terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A Guerra Civil Espanhola e a Campanha do #AnoDaEspanha – Postagem Especial

Por Eric Silva

“Esses cruéis três anos de luta fratricida foram uma experiência traumática que afetou diretamente a vida de famílias e colocou irmãos em lados opostos do combate. Os nacionalistas triunfantes garantiram a duração desse clima de ódio e divisão por 40 anos”
(Francisco J. Romero Salvadó)

Desde o primeiro livro da campanha do #AnoDaEspanha, A Sombra do Vento, foram raras as leituras em que não encontrei alguma referência a Guerra Civil Espanhola. Pequenina que fosse, ela estava lá citada, ou era o foco central da narrativa, como acontece em Soldados de Salamina, livro de Javier Cercas. Também houve casos em que, se a obra não citava este importante momento da história espanhola, este foi decisivo na vida dos autores lidos. Foi o caso do poeta Garcia Lorca, executado durante o conflito, e de José María Sánchez-Silva, que, lamentavelmente, esteve ao lado dos falangistas e, depois, do regime de Franco. Nos filmes que assisti para o primeiro 7ª Arte está também profundamente ligado aos episódios traumáticos do conflito. Em O Labirinto do Fauno presenciamos o terror do regime que nascia no pós-guerra e testemunhamos o drama vivido pelos soldados dos últimos focos de resistência. Por sua vez, em La Lengua De Las Mariposas, próximo filme do 7ª Arte, percebemos também como a tensão da guerra tangencia a narrativa, afetando seus personagens adultos tanto quanto as crianças.

O que aprendi através dos livros da campanha, das biografias dos autores e dos filmes do 7ª Arte, é que este foi um dos momentos que mais marcaram o país tendo desdobramentos desastrosos que ainda estão vivos no imaginário do povo espanhol. Prova disso é sua constante manifestação na literatura e no cinema daquele país. Não escolhemos os livros e os filmes com o propósito de contemplar o tema, mas ele se fez presente na maioria das vezes. As poucas exceções que nem a obra nem o autor foi relacionado a Guerra Civil foram com o romance futurista Lágrimas na Chuva, da autora Rosa Montero, e com livro o último livro resenhado para a campanha, A Catedral do Mar, romance histórico de Ildefonso Falcones que, assim como o romance de Montero, se desenrola em um tempo distinto e distante do século XX.

Diante de tudo isso, acho que seria imprudente não dedicar um espaço, uma postagem especial para o tema, e conhecer melhor o conflito e seus desdobramentos.

Antecedentes

Afirma Salvadó[1] (2008, p. 7) que a Guerra Civil Espanhola foi uma tentativa de resolver por meios militares uma série de questões sociais que já dividiam os espanhóis por várias gerações como reforma agrária, centralismo e autonomia regional, o papel da igreja Católica e das Forças Armadas. Tensões que se somaram até eclodirem na tentativa de golpe em 1936 que encaminhou o país a guerra. Por isso segundo o historiador as origens do conflito dimanam em períodos muito anteriores a década de 30:

Ruína do colégio das Escuelas Pías de San Fernando (bairro Lavapiés, Madri) incendiado e destruído no início da guerra civil em 1936. Permaneceu abandonado durante o franquismo, até ser parcialmente restaurado e transformado na biblioteca da UNED, em 2006. Foto: Wikimedia Commons.

“Na verdade, as origens da tragédia espanhola estão bem mais enraizadas na história do país. No máximo, seria possível afirmar que as sementes do conflito foram plantadas durante o meio século de existência do regime anterior, na Monarquia Bourbon restaurada, de dezembro de 1874 a abril de 1931. O radicalismo político, a revolta social e o intervencionismo pretoriano na Espanha dos anos 1930 foram a herança que as classes dirigentes monarquistas receberam da era da Restauração – e não conseguiram promover internamente a reforma democrática. A persistência do governo oligárquico tradicional – quando confrontado com a emergência da política de massas e as demandas de setores então recentemente mobilizados da população – deu início a uma época de conflito social armado e a uma polarização política quase sem precedentes, levando à substituição do regime liberal por uma ditadura militar, em 1923, e à queda da própria Monarquia, oito anos depois.” (SALVADÓ, 2008, p. 9).
Segundo Buonicore[2] (2016), já em 1931, a monarquia se desfaz com a renúncia de Afonso XIII, logo após a realização de eleições municipais, nas quais os republicanos obtiveram uma vitória esmagadora sobre os candidatos monarquistas. É neste período que nasce a república espanhola e a escalada de conflitos.

