sábado, 1 de dezembro de 2018

2018, o Ano do Japão no Conhecer Tudo - III Campanha Anual de Literatura do Conhecer Tudo



2016, o #AnoDaEspanha. 2017, o #AnoDoBrasil. 2018 o #AnoDoJapão.


Olá, caros leitores.

A Campanha Anual de Literatura do Conhecer Tudo (CALCT), o nosso projeto mais ambicioso, chega hoje em sua terceira edição. Fomos da Europa para América e agora aterrissando em terras asiáticas. A III CALCT inaugura o novo ano com um novo país para homenagear: o Japão, a terra do sol nascente.

Para quem não conhece o projeto principal do nosso blog, todo os anos, desde 2016, fazemos um itinerário de livros de um determinado país que é escolhido por votação pelos usuários do Google Plus. Para a enquete é pré-selecionados cinco países representando cada um dos cinco continentes do globo. Depois de escolhido o país a ser homenageado, fazemos um itinerário de livros de diferentes autores oriundos da nação homenageada e através de resenhas discutimos sobre os livros escolhidos, apresentamos seus autores e, em postagens especiais, discutimos os temas relacionados ao país e que surgem nos livros do itinerário: aspectos culturais, turísticos, históricos, sociais, etc.

Na pré-seleção para a III CALCT, cinco países estiveram na disputa: Austrália (Oceania), Cuba (América), França (Europa), Japão (Ásia) e Moçambique (África). Foram 3 meses de votação que contou com a participação de 382 pessoas. E com 35% dos votos o Japão foi escolhido para ser o país homenageado em 2018.

Durante doze meses, nos aventuraremos pela literatura nipônica. Olharemos de mais de perto para um país cheio de cultura secular que respira história e tradição enquanto se lança para a modernidade. Um país de beleza cultural e natural surpreendente.

Visitá-lo-emos pelo olhar de seus escritores e das obras por eles concebidos, conhecendo algumas das milhares de facetas do povo japonês através da literatura. E, em paralelo, falaremos também de filmes do cinema nacional.

É claro que assim como nos anos anteriores, nosso foco não será exclusivo para esta campanha, ainda mais que outros projetos exigem nossa atenção, mas será prioritário e a marca principal do Conhecer este ano.

Quem quiser dar sugestões de livros para o itinerário, fique à vontade para postar nos comentários.

Então é oficial, 2018 é o #AnoDoJapão no Conhecer Tudo e estaremos em páginas japonesas.

Atte.,
Conhecer Tudo,
01 de Janeiro de 2018, Ano do Japão.

Os livros do nosso itinerário resenhados até agora:
#1

Sobre os autores:

Filmes do nosso itinerário:
#1

Postagens Especiais do nosso itinerário:

Listas:
#1

Abaixo você pode localizar, no mapa do Japão, os locais onde se desenrolam as tramas dos livros lidos à medida que eles são resenhados, ou as cidades de origem dos escritores no caso de tramas que se desenrolam em outros lugares reais ou fictícios. Clicando nos ícones do mapa você pode saber mais sobre o livro resenhado e conferir imagens da capa e do local da história ou de nascimento do autor.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Conhecendo um pouco do Japão – Postagem Especial


Por Eric Silva

Nota: todos os termos com números entre colchetes [1] possuem uma nota de rodapé sempre no final da postagem, logo após as mídias, prévias, banners ou postagens relacionadas.

Está sem tempo para ler? Ouça a nossa resenha, basta clicar no play.



Yo!! Genki desu ka?

O Japão ou Nippon (日本) – seu nome em japonês – é um dos países mais fantásticos que conheço, principalmente pela forma como seu povo e sua cultura milenar resistiram por muito tempo a toda e qualquer influência estrangeira, mas, hoje, demonstram uma enorme capacidade de abraçar e caminhar em direção ao novo. Um país onde coexiste o tradicional, o exótico e o ultramoderno.

