segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

2018, o Ano do Japão no Conhecer Tudo - III Campanha Anual de Literatura do Conhecer Tudo



2016, o #AnoDaEspanha. 2017, o #AnoDoBrasil. 2018 o #AnoDoJapão.


Olá, caros leitores.

A Campanha Anual de Literatura do Conhecer Tudo (CALCT), o nosso projeto mais ambicioso, chega hoje em sua terceira edição. Fomos da Europa para América e agora aterrissando em terras asiáticas. A III CALCT inaugura o novo ano com um novo país para homenagear: o Japão, a terra do sol nascente.

Para quem não conhece o projeto principal do nosso blog, todo os anos, desde 2016, fazemos um itinerário de livros de um determinado país que é escolhido por votação pelos usuários do Google Plus. Para a enquete é pré-selecionados cinco países representando cada um dos cinco continentes do globo. Depois de escolhido o país a ser homenageado, fazemos um itinerário de livros de diferentes autores oriundos da nação homenageada e através de resenhas discutimos sobre os livros escolhidos, apresentamos seus autores e, em postagens especiais, discutimos os temas relacionados ao país e que surgem nos livros do itinerário: aspectos culturais, turísticos, históricos, sociais, etc.

Na pré-seleção para a III CALCT, cinco países estiveram na disputa: Austrália (Oceania), Cuba (América), França (Europa), Japão (Ásia) e Moçambique (África). Foram 3 meses de votação que contou com a participação de 382 pessoas. E com 35% dos votos o Japão foi escolhido para ser o país homenageado em 2018.

Durante doze meses, nos aventuraremos pela literatura nipônica. Olharemos de mais de perto para um país cheio de cultura secular que respira história e tradição enquanto se lança para a modernidade. Um país de beleza cultural e natural surpreendente.

Visitá-lo-emos pelo olhar de seus escritores e das obras por eles concebidos, conhecendo algumas das milhares de facetas do povo japonês através da literatura. E, em paralelo, falaremos também de filmes do cinema nacional.

É claro que assim como nos anos anteriores, nosso foco não será exclusivo para esta campanha, ainda mais que outros projetos exigem nossa atenção, mas será prioritário e a marca principal do Conhecer este ano.

Quem quiser dar sugestões de livros para o itinerário, fique à vontade para postar nos comentários.

Então é oficial, 2018 é o #AnoDoJapão no Conhecer Tudo e estaremos em páginas japonesas.

Atte.,
Conhecer Tudo,
01 de Janeiro de 2018, Ano do Japão.

Os livros do nosso itinerário resenhados até agora:
#1 - O Conto da Deusa - Natsuo Kirino
#2 - Beleza e Tristeza - Yasurai Kawabata

Sobre os autores:

Filmes do nosso itinerário:
#1

Postagens Especiais do nosso itinerário:

Listas:
#1

Abaixo você pode localizar, no mapa do Japão, os locais onde se desenrolam as tramas dos livros lidos à medida que eles são resenhados, ou as cidades de origem dos escritores no caso de tramas que se desenrolam em outros lugares reais ou fictícios. Clicando nos ícones do mapa você pode saber mais sobre o livro resenhado e conferir imagens da capa e do local da história ou de nascimento do autor.





quarta-feira, 2 de maio de 2018

[Especial Zafón] O Prisioneiro do Céu – Carlos Ruiz Zafón – Resenha


Por Eric Silva

Nota: todos os termos com números entre colchetes [1] possuem uma nota de rodapé sempre no final da postagem, logo após as mídias, prévias, banners ou postagens relacionadas.

Diga-nos o que achou da resenha nos comentários.

Está sem tempo para ler? Ouça a nossa resenha, basta clicar no play.



Mistério, loucura, tortura, vingança, sacrifício e impunidade. Chegando ao terceiro volume da série d’O Cemitério dos Livros Esquecidos o nosso especial sobre Carlos Ruiz Zafón vem falar de O Prisioneiro do Céu o menor dos livros da coleção, mas para onde convergem as tramas de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo. Nesse livro instigante conhecemos mais ao fundo o passado de Fermín Romero de Torres principal escudeiro de Daniel Sempere e como as tramas do destino os ligaram muito antes de se conhecerem. Um livro no qual literatura e história se unem mais uma vez para falar de uma Barcelona cheia de segredos e perigos.

Sinopse do enredo

É dezembro de 1957 e dois anos se passaram após os fatos narrados em A Sombra do Vento. Daniel Sempere prossegue sua vida agora casado com Beatriz e pai do pequeno Julián. Os negócios da livraria vão mal, mas além das vendas escassas outros problemas vem tirando o sono de Daniel: o comportamento estranho de Fermín as vésperas de seu casamento com Bernarda e, mais tarde, também o segredo que Beatriz escondia e que poderia abalar sua relação.