Tendo em vista estes acontecimentos precedentes, a Espanha, que já sentia os reflexos da Grande Depressão de 29, já adentrava a década de 1930, em meio a um cenário econômico muito pouco favorável, sobretudo, para as classes mais pobres da população, e com um panorama político dividido entre os partidários do retorno da monarquia (proprietários de terra, membros da Igreja Católica e o Exército que representavam o grupo dos Nacionalistas), e do outro, os trabalhadores urbanos, campesinos, sindicatos e esquerdistas que compunham o grupo dos Republicanos[3]. Desta forma, ao longo da década de 1930 dois grupos contrários emergem no cenário ideológico e político espanhol: de um lado a Frente Nacionalista e a Falange Tradicionalista Espanhola[4], representantes dos grupos conservadores da elite e de defensores de um regime totalitário de cunho fascista no país, e do outro a Frente Popular composta por líderes socialistas, anarquistas e comunistas desejosos de uma mudança social mais profunda, ainda que dentro deste segundo grupo não existisse de fato uma unidade de ideias e interesses.

Eleições de 1936
Mas o delicado cenário político veio a se agravar com as eleições de 1936, que deu a vitória, nas urnas, para a Frente Popular. Segundo Altman[5] (2011), é no final do ano de 1935, que, com um programa reformista como proposta de governo, a coalizão de partidos de esquerda conhecida como Frente Popular passa a se preparar para as eleições que teriam lugar entre 4 de janeiro e 16 de fevereiro do ano seguinte. Em oposição as propostas esquerdistas, a Frente Nacional foi criada. Ainda segundo Altman (2011), “a unidade das esquerdas ficou plasmada na Frente Popular por proposta do Partido Comunista. Os anarquistas, embora se negassem a formar parte da Frente, apoiaram suas candidaturas por antever a libertação dos presos políticos. Opondo-se a eles se formou a Frente Nacional, cuja cabeça mais visível era a CEDA (Confederação Espanhola de Direitas Autônomas) de Gil Robles que lançou uma agressiva campanha eleitoral apresentando-se como a última e única alternativa ante uma inevitável revolução bolchevique. Dentro da coalizão de direita ficou de fora a Falange porque não houve entendimento entre Primo de Rivera e Robles.” (ALTMAN, 2011).
Primo Rivera, fundador da Falange Espanhola.
Foto: Wikimedia Commons.
Com a vitória da Frente Popular, os temores dos nacionalistas era que os republicanos pretendessem uma revolução comunista, enquanto que a Frente Popular receava a tentativa de um golpe de Estado por parte dos nacionalistas. Segundo a Eurochannel[6](s/d), “os temores da Frente Nacionalista foram redobrados em virtude da participação de anarquistas da Frente Popular. Em geral eles eram mais contidos, mas dessa vez resolveram apoiar a Frente Popular porque o partido havia prometido libertar todos os seus presos políticos”.

Contudo, a vitória da Frente Popular não garantiu uma unidade entre os vários partidos de esquerda. Sua diversidade ideológica (republicanos, socialistas, comunistas e anarquistas) e a demora para a implantação das reformas e ações prometidas durante a campanha atiçaram os ânimos daqueles que mais ansiavam o cumprimento de promessas como anistia a presos políticos e reforma agrária. “De repente, o povo resolveu começar a implementar as reformas por suas próprias mãos: a coletivização das terras e fábricas, às vezes por meio de violência” (EUROCHANNEL, s/d). Conta Altman (2011) que naquele ano uma grande multidão se dirigiu à sede do governo em Madri gritando por anistia. Em Oviedo, relata, uma das dirigentes do Partido Comunista e deputada por Astúrias, Dolores Ubárruri, abriu as prisões para libertar diversos presos, entre eles grande parte dos participantes do movimento grevista e revolucionário ocorrido entre 5 e 19 de outubro de 1934[7]. Além disso, afirma Buonicore (2016), “no campo, os camponeses sem-terra passavam a ocupar as grandes propriedades rurais. Igrejas, acusadas de serem centros de conspiração monárquico-fascista, foram atacadas e incendiadas”. O autor lembra que também neste mesmo período estabeleceu-se a autonomia da Catalunha e do País Basco.

