 15 fev. 2013.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A História da Escrita 1 - A humanidade ágrafa e a escrita pictográfica


A escrita é de longe a mais importante criação humana. A razão? Transmissão de conhecimento por épocas indeterminadas. É certo que muitos conhecimentos, invenções e histórias de povos ágrafos são conhecidos pela humanidade pelo trabalho incansável de arqueólogos, paleontólogos e historiadores. Mas é também fato irrefutável que aqueles povos que conseguiram desenvolver alguma grafia deixaram documentado um maior número de informações acerca de seus costumes, de suas grandes realizações, de suas ciências e religiões, de suas tradições. Teríamos um conhecimento muito superior a cerca do homem pré-histórico se este tivesse desenvolvido alguma forma organizada de comunicação escrita, ainda assim os seus desenhos em cavernas nos permitiu um grande número de descobertas. Esta aí a primeira função da escrita: registrar até as mais longínquas gerações o conhecimento. Mas aliado e intrínseco a essa função está expressar as ideias do escritor ao maior número possível de pessoas possível, como ocorre agora.

Mas podemos dizer que os homens pré-históricos não tiveram uma escrita? Bem, sim e não. Para responder essa questão, primeiro temos que saber o que significa escrita.

Segundo o dicionário eletrônico Houaiss escrita é a representação da linguagem falada por meio de signos gráficos ou o conjunto de signos num sistema de escrita. Por sua vez o minidicionário Livre da Língua Portuguesa de Manoel Mourivaldo Santiago-Almeida considera como sendo escrita a representação de palavras ou ideias por meio de signos gráficos. Dessas definições compreende-se que o homem pré-histórico fez sim uma escrita por procurar modos de representar suas ideias, ou melhor, seu cotidiano, mas não o fez como conhecemos, pois ele não o fazia representando a fala, o som das palavras nem num conjunto amplo de signos, símbolos, desenhos que chegasse a representar ideias abstratas num sistema organizado.

A escrita pré-histórica recebe o nome de pictográfica. Segundo Ricardo Sérgio (2010) as formas de escrita pré-histórica
Eram totalmente independentes da fala. A manifestação mais elaborada desses processos comunicativos foi a "pictografia", ou melhor, a "escrita pictográfica". Consiste em transmitir uma ideia, um conceito ou um objeto através de um desenho (símbolo) figurativo e estilizado.

            Assim os homens das cavernas, na necessidade fundamental de se comunicar, representavam através dos desenhos nas paredes das cavernas fatos cotidianos ou “registrar para a posterioridade os fatos mais significativos de sua vida – os perigos que passavam e as suas façanhas de caça” (CONHECER DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO, 1969). Uma escrita rudimentar essencialmente figurativa, onde os desenhos não representavam sons, nem ideias abstratas, mas puramente o objeto figurado no desenho, os “caracteres eram as próprias imagens do homem e dos animais comuns na época: bisões, ursos, veados lobos, javalis, etc” (idem, ibdem). Essas representações, enfim, relatavam de forma bem simplificadas histórias do dia-a-dia que poderia ser “lidas” por outros membros do grupo, do bando.
Imagem de Caçada

Escrita pictográfica

Criação de Gado no Período Pré-histórico

Referências

A História da Escrita. Disponível em: http://webeduc.mec.gov.br/midiaseducacao/material/impresso/imp_basico/e1_assuntos_a1.html. Acesso em: 11 fev. 2013.

DO Desenho à Escrita. In: Conhecer Dicionário Enciclopédico. Vol. I. São Paulo: Abril Cultural, 1969. p. 255.

INSTITUTO ANTONIO HOUAISS. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001.

SANTIAGO-ALMEIDA, Manoel Mourivaldo. Livre da Língua Portuguesa. São Paulo: Hedra, 2011. 720 pp.

SÉRGIO, Ricardo. Os Sistemas de Escritas. Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/gramatica/370335. Acesso em: 11 fev. 2013.

Imagens

Criação de Gado no Período Pré-histórico. Disponível em: http://meninasemarte.files.wordpress.com/2012/02/tassili-najjer-sahara-argelino.jpg Acesso em: 11 fev. 2013.