Contudo, o cenário pouco animador se torna ainda pior quando um estranho com a mão de porcelana visita a loja e compra um exemplar raro de O Conde de Monte Cristo, o item mais caro da livraria, e deixa nele uma dedicatória inquietante endereçada a Fermín: “Para Fermín Romero de Torres, que retornou de entre os mortos e tem a chave do futuro”. Irrequieto com aquele mistério Daniel resolve investigar quem seria o homem misterioso, e descobre não só onde esteva hospedado com o mais inquietante: este usava um nome falso, o do próprio Fermín.

Sentindo que algo estava muito errado, o rapaz resolve pressionar o amigo e falar da visita do enigmático homem expondo os fatos que descobrira. Após muita insistência e também se abrir com Fermín sobre as dúvidas que o persegue em relação a Beatriz, Daniel consegue que o amigo também se abra e explique sua conexão com o homem da mão de porcelana. Nesse momento, somos transportados para o passado de Fermín Romero de Torres, para a época quando ele foi capturado pelo regime franquista que ascendia após a Guerra Civil Espanhola, torturado e preso no Castelo de Montjuic, local onde seu destino começa a convergir em direção aos dos Sempere.

Resenha

O Prisioneiro do Céu possui uma trama que é bem mais próxima do estilo de A Sombra do Vento do que da atmosfera gótica e sobrenatural de O Jogo do Anjo, porém bem menos romantizado do que o primeiro e substancialmente menos sombrio e dúbio se comparado ao segundo. É um livro de memórias e confluências e a preparação para o livro seguinte e derradeiro: O Labirinto dos Espíritos. Aqui parte dos personagens de A Sombra do Vento se encontram com os d’O Jogo do Anjo, novos personagens são incluídos e a ligação entre Fermín e os Sempere é finalmente esclarecida.

O livro é dividido em três partes. Na primeira, Um Conto de Natal, voltamos a Barcelona para saber como vivia Daniel e sua família após o casamento com Bea e o nascimento de seu filhinho Julián. Nessa parte também temos o surgimento da estranha figura que procurava por Fermín e acaba comprando o livro mais caro da loja apenas para transmitir uma mensagem. A segunda e a terceira parte do livro, De entre os Mortos e Nascer de Novo, são inteiramente dedicadas ao passado de Fermín e sua passagem pela prisão de Montjuic. Por fim, com O Nome do Herói, Zafón encerra sua narrativa.

Assim como os demais esse é um livro magnético que prende o seu leitor em uma leitura voraz e muito rápida. O texto transcorre com uma fluidez incrível que me fez lê-lo completamente do sábado para o domingo mesmo com as dores impostas por uma virose horrível.

No que se refere aos personagens, O prisioneiro do Céu conserva parte bem pequena do núcleo principal de A Sombra do Vento formado pelos Sempere, Bea, Fermín e Isaac, e resgata de O Jogo do Anjo o seu protagonista, David Martin, e a jovem mãe de Daniel, Isabella.

Ao elenco modesto – se comparado com os livros anteriores – é acrescido apenas alguns novos personagens dignos de nota. Pablo, ex-noivo de Bea que volta a atormentar o juízo de um Daniel enciumado; Fernando Brians, um advogado de pequena projeção social, e Rociíto, uma jovem prostituta, que ajudam Fermín quando esse foge da prisão. Mas os dois mais importantes a adentrarem a narrativa são Maurício Valls, diretor da prisão de Montjuic e entorno do qual gira boa parte da trama como principal antagonista do livro, e Sebastián Salgado um dos presos de Montjuic e que também possui um papel de grande relevo na trama. Infelizmente revelar mais alguma coisa estragaria a surpresa do livro.

História e literatura como fio condutor: Montjuic e O Conde de Monte Cristo

Castelo de Montjuic. Wikimedia Commons.
Como em todos os livros da série, a literatura somada a história de Barcelona na primeira metade do século XX são os principais fios condutores da trama e para cada personagem a literatura é também sua inspiração, seu meio de vida, sua salvação ou sua desgraça.

Habitado por autores malditos que se tornam os próprios personagens de suas histórias, o insondável e nebuloso mundo dos livros é novamente explorado atestando que O Cemitério dos Livros Esquecidos foi pensado como um verdadeiro labirinto de livros dentro de livros, histórias dentro de histórias, que não só busca tornar misterioso e fascinante o universo da literatura como explora com muita inteligência a história trágica da própria Espanha.

Interior do Castelo. Wikimedia Commons.
Mas dessa vez Zafón também buscou na literatura universal inspiração para escrever sua obra. O Conde de Monte Cristo, livro de Alexandre Dumas, é citado diversas vezes ao longo da trama e cumpre no enredo um papel crucial e central, se misturando à própria narrativa e fazendo da prisão barcelonesa de Montjuic (Castillo de Montjuic) a reencarnação do próprio Château d'If (Castelo de If).