A situação do novo governo se tornava cada vez mais delicada. Aumentavam as greves e as ocupações de terra e os conflitos sociais e trabalhistas ameaçavam a ordem constitucional (ALTMAN, 2011) e além disso os socialistas se negaram a formar parte do novo governo (op. cit.). A ação popular cada vez mais violenta amedrontava os conservadores, latifundiários e industriais que viam em lideranças de direita como a Falange e José Calvo Sotelo a esperança de salvaguardar seus interesses e patrimônios. A Flange, outrora um partido de pouca expressão (minoritário), passa a angariar um número crescente de membros e a escalada da violência incitada pelo partido leva a prisão de Primo de Rivera e o fechamento dos escritórios do partido (op. cit.). A agitação popular crescia, sobretudo entre os camponeses, e uma reação da direita já era esperada e não tardaria como nos relata Altman (2011):

“Para um número crescente de militares o golpe de Estado era a única forma possível de restabelecer a ordem. Advertido das conspirações, o governo enviou Francisco Franco para as Ilhas Canárias e o general Emílio Mola para Pamplona, onde se converteu no cérebro do complô”. (ALTMAN, 2011).

Francisco Franco em 1930.
Foto: Wikimedia Commons.
Contudo o exílio não seria suficiente para parar as ações dos golpistas e em maio de 1936 Mola traça toda a estratégia de ação para o levante golpista e para tirar Franco de seu exílio, angariando o apoio civil da Falange.
“Em 7 de julho, Mola decidiu que havia chegado o momento. Das Canárias, Franco se comunicou com o cérebro da conspiração. O plano para tirar Franco das Canárias e levá-lo ao Marrocos seguiu adiante. Mola alugou em Londres um avião e o piloto, que em 12 de julho aterrissou em Casablanca com Franco a bordo”. (ALTMAN, 2011).
Ainda no dia 12, o tenente republicano, José Castillo, é assassinado supostamente por falangistas. Em represália, o deputado da direita, José Calvo Sotelo, é assassinado, na madrugada de 13 de Julho, por republicanos, sendo o estopim para o começo do conflito. Em 17 de julho tem início o golpe de estado quando Franco toma o controle do exército espanhol no Marrocos e todas as tentativas de negociações do governo falham (EUROCHANNEL, s/d).

Participação estrangeira no conflito

É certo que chegou o momento em que de um lado os nacionalistas com as tropas do Exército sob o comando de Franco iam sistematicamente dominando grandes parcelas do país a exemplo de Navarra, Castilha, Galícia, partes da Andalucía e Aragon, enquanto os republicanos se entrincheiravam nas regiões de Madri, Valencia e Barcelona, mais ricas, industrializadas e onde o movimento sindical era mais forte e organizado. Contudo esses grandes avanços do levante golpista não podem ser explicados de forma reducionista sem que o contexto da época seja considerado. A guerra civil foi longa e se arrastou por quase três anos e foi bastante influenciado pela geopolítica do período. Aqui não pretendemos nos alongar mais do que já fizemos mas alguns pontos precisam ser esclarecidos.

Tropas da brigada republicana lutando na batalha de Belchite, 1937.
Foto: Wikimedia Commons
Segundo Salvadó (2008, p. 10) a maioria dos espanhóis não desejavam a guerra, mas isso não foi suficiente para impedi-la, porque mais do que fatores locais impulsionariam o conflito, e a Guerra Civil Espanhola seria influenciada pela geopolítica europeia do período entre guerras.

O período que se sucederam após a Primeira Guerra Mundial, entre os anos de 1918 e 1939, a Europa foi o cenário do surgimento dos movimentos totalitários nazifascistas e o continente logo testemunhou a escalada e expansão agressiva dos Estados liderados por Mussolini e Hitler em sua preparação para uma nova guerra de grande repercussão na geopolítica mundial. Por outro lado, este também foi um período em que as potências europeias vencedoras Primeira Guerra, com sua política de apaziguamento que davam a Hitler e Mussolini uma série de concessões, se silenciaram ante as pretensões expansionistas nazifascistas, mesmo quando, sobretudo, as ações do líder alemão quebravam todos os termos do Tratado de Versalhes.

Desde o princípio as forças Nacionalistas espanholas tiveram apoio externo das potências nazifascistas, e Alemanha e Itália, segundo conta Motta[8] (2008, p. 580), “solidarizaram-se com as forças contrárias à República por afinidade de ideias, afinal, do lado nacionalista alinhava-se coalizão de direita semelhante à que permitira a Hitler e Mussolini ascender ao poder, e contra os mesmos inimigos: comunistas, socialistas, anarquistas, democratas e liberais”. Entretanto apenas ideários convergentes não explicam a interferência ítalo-alemã no conflito, e segundo o mesmo autor, existiam outras “razões mais concretas”: “a Itália desejava estabelecer hegemonia na bacia do Mediterrâneo, e a Alemanha cobiçava os recursos naturais da Espanha para alimentar sua máquina de guerra” (idem, ibidem, p. 580). Mais à frente o autor complementa:

“Com seu ânimo agressivo e a convicção de que os países liberal-democráticos eram fracos e decadentes, os dois Estados fascistas mobilizaram tropas e recursos numa escala que nenhuma outra potência ousou atingir: cerca de 80 mil italianos e 20 mil alemães combateram na Espanha, sob o pouco convincente disfarce de tropas voluntárias, ao lado de 10 mil portugueses enviados por outro regime simpatizante, o de Salazar”. (MOTTA, 2008, p. 580).