Escrita pictográfica. Disponível em: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi5F1lPXZDCjNnDcs48Qm8mIUYX0aqkFIQE2rFQsZcNFtvZsNbfPWriCTdpF89szLof9ClMW8X50zvYVrh5JzYvx39F2sLwaAIST_iyouZqWfCHjOgFmSBsdSsiGY-u1G6jJFSTOXyODRjr/s400/tassili_2.jpg Acesso em: 11 fev. 2013.

Imagem de Caçada. Disponível em: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjZ2d9XZaDpJpiY4G-nXeUhyphenhyphenrdD0351UOVqRAz0JORDoF50kZYUVGHKIfGdatT3o_4Q_vcIGaBMXIKei-t_BUNDbyL-tT21HteLhGasMY-xbK9vtUwALhLVoRtbt2BeFZrIzI26EKeVieY/s1600/pintura%252520rupestre.jpg Acesso em: 11 fev. 2013.

Autor:
Eric Silva




sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Um Gato entre os Pombos - Agatha Christie - Resenha

Esse livro irá desafiar seu senso investigativo.
Por Eric Silva

Em Um Gato entre os Pombos, Agatha Christie, a Rainha do Crime, nos faz embarcar numa narrativa que se inicia em Ramat, no longínquo Oriente Médio e vai desencadear em misteriosos assassinatos em um respeitado colégio para moças na Inglaterra, o Meadowbank. Numa teia de acontecimentos que deixam o leitor completamente sem saber ou ter noção dentre os vários personagens quem pode ser o(s) assassino(s).

Em Ramat uma revolução está preste o estourar contra o príncipe Ali Yusuf e tira-lo do poder devida sua posição de criar um Programa de Bem Estar Social. Ali pressentindo a manobra política pede ao seu amigo inglês Bob Rawlinson para que ele tirasse do país algumas pedras preciosas que guardava consigo para uma emergência, e também arquitetam uma forma de saírem do país. Sem saber o que fazer para tirar as joias do país, Bob tem a ideia de escondê-las entre as coisas da irmã que passava uma temporada em Ramat com a filha Jennifer. Encontra entre os objetos pessoais das duas o esconderijo perfeito para tirar despercebidamente as joias do Oriente Médio, o que ele não contava que graças a um jogo de reflexos de espelhos alguém via todos os seus movimentos dentro do quarto da irmã. A misteriosa pessoa ainda tenta roubar as joias assim que Bob sai, mas é surpreendida pela volta da irmã do rapaz e tem que fugir antes que fosse descoberta. Joan, irmã de Bob e Jennifer são obrigadas a deixar o país às pressas com a explosão da revolução e as joias saem de Ramat assim como planejava Bob. Porém Bob e Ali não possuem a mesma sorte. A partir dali muitas pessoas suspeitam da saída das joias do país e de que estejam com Joan e Jeniffer, surgindo grupos interessados em possui-las: o misterioso Sr. Robinson, a pessoa dos espelhos e os revolucionários.    

Assim numa trama bem construída esses fatos tão singulares se ligam ao Colégio Meadowbank, onde no Pavilhão de esportes acontecem estranhos e desconexos assassinatos de professoras. Como esses fatos se ligam? Só lendo para descobrir.

A autora
Agatha mostra mais uma vez porque é chamada da Rainha do Crime e de uma das melhores escritoras policiais que já se ouviu falar. Com maestria liga duas circunstâncias aparentemente desconexas revelando ao leitor que toda trama gira em torno do desaparecimento das joias, mas escondendo e despistando até o fim quem é o assassino e a quem ele está ligado. Lançando nossa atenção para pistas erradas e fatos estranhos que não são diretamente ligados ao assassino, Agatha nos faz imaginas os mais variados desfechos e, no fim, nos surpreende com um final inesperado com uma trama complexa, bem armada e lógica que liga o assassino revelado à Ramat, à Meadowbank, às joias e a seu disfarce (um gato entre os pombos). Trama brilhantemente descoberta pelo detetive Hercules Poirot.

Para quem quiser conferir existe o fim de mesmo nome com áudio em Inglês e legenda em português dirigido por James Kent e com 92 minutos de duração. Porém o roteiro do filme possui alterações em relação ao livro como:

1. São retirados da trama pelo menos cinco personagens: Joan, Sr. Robinson, Coronel Pikeaway, Srta. Vansittart e O jardineiro Briggs, entre outros mais secundários;

2. É removida a cena da mulher loira que conversa com Jennifer no colégio; 

3. Muda-se como se dá a primeira morte que originariamente seria à bala;

4. É substituída uma morte por uma tentativa de morte e troca-se as vitimas; 

5. Poirot participa da narrativa como hospede em Meadowbank, quando na verdade ele só vai até lá no meio da narrativa quando a aluna Júlia vai procura-lo.