É tomando como ponto de partida a compra do volume raro do famoso livro do romancista francês que Zafón conta a passagem do mais icônico personagem de A Sombra do Vento pelo tenebroso castelo barcelonês, que nos finais da Guerra Civil Espanhola se tornou a principal prisão e campo de execução dos franquistas na cidade catalã. Desta forma Montjuic se torna o principal cenário da trama, a literatura o seu principal tema e o fim da guerra civil, o contexto histórico do livro.

Magnetismo

Como em todos os seus livros Zafón escreve uma trama instigante e que prende a atenção dos leitores para cada detalhe.

Em minha experiência com o livro, a minha atenção era prendida principalmente com qualquer coisa que dissesse respeito a David Martin, protagonista de O Jogo do Anjo. Para mim a narrativa do segundo livro da série é a mais atípica e estranha da coleção e, por isso, qualquer pequena informação sobre David em O Prisioneiro do Céu poderia se tornar em uma pista para compreender os pontos nebulosos da narrativa anterior. De fato, muitas passagens do terceiro livro ajudam a compreender o estranhamento que a narrativa de David produz no leitor e porquê ela se distancia substancialmente do estilo empregado em A Sombra do Vento. Além disso, ficamos sabendo em que circunstâncias O Jogo do Anjo foi escrito por David.

Zafón em fato durante o período de publicação do livro na Espanha (2011).
Outra coisa que me chamou a atenção foi a escolha de narradores. Apesar de grande parte da narrativa ser um relato de sua história contada por Fermín para Daniel, Zafón optou por manter Daniel como narrador principal da narrativa e elegeu um narrador onisciente para contar a história que na verdade seria narrada por Fermín.

Não é a primeira vez que Zafón utiliza-se de mais de um narrador para contar passagens diferentes de sua história. Em A Sombra do Vento todo o mistério por trás da história de Julian é narrado por Nuria através de uma carta deixada pra Daniel, tornando a personagem em uma segunda narradora do livro.

Em O Prisioneiro do Céu, Zafón utiliza-se de recurso semelhante, mas opta por não usar Fermín como narrador para permitir que a narração fosse além dos muros da fortaleza, onde ele se encontrava preso, e alcançasse igualmente outros personagens. O restante da trama é narrado por Daniel. Uma jogada inteligente e estrategicamente escolhida que permitiu, de um lado, que em parte do livro revivêssemos a sensação de ter Daniel novamente como narrador de sua história e, do outro, permitiu ao autor desenvolver a narrativa da forma como queria. Assim foi possível a Zafón fornecer os detalhes e desenlaces necessários para compor o enredo que prepara o terreno para o livro seguinte.

Outro ponto está relacionado a escrita do texto. Zafón mantém uma escrita impecável, mas achei bem menos poética, mais crua e prática do que nos livros anteriores. É certo que o lirismo de que se vale para escrever seus livros é bem dosado e aprece em momentos bem estratégicos, sobretudo nos quais ele descreve os cenários e a atmosfera geral da cidade de Barcelona. Mas achei que nesse livro ele buscou se preocupar bem menos com a estética e concentrou-se mais na história. A verdade é que notei muito pouco a presença das construções estéticas que sempre elogio na obra do autor (leia a resenha de releitura de A Sombra do Vento).

Desfecho: entrecruzando caminhos numa edição lindíssima

Apostando em uma trama rápida que revela e omite ao mesmo tempo, o desfecho do livro é muito interessante e deixa muitas coisas pelo caminho: perguntas não respondidas, mistérios não explicados e um desejo visível de vingança. Esses elementos nos fazem ter uma ideia de que o livro que se segue e com o qual, enfim, Zafón encerra a trama do Cemitério dos Livros Esquecidos, deverá ter muitos desdobramentos e uma história arrebatadora. Essa é a minha expectativa. Pelo tamanho do tomo – que conta com 679 páginas – há muita história a ser contada em O Labirinto dos Espíritos e se a qualidade da série foi mantida até o fim, esse, sem dúvida, será um final inesquecível.

Por fim, gostaria só de fazer um rápido comentário sobre a edição. Não costumo falar muito disso nos livros que leio, porque em sua maioria são livros digitais, mas não podia deixar de mencionar como a nova edição de O prisioneiro do Céu é linda. A ilustração da capa tem uma resolução perfeita apesar da provável idade da fotografia. Além disso, a atmosfera misteriosa de uma manhã nublada e úmida pelas ramblas[1] de Barcelona combina perfeitamente com a atmosfera que Zafón dá às suas histórias. A capa é ao mesmo tempo bonita, elegante e combina com sua narrativa. Digo seguramente que é o livro mais bonito da minha biblioteca.

A edição lida é da Editora Suma de Letras, do ano de 2017 e possui 270 páginas. Abaixo você pode conferir uma prévia do livro disponível no Google Books.