Inclusive foi com a ajuda ítalo-alemã que as tropas de Franco conseguiram atravessar o Estreito de Gibraltar em 5 de agosto, saindo do Marrocos para se juntar ao resto do exército em solo espanhol (EUROCHANNEL, s/d).
Do outro lado as tropas resistentes republicanas eram composta em sua maioria pelos trabalhadores organizados pelos sindicatos e de pessoas recrutadas pelos esforços dos combatentes das brigadas internacionais, através de organizações ligadas à Internacional Comunista (MOTTA, 2008, p. 580). Ainda assim, os republicanos buscaram o apoio da União Soviética obtendo destes 2 mil assessores militares (op. cit.). Conta Motta (2008) que o apoio soviético aos republicanos em armas fora bem menor do que dos nazifascistas em decorrência, entre outras razões, dos empecilhos criados por ingleses e franceses para a chegada dos suprimentos bélicos vindos dos soviéticos para os republicanos, e sobretudo, por estes terem feito “vista grossa” as ações de alemães e italianos no conflito espanhol.

“A diplomacia inglesa, principalmente, que nesse caso arrastou consigo a França, temia mais a vitória dos republicanos que a dos franquistas, preferindo uma eventual hegemonia fascista na Espanha a correr o risco de ver a Península Ibérica cair na órbita soviética”. (MOTTA, 2008, p. 580-581). E tal atitude permitiu com que atrocidades como o episódio do bombardeamento de Guernica acontecesse.
Afirma Salvadó (2008, p. 10) que para muitos pesquisadores a guerra civil foi a prova da falência da República, seu fracasso, contudo, para o autor, esta constatação não seria verdadeira.

“O sucesso da República foi corroborado pela derrota do levante militar em quase dois terços do continente espanhol. Com algumas notáveis exceções, a rebelião só teve êxito nas áreas que tinham votado tradicionalmente a favor dos partidos de direita. Ao contrário de muitos outros países europeus, cujos sistemas constitucionais foram derrubados com relativa facilidade por forças de extrema direita, a República reagiu e lutou, e foram necessários 33 meses de embate brutal para que sua resistência fosse esmagada”. (SALVADÓ, 2008, p. 10).
Motta (2008) afirma que de início, os republicanos e nacionalistas tinham recursos semelhantes e como se observa na fala de Salvadó (2008) durante parte do conflito os Nacionalistas teriam tido dificuldades em derrubar a República mesmo tendo ao seu lado o exército insurgente. O que torna evidente que o apoio externo fora decisivo para que a campanha franquista obtivesse êxito e conquistasse mesmo as áreas que apoiaram os republicanos.

Porém, outro fator também pode ter influenciado o desfecho da guerra. Desde antes do início do conflito os nacionalistas possuíam uma maior unicidade mediante a colaboração entre as diferentes forças de direita, em quanto que os republicanos sofreram com as divisões e rivalidades entres os grupos que a compunha, o que contribuiu para a fragmentação das forças que lutavam em favor da república (SALVADÓ, 2008).

Em fevereiro de 1939, a Catalunha é conquistada pelos Nacionalistas assim como, pouco tempo depois, foi a vez da capital Madri (EUROCHANNEL, s/d). Em 1º de abril de 1939, Franco declara o fim da guerra e instaura um regime ditatorial que perduraria até mesmo após sua morte.

Guernica

Um dos episódios mais lamentáveis da Guerra Civil Espanhola foi, sem dúvida, o bombardeamento da cidade basca de Guernica pelas forças aéreas alemãs, um dos mais violentos ataques aéreos da história.

Segundo Tracco[9] (2007), desde o início da campanha militar que o General Franco havia tentado conquistar a capital espanhola, porém diante do seu fracasso de subjuga-la o líder do levante golpista decidiu direcionar sua atenção e exércitos para o norte do país, mais vulnerável do que Madri. “As regiões de Astúrias e Santander e as províncias do País Basco estavam em péssima situação militar. Lá, a força aérea dos republicanos era inexistente. Os céus estavam abertos para as bombas nacionalistas” (TRACCO, 2007).