Algumas dessas alterações foram necessárias para não dar pistas ao espectador e acabar com o mistério, mas muitas delas foram desnecessárias. Ainda assim vale apena ver depois de ter lido o livro.

Se quiser saber mais sobre a autora confira nosso especial sobre Agatha Christie que reúne a biografia da escritora e uma galeria de fotos de toda sua vida.

Abaixo você pode conferir uma prévia do livro disponível no Google Books.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Zezinho, o dono da porquinha preta

Estou abrindo espaço para os resumos de meus alunos, acerca dos livros que eles estão lendo. Como muito ainda estão aprendendo a técnica do resumo alguns textos podem apresentar imperfeições. O resumo abaixo é de meu aluno Mateus, que está cursando o 6º ano sobre o infanto-juvenil de Jair Vitória, Zezinho, o dono da porquinha preta.


"Quando Zezinho estava jogando bola recebeu a noticia desagradável que a porquinha ia ser morta pelo pai.  Zezinho corre para casa já gritando pela porquinha o pai dele havia falado que era para ele tirar a porquinha de dentro de casa, pensava em fazer um chiqueiro para maninha, mas o pai dele queria vender a porquinha de qualquer jeito pro seu Martinho. Zezinho falou com a mãe para convencer o pai, mas ele gostava de contrariar ela, mostrando que não aceita opinião de ninguém. Zezinho ia conversar com o seu Martinho, para não comprar a porquinha, mas não o encontrou. Como o chiqueiro ou imitação de chiqueiro já estava pronto resolveu levar a porquinha e esconde-la, mas na mesma noite a porquinha corre o risco de morrer afogada e ele sem poder fazer nada fica em casa aflito. No dia seguinte foge da escola e encontra a porquinha. Ao longo da história se envolve em muitas outras confusões a ultima foi fugir com a porquinha de barco nesse período teve uma enchente e o pai preocupado vai procura-lo. Quando o achou lhe deu um abraço de afeto e carinho e decide não vender mais a porquinha". 

Mateus


Capa do Livro Zezinho, o dono da porquinha preta, de  Jair Vitória

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Adeus, Mr. Chips - James Hilton - Resenha

Adeus, Mr. Chips é uma novela escrita por James Hilton e foi o livro que lhe rendeu fama mundial. Nesta novela James nos conta a história de um professor de línguas latinas, chamado Mr. Chipping, mais conhecido pela forma um pouco menos formal de Mr. Chips. A história se desenrola entre o período de 1870 e aproximadamente 1932, na ainda tradicional Inglaterra. Mas na verdade a história inicia-se já no presente do personagem em seus últimos tempos de vida, só depois é retoma toda a trajetória do personagem ao longo do tempo desde o seu ingresso como professor na escola Brookfield, fundada ainda no século XVIII.

Nessa novela Hilton mostra com incrível simplicidade a evolução do seu personagem e todas as atribulações que cercaram sua vida, os fatos e atitudes que lhe tornara ícone e figura notável dentro da instituição. Pouco pouco a figura do homem e a de professor respeitável se confundem como partes coesas de um mesmo todo.

Mr. Chips é o exemplo esplendido de que ninguém nasce pronto, mas de que se faz através da convivência com as pessoas, com os acontecimentos que o abalam, mas ao mesmo tempo norteiam a vida, e de que através da contribuição de ambas o caráter e a personalidade são construídas. Para ver isso basta perceber como Chips passa de um homem severo e fortemente conservador a alguém bem humorado ainda que bastante conservador. Uma figura antes de tudo amante de sua profissão, séria e extremamente humana, mas ao mesmo tempo espantosa como a aula que fez questão de não interromper apesar de um bombardeio que ocorria ali mesmo do lado de fora da escola em plena Guerra Mundial. Confira esse trecho:


“E uma vez, certa noite de lua cheia, as sirenas de alarme soaram anunciando um ataque aéreo, quando Chips estava dando sua quarta-classe de latim. Ouviram-se quase instantaneamente os primeiros tiros de canhões e, fora, começaram a cair aqui e ali muitas granadas. Chips teve a impressão de que eles podiam ficar exatamente onde se encontravam, no rés do chão do internato. Edifício de construção sólida, era dos melhores abrigos que Brookfield podia oferecer; e, quanto ao caso de uma granada acertar-lhes em cheio, em tal conjuntura não podiam esperar salvação, estivessem onde estivessem.
Desse modo, continuou Chips com o seu latim, erguendo mais a voz no meio das detonações retumbantes dos canhões e do uivo agudo das granadas anti-aéreas. Alguns dos rapazes estavam nervosos; poucos conseguiam prestar atenção.Chips falou com brandura:
— Pode parecer-lhe, Robertson, neste particular momento da história do mundo — am — que os assuntos de César nas Gálias uns dois mil anos passados — am — sejam de importância um tanto secundária e que — am — a conjugação irregular do verbo tollo seja — am — menos importante ainda.Mas, creia-me, — am — o caso não é realmente esse.
Nesse instante sobreveio uma explosão particularmente forte e muito perto.
— Vocês não podem — prosseguiu Chips — julgar da importância — am — das coisas pelo barulho que elas fazem.Oh, não, valha-nos Deus. — Uma risadinha abafada. — E essas coisas — am — que tiveram importância durante milhares de anos... não vão desaparecer... só... porque algum ProfessorZorrilho... no seu laboratório inventa uma nova espécie de calamidade.
Risinhos reprimidos e nervosos; porque Burrow, o pálido, chupado e fisicamente incapaz professor de química, tinha o apelido de Professor Zorrilho. Outra explosão — ainda mais perto.
— Vamos — am — retomar o trabalho. Se o destino quiser que sejamos em breve — am interrompidos, que nos encontrem pois empenhados em alguma coisa — am — realmente apropriada. Algum de vocês quer analisar?
Maynard, o rechonchudo, intrépido, inteligente e descarado Maynard respondeu:
— Eu, professor.
— Muito bem. Procure a página quarenta e comece na última linha.
As explosões ainda continuavam, ensurdecedoras; o edifício inteiro tremia, como se fosse saltar dos alicerces.Maynard achou a página, que ficava um pouco para a frente, e começou com sua voz estrídula:
— Genus hoc erat pugnae — esta era a espécie de luta— quo se Germani exercuerant — na qual os alemães se empenhavam. Oh, professor, esta é boa, é mesmo muito engraçada, professor, uma das suas melhores pilhérias...
As risadas começaram, e Chips acrescentou:
— Bom — am — vocês podem ver... agora... que essas línguas mortas — am —podem ressuscitar de novo... às vezes... hein? Hein?
Ficaram sabendo depois que haviam caído cinco bombas nos arredores de Brookfield, sendo que a mais próxima delas pouco para fora dos grounds da Escola. Tinham matado nove pessoas.
A história foi contada, recontada e embelecida.




A edição lida está na mesma edição e volume da Seleções do Reader's Digest em que a edição lida de Matrizes de Bravos, da autora Anya Seton se encontra.
42 páginas.
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Matriz de Bravos - Anya Seton - Resenha