Preview do Google Books

quinta-feira, 26 de abril de 2018

A Arte Japonesa no Livro Beleza e Tristeza – Postagem Especial


Por Eric Silva

Livro do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1968, Yasunari Kawabata (川端康成), Beleza e Tristeza é um livro que fala sobre e gira entorno do mundo das artes. Artes plásticas, música, jardinagem, arquitetura, poesia. Muitos são os tipos de manifestações artísticas que são mencionados ou explorados pelo autor para construir uma trama que fala tanto de sentimentos fortes e conflitantes, bem como de infidelidade e de vingança, contudo a arte permeia ou é expressão de cada um desses sentimentos e ações e sustém a narrativa composta por Kawabata.

Na Postagem Especial de hoje, trazemos uma rápida galeria com a obra de alguns dos artistas e outros elementos artísticos citados, acompanhados de passagens do livro que fazem referências a elas ou a seus artistas.

Espero que goste de nossa pequena exposição.
Yôkoso

***

As representações de Kobo Daishi


Kobo Daishi (弘法大師ou Kukai foi um monge budista, erudito, poeta e artista japonês que é diversas vezes citado em um dos capítulos do livro quando a artista Otoko Ueno decidia a temática em que se inspiraria para fazer um retrato de seu filho morto em um parto prematuro. Ao longo desse capítulo a personagem se recorda das pituras que representavam o monge quando ainda era criança e se questiona se deveria inspirar-se nelas. Abaixo você pode conferir duas destas representações


"Ela vira algumas pinturas antigas célebres representando Kobo Daishi jovem que a tinham comovido pela graça e sensibilidade inteiramente japonesas, mas, nessas obras, Kobo Daishi não era realmente uma criança e nunca ascendia ao céu. Otoko não desejava representar exatamente a ascensão da criança ao céu; procurava somente sugeri-la. Mas terminaria ela essa pintura algum dia?"


"Uma vez mais, foram as antigas pinturas, tão tipicamente japonesas, representando Kobo Daishi criança que lhe vieram ao espírito. Esses retratos tinham sua origem numa lenda sobre a vida do santo homem, segundo a qual Kobo Daishi criança se vira em sonhos sentado sobre uma flor de lótus de oito pétalas, conversando com o Buda.
Nessas pinturas de estilo convencional, Kobo Daishi mantinha-se sentado sobre o cálice de uma flor de lótus, o busto bem ereto. Nas pinturas mais antigas, ele tinha uma expressão distante e severa, mas seus traços se suavizavam e se tornavam mais encantadores nas obras mais recentes, a ponto de às vezes se poder confundir a face do santo homem menino com a de uma graciosa menina."

Nakamura Tsune

Pintor japonês nascido no ano de 1888 e falecido em 1924 com a apenas 37 anos de idade. Nakamura foi fortemente influenciado pelos artistas europeus Paul Cézanne e Pierre-Auguste Renoir, destacando-se na arte do retrato. Infelizmente não encontramos a obra do pintor que é citada no livro.

Retrato de Vasilii Yaroschenko por Nakamura Tsune (1920)

"O jovem Nakamura Tsune fizera retratos poderosos e sensuais da mulher que amava. Empregava bastante vermelho e dizia-se que fora influenciado por Renoir. Sua obra mais célebre e mais conhecida, o Retrato de Eroshenko, expressava de maneira quase religiosa, utilizando tons quentes e harmoniosos, toda a nobreza e melancolia do poeta cego".
Retrato de uma mulher (1913)


Jardins de Pedras

Os tradicionais jardins de pedras japoneses (枯山水 Karesansui) são constituídos principalmente de um campo raso de areia onde são dispostos alguns elementos naturais como cascalho, pedras e grama. Contudo os principais elementos sejam a areia revolvida para representar o mar e suas ondulações e pedras, comumente associadas às montanhas.

Em Beleza e Tristeza esse icônico elemento da jardinagem japonesa possui um grande destaque no capítulo Paisagem de Pedra no qual a protagonista Otoko Ueno vai ao jardim do templo Saiho-ji para contemplar, desenhar e "absorver" a energia de seus jardins de pedras. Ao longo do capítulo o narrador faz uma sintetiza um pouco da história do templo e de seus jardins enquanto embevecida a personagem os contempla e desenha. Contudo logo depois Otoko e sua aluna e amante Keiko começam a discutir a natureza abstrata das paisagens formadas por jardins de pedras, um diálogo que depois é desviado quando Keiko passa a falar de sua aproximação com o antigo amante de Ueno, o Sr. Oki.

Jardim de pedra do templo Ryoan-ji.
"Em Kyoto, ainda hoje, são muitos os monastérios com jardins de pedra. Os mais célebres são os de Saiho-ji, do Pavilhão de Prata, do Ryoan-ji , do Daitoku-ji, do Myôshinji.
Mas o mais famoso de todos é aquele de Ryoan-ji, do qual se diz, não sem razão, que encarna a essência da estética zen. Nenhum outro jardim de pedras pode se comparar às suas célebres ordenações de rochas."