A cidade de Guernica, localizada na província da Biscaia, comunidade autónoma do País Basco, seria o principal alvo por sua importância dentro da comunidade que havia tido sua autonomia reconhecida pela República em outubro de 1936.

Membros da Legião Condor durante treinamento em Ávila.
Foto: Wikimedia Commons.
Segundo Tracco (2007), para Franco aquela era uma oportunidade de humilhar o povo basco considerado pelos nacionalistas como traidores, além da cidade estar servindo de abrigo para refugiados oriundos de outras localidades atacadas pelo exército de Franco. Porém, os alemães tinham interesse no ataque à Guernica pois seria para eles uma grande oportunidade de testar os sistemas de bombardeios com projéteis explosivos e incendiários em uma cidade aberta” (TRACCO, 2007), ou seja, os nazistas viam no ataque a Guernica uma chance de ouro para testar o poder de ataque de sua força aérea, a temida Luftwaffe.

Ainda segundo o autor, na segunda-feira do dia 26 de abril de 1937, em Guernica acontecia a tradicional feira livre da cidade que atraía agricultores de toda a região, quando às 16h30, o badalar do sino da igreja anunciou a chegada da frota aérea da Legião Condor, a unidade militar alemã que atuava na Espanha por ordem de Hitler. Em poucos minutos iniciou-se o bombardeio da cidade. Após três horas de ataque e 22 toneladas de explosivos lançados sobre a cidade, o saldo de mortes contava o número de 1645[10].

Ruínas de Guernica
O ataque a Guernica teve grande repercussão internacional chocando o mundo pela sua violência, porém segundo Tracco (2007) o episódio não teria tido toda a visibilidade que teve se não fosse a obra homônima do artista espanhol Pablo Picasso (TRACCO, 2007).

Comunista e vivendo em Paris, Pablo havia recebido do governo republicano espanhol a incumbência de pintar um quadro para a decoração do pavilhão espanhol na Exposição Internacional de Paris com o objetivo de expor ao mundo o movimento golpista e legitimo de Franco. O ataque à Guernica foi a inspiração para o pintor espanhol que expôs na tela toda a indignação que o ataque lhe movia. De 1º de maio até 4 de junho de 1937, Picasso trabalhou dedicadamente a obra que titulou com o nome da cidade atacada pelas tropas alemãs.

Guernica foi exposta ao público pela primeira vez no dia 12 de julho. Um enorme painel de 3,49 m de comprimento por 7,76 m de largura que exibia com intensidade aflitiva o cenário da destruição da cidade basca e que por ordem do pintor só pôde ser levada à Espanha após a morte do ditador Franco.

Guernica, Pablo Picasso. Foto: Wikimedia Commons.






[1]SALVADÓ, Francisco J. Romero. A Guerra Civil Espanhola. Tradução Barbara Duarte. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

[2]BUONICORE, Augusto. 80 anos da Guerra Civil Espanhola. Vermelho, [s.l.], 2016 disponivel em: http://www.vermelho.org.br/noticia/283839-1. Acesso em: 08 de novembro de 2016.

[3]http://www.infoescola.com/historia/guerra-civil-espanhola/

[4] A Falange Española Tradicionalista foi um partido político fascista legalmente reconhecido durante a ditadura de Francisco Franco, na Espanha. Foi fundada por José Antonio Primo de Rivera, em 1933, a Falange aliou-se às forças nacionalistas de Franco durante a Guerra Civil Espanhola.

[5] ALTMAN, Max. Hoje na História: 1936 – Frente popular vence eleições espanholas. São Paulo, Opera Mundi, 2011. Disponível em: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/9695/hoje+na+historia+1936++frente+popular+vence+eleicoes+espanholas.shtml. Acesso em: 29 de novembro de 2016.

[6]EUROCHANNEL. A Guerra Civil Espanhola (1936-1939). [s.l.], s/d. Disponível em: http://eurochannel.com/pt/A-Guerra-Civil-Espanhola-1936-1939.html. Acesso em: 27 de novembro de 2016.

[7]https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_1934_(Espanha)

[8] MOTTA, Rodrigo Patto Sá. A guerra civil espanhola. Revista Brasileira de História, v. 28, n. 56, p. 579-582, 2008.

[9] TRACCO, Mauro. Bombardeio em Guernica: Chuva de fogo. Guia do Estudante, [s.l.], 2007. Disponível em: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/bombardeio-guernica-chuva-fogo-435298.shtml. Acesso em: 08 de novembro de 2016.

[10] http://www.dw.com/pt-br/1937-guernica-%C3%A9-bombardeada/a-800994

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