sábado, 10 de dezembro de 2016

Cinema: Comentários sobre o filme Volver – 2016 #AnoDaEspanha

Por Eric Silva

O filme desta vez não entrou para o 7ª arte, porque não consigo pensar em Volver como um bom livro, mesmo que ele seja um filme interessante em alguns momentos. Mas de qualquer forma eu queria comentar esse que foi um dos últimos filmes espanhóis que assisti. Volver é uma produção do diretor espanhol Pedro Almodóvar Caballero que entrou em cartaz no ano de 2006 tendo como atriz principal Penélope Cruz.

O meu objetivo inicial era resenhar outro filme de Almodóvar, A Pele que habito, que a julgar pela sinopse parecia bastante interessante e adequado para a proposta do 7ª Arte: falar de filmes que dariam bons livros e filmes que são adaptações de obras literárias. Porém quando assisti a película do cineasta espanhol, o filme me pareceu um tanto perturbador e me senti pouco à vontade para falar dele. Desisti de colocá-lo no 7ª arte, mas não havia desistido de Almodóvar e busquei outro de seus filmes. O filme que encontrei foi Volver. Porém Volver não me parecesse uma obra que daria um bom livro, ainda que seja um filme interessante. Por isso ele também não fará parte do 7ª Arte, contudo farei alguns comentários sobre a película. 

Volver conta a história de um grupo de mulheres cujo passado enterrava sérios dramas familiares. Raimunda (Penélope Cruz) e Sole (Soledade, interpretado por Lola Dueñas) são irmãs e há muito tempo haviam perdido os país em um incêndio que consumiu toda a casa da família. De parentes restavam-nas apenas a filha de Raimunda, Paula (Yohana Cobo), e uma tia já idosa e quase inválida também chamada Paula (Chus Lampreave).

Depois de muito tempo as duas irmãs retornam à casa da tia para visita-la e estranham a organização impecável da casa, tendo em vista que a tia já não possuía a saúde necessária para fazer todo o trabalho sozinha. Ao questionarem à idosa que vinha cuidando da casa tia Paula afirma que era a mãe das sobrinhas, Irene (Carmem Maura), falecida anos antes no incêndio. Devido ao estado de esclerose da tias, Raimunda e Sole ignoram a história absurda e voltam a suas vidas normais, mesmo depois de uma antiga vizinha, Agustina (Blanca Portillo), afirmar que algumas pessoas da vila também alegavam terem visto o fantasma da mãe delas vagando pela casa de tia Paula.

Passado um tempo, Raimunda ao retornar de seu trabalho encontra sua filha vagando pela rua paralisada de medo. Procurando saber o que se passava com Paula, descobre que a menina quase foi violentada pelo próprio pai e que para se defender acabou matando o homem a facadas. Para proteger a filha, Raimunda resolve ocultar o corpo e destruir qualquer vestígio do homicídio afirmando a todos que o marido havia as abandonado. Nesta mesma noite sua irmã lhe dá a notícia do falecimento da tia Paula. Mas apenas Sole vai ao enterro da idosa e na antiga casa da família encontra-se com o espirito da mãe, que a convence a levá-la consigo para casa. Mesmo temerosa em relação aos mortos, Sole aceita e passa a conviver com o fantasma da mãe, escondendo-a de Raimunda apesar do desejo de Irene de pedir perdão à filha mais velha.

Por um bom pedaço do filme a história é monótona e só aos poucos vamos conhecendo os dramas familiares que circundam as mulheres desta família, sobretudo o passado de Raimunda, de sua mãe Irene e da prestativa vizinha Agustina. Confesso que o que me levou a continuar assistindo foi mais a curiosidade de saber o que Raimunda faria para ocultar o corpo do marido, se ela seria descoberta e qual seria o desfecho daquele homicídio. Só na aproximação do desfecho da história com a inserção de Irene na trama é que um outo ponto começou a me intrigar: ela estaria realmente morta? Como um fantasma podia ser tão palpável? Tão real? Ou a intensão do cineasta era nos enganar fazendo-nos pensar uma coisa e depois seria outra? Com mais este elemento continuei prosseguindo no enredo até que o passado de Irene e Raimunda vai sendo gradativamente desenterrado, mas aí já estamos no fim do filme. Ou seja, fui levado por osmose, conduzido pela corrente lenta da narrativa! Contudo não diria que Volver é um filme ruim, ele consegue prender nossa atenção em alguns momentos, consegue ser monótono em outros.

Raimunda é de fato uma mulher decidida e corajosa. É impressionante como passado o primeiro choque da morte do marido, Paco (Antonio de la Torre), ela reúne força e sangue frio para encarar a situação de forma prática e rápida. A verdade é que em raros momentos ela parece sentir a morte de Paco, mas ao mesmo tempo não demonstra guardar rancor ou ódio dele. Um comportamento que estranhei bastante, mas que aos poucos vai ficando claro, principalmente quando descobrimos que Paco não era de fato pai da menina, mas que a tinha assumido quando Raimunda saiu grávida da casa dos pais, e quando, por fim, é revelado quem de fato era o pai de Paula.

Completamente o oposto de sua irmã, Sole é vacilante, temerosa. Tudo nela transparece uma fragilidade que beira a estultícia e a inocência. Não é de perto um personagem cativante, bem como a filha de Raimunda, interpretada por Yohana Cobo, porém achei Paula mais esperta. Raimunda é quem de fato toma conta da cena e de todo o filme.

A trama se passa em parte na cidade Madri e nos dá uma noção de como são os bairros suburbanos da capital, mas também tem como cenário uma das pequenas vilas espanholas. Inclusive, achei interessante alguns elementos dos casarios da vila onde tia Paula vivia. São casarões bem antigos, com paredes azulejadas, com pátios cercados por colunas e que ainda preservam aquelas portas antigas e pesadas que lembram os tempos em que a Espanha ainda colonizavam a América.O filme teve como locação: Almagro e Puertollano, ambas em Ciudad Real, além de Madri e La Mancha. 

Volver também foi o primeiro filme espanhol que vi mostrar como as relações entre os espanhóis são bem próximas e bastante pessoais, sobretudo entre as mulheres, o que difere bastante de outros povos europeus, a exemplo dos ingleses e dos franceses que considero mais distantes e formais em suas relações interpessoais.

Também é um filme que fala da força da mulher em si, daquelas que possuem a coragem para batalhar pela sobrevivência, de suas forças e de suas fraquezas. É também um filme que fala sobre o perdão e que dá espaço a discutir sobre os dramas familiares que só podem ser resolvidos com união e diálogo. O melhor do filme na minha opinião foram as revelações do desfecho, mas duvido que o filme desse um livro muito interessante. 

A película é uma produção dos estúdios da El Deseo com participação do Canal+ España, do Ministério da Cultura Espanhol e da Televisión Española e entrou em cartaz no ano de 2006. Tem duração de 121 minutos. Foi indicado para diversos prêmios: entre eles o Oscar 2007 na categoria de melhor atriz (Penélope Cruz), Globo de Ouro 2007, nas categorias de melhor atriz - drama (Penélope Cruz) e melhor filme estrangeiro e o BAFTA 2007, indicado nas categorias de melhor atriz (Penélope Cruz) e melhor filme estrangeiro.

Abaixo você pode conferir o trailer do filme e da música tema do filme, Volver, em interpretação de Estrella Morente:

Trailer



Clipe da música tema






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