Lagoa Dourada, no centro do jardim de musgo. Templo Saihō-ji ( 西 芳 寺 ).
"Otoko conhecia bem todos esses jardins. Este ano, no fim da estação de chuvas, ela foi ao Saiho-ji com a intenção de fazer alguns desenhos. Não que ela se julgasse capaz de pintar o seu jardim de pedras; desejava apenas absorver um pouco de sua força.
Não era esse um dos mais antigos e poderosos jardins de pedra? Otoko realmente não desejava pintá-lo. Que contraste faziam os arranjos de pedras atrás do monastério com a doçura do chão recoberto de musgos mais abaixo! Não fossem as idas e vindas dos visitantes, Otoko adoraria sentar-se ali em contemplação. Se ela abriu seu caderno de desenhos, foi sem dúvida para não despertar suspeitas nos passantes que a viam observando ora num canto, ora noutro."
Jardim da montanha feliz em Zuiho-in, um templo subsidiário de Daitoku-ji (大徳寺), Kyoto, Japão.


Kishida Ryusei

Nascido em 1891 e falecido em 1929, Kishida Ryusei foi um pintor japonês educado nas técnicas ocidentais da pintura e ficou célebre pelos muitos retratos que pintou de sua própria filha, Reiko. Em Beleza e Tristeza ele é citado apenas uma vez, enquanto Otoko reflete sobre algumas possibilidades de inspiração para fazer um retrato de Keiko. Na ocasião ela se recorda de uma das obras pintadas por Kishida no qual retrata sua filha em um estilo menos ocidental e mais próximo da estética tradicional japonesa.

Uma das pinturas de Kishida representando sua filha Reiko
"Otoko lembrou-se dos retratos que o pintor Kishida Ryusei fizera de sua filha Reiko. Eram tanto pinturas a óleo como aquarelas delicadas, minuciosamente executadas, semelhantes a obras religiosas e nas quais a influência de Dürer era visível. Um desses retratos impressionara Otoko mais do que os outros: tratava-se de um esboço em tons claros, sobre meia folha de papel chinês e que representava Reiko sentada ereta, o busto nu e os quadris envoltos numa tanga vermelha. Não era certamente uma das melhores obras de Ryusei, e Otoko se perguntava por que ele fizera esse retrato de sua filha num estilo tão tipicamente japonês, se já pintara obras semelhantes empregando técnicas ocidentais."
Uma estrada atravessando uma colina (1915)


Kobayashi Kokei

Nascido em 1883 e falecido em 1957, Kobayashi Kokei também foi um pintor japonês que ficou conhecido por suas pinturas executadas dentro da mais pura tradição japonesa. Na obra de Kawabata, assim como ocorreu com Kishida Ryusei é citado apenas uma vez, enquanto Otoko reflete sobre as possibilidades de inspiração para fazer o retrato de sua aluna.

Cabelo, Tóquio, Japão (1957)
"Então, por que não pintar Keiko nua, tal como ela lhe sugerira? Algumas pinturas budistas insinuavam até mesmo as curvas dos seios femininos. Entretanto, se se inspirasse no retrato de Kobo Daishi para pintar Keiko, como faria o penteado da jovem? Otoko vira a célebre tela de Kobayashi Kokei intitulada A cabeleira: tratava-se de uma obra de grande pureza, mas ela não conseguira imaginar Keiko penteada daquele modo. Depois de muito pensar, Otoko confessou para si mesma que pintar sua aluna era uma tarefa acima de suas forças."

Frutas (1910)


Jardim da Vila Imperial de Katsura

Conhecido também como o Palácio Separado de Katsura, a Vila Imperial é um conjunto formado por uma vila e anexos repletos de jardins que pertencia aos príncipes da família Hachijo-no-miya (八条宮) e que hoje é considerado um dos tesouros culturais mais importantes do Japão. Os jardins da Vila Imperial são considerados obras-primas da jardinagem tradicional japonesa, mas são citados apenas de forma muito breve no livro de Kawabata pela personagem Otoko quando esta compara a evolução do jardim da vila ao longo do tempo em contraposição a imutabilidade dos jardins de pedras.

Vista do jardim e do lago no palácio da Vila Imperial de Katsura.
 - Nunca aspirei a uma coisa dessas. - Otoko parecia inquieta. - Mas você não acha que durante todos esses séculos as árvores deste monastério, assim como as do jardim da Vila Imperial de Katsura, cresceram, envelheceram, sofreram tempestades e são hoje bem diferentes do que eram no passado? As paisagens de pedra, essas sem dúvida permaneceram as mesmas.