Capa da edição americana
Matriz de Bravos conta a história de Elizabeth que primeiro foi Fones, depois Winthrop, mais tarde Feake e por fim Hallet, e uma das responsáveis pela construção do novo mundo nos EUA. Elizabeth era dona de uma rebeldia inquietante de quem quer pensar e agir por si mesma, corajosa e determinada. Também chamada pelo nome de Bess, tem contada sua vida desde pequena no Solar Groton onde fora sovada pelo rigoroso tio John Winthrop por pensar e agir diferente daquilo que os puritanos como ele pensavam ser o correto até sua dura e perseguida vida na colônia onde por muitas vezes viu sua vida e da sua família por um fio. É narrada também seus amores arrebatadores que lhe conduziu por caminhos difíceis e perigosos onde teve que enfrentar os desafios e as mais penosas provações muitas vezes vacilante sobre o que pensar de Deus e da religião que algumas vezes se demonstravam perversos não só com ela, mas com muitos outros inocentes.
            O romance lindamente traduzido por nossa inesquecível Clarice Lispector é um convite àqueles que gostam de História. A história conta o período das perseguições religiosas na Inglaterra de Carlos I e da vida dos colonos das colônias do norte daquilo que mais tarde viria a ser os Estados Unidos.  Nas paginas do romance de 290 paginas Anya Seton descreve com riqueza de detalhes uma realidade marcada pelas dificuldades de sobrevivência nas terras hostis da nação que nascia; o fanatismo muitas vezes impiedoso dos lideres puritanos da época além das superstições acerca de bruxaria que reavivavam a histeria vivida na inquisição; o extermínio dos índios, verdadeiros donos da terra e que a perdiam através do escambo ou da destruição de suas tribos trucidadas pelas tropas das colônias inglesas e holandesas; e a selvageria de alguns dos homens colonos que se brutalizavam diante do sofrimento na terra hostil ou da ganancia exacerbada por ela. 
            Matriz de Bravos é uma tradução do Original em inglês The Winthrop Woman de 1958, da autora Anya Seton e editado originalmente pela Houghton Co. em Boston, Massachusetts, EUA. A edição lida por mim é antiga, da Seleções do Reader's Digest do ano de 1963, difícil de encontrar. Desconheço outra edição e não encontrei versão em pdf  em português. Mas para quem encontrar eu desejo uma boa leitura porque esse banho de história, romance e filosofia religiosa faz qualquer um despertar o mesmo desejo por liberdade que tanto ansiava Elizabeth.

Eric Silva

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Monte Cinco


“Todo homem tem direito de duvidar de sua tarefa, e de abandona-la de vez em quando; a única coisa que não pode fazer é esquece-la. Quem não duvida de si mesmo, é indigno - porque confia cegamente na sua capacidade, e peca por orgulho. Bendito seja todo aquele que passa por momentos de indecisão”. (Paulo Coelho, O Monte Cinco)
Capa da edição lida. Fonte: Reprodução.

O pequeno enxerto acima é a fala do Anjo do Senhor para Elias quando este, subindo o Monte Cinco para encontrar a morte pelo fogo sagrado, duvida da missão confiada a ele por Deus. A imensa carga filosófica deste pensamento, contudo, é sem dúvida a marca registrada da escrita de Paulo Coelho, um dos escritores brasileiros mais bem conceituados no exterior. Em Monte Cinco, Paulo Coelho conta de uma forma diferente a história de um dos grandes personagens do Antigo Testamento, o profeta Elias. 

Elias era um dos profetas de Deus que teve que fugir da cólera da princesa Jezabel que ordenara que fossem mortos todos os profetas de Jerusalém e imposto o culto ao deus pagão Baal. Por desígnio de Deus, Elias impôs uma longa seca que assolaria por anos a região de Jesuralém e perseguido por Jezabel é orientado por Deus para que fugisse para a torrente de Querite onde seria alimentado por corvos que lhe trariam comida. Depois dali, o Senhor o envia para a cidade de Sarepta onde seria acolhido por uma viúva e é nessa estadia na cidade de Sarepta, na história chamada de Akbar, que a história se transforma.

Elias no deserto, de Washington Allston. Fonte: Wikimedia Commons

O livro no seu princípio segue com alguma fidelidade o que está escrito na bíblia e traz também passagens desta, mas é no momento em que Deus pede a Elias que vá a Sarepta que tudo muda. Na bíblia não há grandes relatos sobre o tempo em que Elias viveu ali, além do fato da morte do menino da viúva que Elias pede que Deus ressuscite e é atendido. É nesse ponto Paulo Coelho dá asas à imaginação e passa a escrever sobre como foi o período em que Elias viveu entre os habitantes de Akbar, a perseguição que sofreu, a condenação pela morte do menino da viúva e a ameaça da invasão assíria.

O que me chamou mais atenção na história, contudo, é a mensagem muito bonita de superação e fé trazida pelo personagem e na qual devemos aprender a lutar sempre, ás vezes até mesmo com Deus pois Ele espera de nós essa força de vontade e atitude.

A edição lida é da Editora Objetiva com 280 páginas.


Baal era uma entidade divina venerada na Antiguidade por fenícios e cartagineses e cuja adoração era abominada pela fé judaica. O culto desta entidade é bastante lembrado pelas passagens bíblicas que mencionam como muitos hebreus se desviaram da Crença no Deus de Abraão e pela prática comum na época de sacrificar crianças em sua homenagem. Na imagem Baal com o braço direito levantado. Estatueta de bronze. Fonte: Wikimedia Commons

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