Katsura Rikyu (桂離宮)

Muitas outras formas de arte e obras artísticas são citadas pelo livro. Algumas delas porém não conseguimos localizar informações para incluí-las na galeria, outras pertencem ao mundo das letras. Contudo, esperamos que tenham gostado dessa nossa pequena amostra.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

[Impressões] três livros de autoajuda indispensáveis para mim


A mágica da arrumação, O segredo do talento e Mudando o tom da conversa
Por Eric Silva

Nota: Impressões é uma tag que se diferencia das Resenhas por ser mais sintética, objetiva e menos analítica com cada obra. Ela é mais centrada na experiência que tive com cada obra e na opinião que tenho delas. É sempre uma postagem coletiva que agrega várias obras, sejam elas literárias, de artes plásticas ou cinematográficas, do mesmo autor ou de autores diferentes. Resume-se a: quem é o autor, conteúdo da obra, minha experiência e impressões.

Está sem tempo para ler? Ouça a nossa postagem, basta clicar no play.



Uma das principais qualidades da espécie humana é o seu desejo incessante de se aperfeiçoar, de estar sempre em movimento ascendente para fazer o melhor, da forma mais eficiente e com qualidade.

Os livros de autoajuda por muito tempo foram vistos de forma preconceituosa, mas o que muitos leitores ignoram é que de fato eles podem contribuir para esse projeto humano de ascender e aperfeiçoar-se. Trata-se de uma maneira de dividir experiências acumuladas e ideias bem-sucedidas. No plano pessoal, é uma forma de melhorar as competências e habilidades individuais, trazer soluções inteligentes para questões práticas do nosso dia a dia, e no plano profissional contribuem para a difícil tarefa de reunir, por exemplo, as sinergias necessárias para um trabalho em equipe coeso e produtivo.

É claro que livros como este não são leituras constantes, porque cumprem um objetivo específico e bem determinado que é sanar uma dificuldade pessoal e despertar habilidades inatas ou melhorar as já existentes. Portanto, sua leitura é determinada pela necessidade do leitor. Ainda assim, muitos desses livros são interessantes a todo os públicos pela amplitude do tema que trabalha ou da abordagem que faz do problema.

Hoje, no Impressões selecionei três livros de autoajuda que são indispensáveis para mim, levando em consideração meu perfil profissional como professor e, no plano pessoal, a minha total incapacidade de manter meus papéis e livros arrumados por muito tempo.

Coincidentemente, as três obras foram publicadas pela editora Sextante, uma das maiores referências no país no que diz respeito a publicação de livros do gênero.

A mágica da arrumação

Autora de quatro livros, Marie Kondo é uma consultora japonesa que ficou conhecida no mundo pelos seus trabalhos na área de organização pessoal. Ainda criança já era obcecada por organização e se interessava por qualquer publicação sobre o tema e a partir de seus 15 anos, a se dedicar afundo ao tema.

Após muitas tentativas frustradas de aplicar técnicas e métodos sugeridos pelas publicações a que tinha acesso, Marie acabou por desenvolver seu próprio método de organização, o KonMari, que hoje ela divulga através de seus livros, palestras e em seu trabalho como consultora.

Uma de suas principais obras, A mágica da Arrumação ensina os principais fundamentos e técnicas do KonMari. Simples, mas transformador, o método de Kondo se resume a apenas duas etapas consecutivas: descarte e organização. Contudo estes dois estágios são interpassados por alguns princípios básicos que não só prometem pôr fim a bagunça como também melhorar a qualidade de vida das pessoas que o aplicam.

O principal princípio do KonMari é, por categoria, descartar tudo aquilo que não te faz feliz. Basta que você primeiro espalhe pelo chão todos os objetos de sua casa que pertençam a uma mesma categoria (roupas, livros, papéis, komono, recordações e itens de valor sentimental) e depois pegue cada um deles e pense se ele te traz felicidade, alegria. Se o objeto não lhe inspira estes sentimentos, descarte-o. Depois de fazer isso com todas as suas coisas, passe para a organização dos objetos que foram conservados – etapa que Marie explica passo a passo como fazer, sempre buscando simplicidade e economia de espaço.

O método de Kondo pode soar estranho, mas de fato funciona, por ser mais intuitivo do que técnico, por dar a pessoa todo o poder de decisão sobre o que descartar e o que conservar porque não é baseado em critérios numéricos ou de tempo. Funciona por não lhe exigir a compra de nenhuma parafernália de organização, mas, principalmente, por te conduzir a eliminar tudo o que não lhe é necessário, mas que você guardou por que achou que um dia precisaria.

Sou a pessoa mais desorganizada que conheço. Para todos os lados que você olhar verá bagunça, livros e papéis aos montes. Até mesmo os meus arquivos digitais são um amontoado de duplicatas e "objetos" espalhados por dois computadores e dois HDs sem nenhuma forma de organização, catalogação ou coisa parecida. Tenho coisas que não sei que tenho e de que não faço uso. Para completar minha tragédia Shakespeariana pessoal, sou colecionador voraz, sobretudo de livros. Mari está sendo para mim uma grande inspiração, apesar de estar conscientemente ferindo uma de suas principais recomendações: não moldar ou modificar o método a minha personalidade.

A mágica da Arrumação é um livro objetivo, completo e realista. Um pouco mais extenso do que os livros do gênero costumam ser, mas porque a autora não se limita apenas a dizer o que você deve fazer, mas também divide com leitor algumas de suas experiências com clientes.

Não nos pede coisas irrealizáveis, mas que apenas eliminemos o que não nos é, de fato, necessário. As recomendações são bem explicadas e exemplificadas. Passou-me a impressão de um método simples e eficaz, ainda que radical, que irá de fato e objetivamente cumprir o que promete. Em alguns momentos a autora aparenta um ar de ditadora, principalmente quando afirma que para papeladas a sua Regra Geral é "jogue tudo fora", mas essa impressão é afastada à medida que ela explica os pormenores e reforçado quando ela afirma que jamais faz nenhum descarte dos objetos de um cliente, que isso é algo que somente ele pode fazer, ela se limita a indagá-lo se de fato aquilo lhe traz felicidade.

De resto, só tenho uma mensagem para o leitor. Da minha parte acho que o termo descartar usado pela autora não precisa significar jogar no lixo. Além de desperdício, seria ecologicamente irresponsável e socialmente mesquinho, por tanto sugiro que este descarte tão necessário de roupas, brinquedos e outros itens signifique doações para obras de caridade, a exemplo do trabalho do Exército de Salvação e das Obras Sociais Irmã Dulce, ou diretamente para pessoas carentes da comunidade. Espero que descartar signifique doações para bibliotecas públicas, para escolas e coisas do gênero.

A edição lida é da Editora Sextante, do ano de 2015 e possui 160 páginas.





O segredo do talento

O estadunidense Daniel Coyle é jornalista, editor da Outside Magazine e já foi duas vezes finalista do National Magazine Award. É autor de O código do talento, que figurou a lista dos mais vendidos do The New York Times. Vive com sua esposa Jen e seus quatro filhos em Cleveland, Ohio, durante o período escolar, e, em Homer, no Alasca, durante o verão.

Para escrever O segredo do talento: 52 estratégias para desenvolver suas habilidades, Coyle se dedicou por cinco anos a pesquisas sobre talento e visitou incubadoras de talentos em diversos países, inclusive o Brasil. Com os resultados de suas pesquisas o jornalista formulou 52 estratégias simples e claras para ajudar qualquer pessoa a desenvolver de forma satisfatória as habilidades que deseja.

As breves orientações que se dispersam pelo livro foram divididas em três seções que funcionam como três grandes etapas do desenvolvimento da habilidade.

A primeira seção é chamada de primeiros passos. Nela Coyle através de 12 dicas busca orientar o leitor a buscar sua motivação para o desenvolvimento da habilidade e reconhecer o tipo de habilidade que ele pretende desenvolver. Segundo o autor as habilidades se dividem em duas categorias: as de alta precisão e as de alta flexibilidade.

As habilidades de alta precisão são aquelas que “devem ser aplicadas de apenas uma forma, a mais correta e sistemática possível, para que se chegue a um resultado ideal”, exemplo da tacada de um golfista, ou tocar uma melodia no piano. Por sua vez, as habilidades de alta flexibilidade são aquelas que “podem ser aplicadas de diversas formas, e não apenas uma, para que um bom resultado seja alcançado” em que a ideia não é “precisão, mas ser ágil e interativo, reconhecendo de forma instantânea padrões no decorrer do processo e tomando decisões inteligentes e oportunas”, a exemplo de escrever uma trama complexa para um romance.

Dadas as orientações para motivar e identificar o tipo de habilidade, a segunda seção se dedica a instruir o “desenvolvimento das habilidades” orientando como chegar à prática intensiva e fugir da prática superficial, enquanto que a terceira é direcionada ao “progresso contínuo”, através da manutenção do foco, da prática e da garra.

Ao longo destas três seções Coyle alia conhecimentos de neurociência – simplificadas para o leitor – com os resultados de suas investigações nas incubadoras de talentos que visitou e das entrevistas com instrutores competentes para orientar a preparação, a prática e o progresso da empreitada, nem sempre fácil, de desenvolver uma habilidade e, dessa forma, superar o mito do gênio, que afirma ser o talento algo inato, que nasce com a pessoa.

Esse livro ganhei de um dos meus alunos, mas demorei a lê-lo. Quando o fiz percebi que muitas daquelas ideias de fato podiam me ajudar, tato no desenvolvimento de meu trabalho como professor, mas principalmente na construção de meus blogs. Dicas como “é melhor praticar cinco minutos por dia do que uma hora por semana”, “dê preferência a simplicidade”, “abandone o relógio” ou “não fuja da luta” faz uma diferença enorme no que você pretende fazer, para que faça de forma verdadeira, engajada e com resultados. Para quem é INDISCIPLINADO como eu, é o livro certo porque diz o que fazer para quê, através do esforço e da repetição, você crie hábitos novos e que lhe levem ao lugar que pretende chegar. Por isso marquei as dicas que achei mais valiosas e conservo o livro na cabeceira da cama para tê-lo sempre à mão, junto com O Príncipe, de Maquiavel.

O segredo do talento é um livro de fácil consulta e de fácil entendimento. Segundo seu próprio conselho para melhorar como mentor, o autor buscou evitar discursos longos e transmitir a informação aos poucos e de forma clara. Por isso, muitas das dicas são recheadas de exemplos práticos retirados de suas investigações, e as teorias da neurociência que servem de suporte para suas explicações foram simplificadas a fim de que o leitor não tenha dificuldade de compreender exatamente aquilo de que necessita. Nada mais do que o essencial, eu diria.

Todavia, achei que no conjunto das dicas predominaram aquelas que são direcionadas as habilidades de alta precisão, o que não é meu caso. Por outro lado, isso tornou o livro matéria obrigatória para esportistas e musicistas, principalmente, mas também para profissionais que trabalham com atividades de alta precisão como no caso da dança, sobretudo clássica, e nas artes circenses. As demais dicas são valiosas tanto para as habilidades de alta precisão quanto as de alta flexibilidade, e que por si só já valem a leitura do livro.

De certo modo, o segredo do talento é um compêndio sobre o esforço e a dedicação para evoluir e ser melhor no que se faz ou para expandir e contemplar novos horizontes.

A edição lida é da Editora Sextante, do ano de 2014 e possui 128 páginas.




Mudando o tom da conversa

Bailarina, coreografa e professora, Dana Caspersen é também mediadora de conflitos de renome internacional. Especialista em mediação que usa a linguagem corporal para ensinar a mediação de conflitos em universidades, empresas e instituições na Europa e nos Estados Unidos, Dana também orienta sobre como trabalhar o conflito na família ou no local de trabalho até o diálogo com a comunidade sobre questões societárias. Dana ainda concebeu e dirigiu, em colaboração com comunidades, governos e fundações nos Estados Unidos, na Europa e no Reino Unido, vários diálogos públicos coreográficos de grande escala sobre temas desafiantes, desde a imigração até a violência.

Em Mudando o Tom da Conversa a autora estadunidense lista 17 princípios básicos para analisar e resolver conflitos, através da identificação e diferenciação de necessidades, interesses e estratégias, privilegiando a escuta em lugar do ataque e a mudança de linguagem para a construção de um diálogo útil e que leve a soluções e acordos possíveis.

Como docente o conflito é uma situação presente em meu dia a dia. Insatisfações, desinteresse, hierarquia e conflitos de interesses, de gerações, entre alunos e entre aluno e professor, entre responsável e aluno, entre responsável e professor. São situações delicadas que volta e meia o educador têm que lidar. Lidar com eles, porém é o grande desafio, principalmente, quando se trabalha com pessoas bem diferentes, com desejos e prioridades distintas, e, sobretudo, com um público que não enxerga o mundo da mesma forma que você. Lidar com conflitos é certamente algo que como professor tenho que estar em processo contínuo de reinvenção e aperfeiçoamento.

Quando ganhei este livro em um sorteio do Skoob percebi que era a chance de trabalhar minhas capacidades de mediação de conflitos, percebi também que ele seria mais um livro para estar sempre à mão, na cabeceira da cama, sobretudo, na mochila. Depois de fazer uma leitura preliminar percebo que de fato ele pode me ajudar nesse sentido.

Mudando o Tom da Conversa é uma leitura bem rápida e clara, mas que não se limita apenas a expor os 17 princípios elaborados pela autora. Mais do que isso, a obra busca trabalhar exaustivamente com exemplos e também com treinos para que o leitor tente pôr em prática a essência de cada princípio ensinado. Dessa forma além de apreendermos o conceito podemos visualizá-lo na prática em situações simuladas que contrapõem a reação indesejada que precisa ser mudada e a reação de quem segue o princípio proposto.

Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção para esse livro foi seu projeto gráfico com páginas em branco, vermelho e negro, com seções bem demarcadas e letras grandes para destacar os princípios e os antiprincípios que são confrontados. Contudo achei exagerado porque pelo seu conteúdo o livro de Dana poderia ser menor (menos páginas) e num formato pocket. Penso assim porque esse é um livro que o leitor deveria ter sempre à mão, para reestudar seus princípios, treinar e fixá-los melhor, no entanto, o tamanho e o peso do livro não contribuem para isso. Em formato de bolso seria melhor.

Ainda assim, Mudando o Tom da Conversa é um livro objetivo, cuja proposta é, de fato, trabalhar a reeducação de nosso posicionamento e reação frente aos conflitos do nosso dia a dia., tanto no trabalho como em nossa vida doméstica. Um livro essencial para o trabalho em grupo, com o público e para cargos de chefia e supervisão.

A edição lida é da Editora Sextante, do ano de 2016 e possui 272 páginas.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Últimas Postagens