Como muitos ainda não sabem, em 2018, a III Campanha Anual de Literatura daqui do Conhecer Tudo homenageará o #AnoDoJapão. E todos os anos penso em fazer uma postagem especial falando sobre o país homenageado, mas, na verdade, nunca chego a fazer, erro que corrigirei em breve. E para quebrar esse tabu essa primeira Postagem Especial da campanha fará um panorama do Japão, apresentando um pouco de suas características naturais, culturais, sociais, econômicas e políticas.

Espero que gostem.

***

A terra do sol nascente: um pouco da geografia japonesa

Mapa do Japão
Com pouco mais de 370 mil km², o Japão é um pequeno arquipélago formado por quatro ilhas principais (Honshu, Hokkaido, Kyushu e Shikoku) e em torno de outras 3 mil ilhas menores[1], em sua maioria de origem vulcânica. Por ser localizado no extremo leste do continente asiático é muito conhecido também como a terra do sol nascente apelido que é ostentado em sua bandeira, o nisshōki (日章旗), onde é representado um disco vermelho, simbolizando o Sol, centralizado em um fundo branco.

Situado sobre o encontro de três placas tectônicas e também do Círculo de Fogo do Pacífico, o país é repleto de altas montanhas e cerca de oitenta vulcões ativos[2], além de ser diariamente atingido por terremotos de diferentes magnitudes. Em sua maioria os terremotos que atingem o Japão são imperceptíveis ou muito leves, porém alguns deles trouxeram sérios danos ao país. Um exemplo devastador destes abalos sísmicos aconteceu em 1995 e ficou conhecido como Sismo de Kobe ou Hanshin-Awaji Daishinsai (阪神・淡路大震災, Grande Sismo de Hanshin-Awaji). Neste abalo que alcançou a magnitude 6,9 na escala de magnitude de momento (MMS), 6434 pessoas morreram, em sua maioria moradores da cidade Kobe, a mais próxima do epicentro do sismo e a mais seriamente atingida pelos tremores.

Sakuras em flor no palácio Imperial de Tóquio. Imagem Wikimedia Commons.
A grande frequência com que abalos sísmicos ocorre em seu território obrigou os japoneses a direcionarem seus esforços para desenvolver uma engenharia que fosse capaz de suportar ao máximo esses intemperes naturais. Contudo, sua geologia instável também criou junto com o clima temperado de seu território um arquipélago com grandes belezas naturais como a formosura estonteante de milhares de sakuras (, cerejeiras) em flor, dos lagos em meio a montanhas formados pelo derretimento da neve, grandes vales e picos, rios agitados e cascatas tranquilas[3]. O clima em si é bastante rigoroso com invernos muito frios e nevascas abundantes além de verões muito quentes e chuvosos, mas as belezas naturais são inegáveis[4].

Porém a geografia física do Japão traz a sua população outros inconvenientes, um deles é a pequena quantidade de terras aráveis, consequência de seu território extremamente pequeno e acidentado.

As terras cultiváveis soma algo entorno de 16% do território, dificultando não só a atividade agrária e pecuarista como a construção civil. 50% dos grãos consumidos no país são importados e uma das poucas culturas em que o Japão é autossuficiente é o arroz, principal alimento da população.

Terraços de arroz de Ueyama em Ojiro no Verão. Imagem Wikimedia Commons
Com a carência de terrenos planos para a agricultura, no Japão, assim como em muitos países asiáticos, é comum vermos o cultivo por terraceamento, tanada (棚田)[5], terraços para a plantação de arroz que sobem as encostas das montanhas e que lembram verdadeiros jardins. Contudo, com o avanço da tecnologia que permite uma maior produção usando menos espaço, somado ao envelhecimento da população, vem ocorrendo o abandono progressivo dessa atividade que demanda não só muito esforço físico como o despendimento de uma grande quantidade de tempo.

Por sua vez, no que tange à habitação, a carência de terrenos planos nas cidades maiores somada a superlotação e a especulação mobiliária faz com que o metro quadrado chegue a preços altíssimos em cidades como Tóquio, a grande e populosa capital japonesa. Por conta disso, muitos japoneses de Tóquio vivem em casas e apartamentos pequenos para o padrão brasileiro ou em residências com dois andares para compensar o tamanho reduzido do terreno. Contudo, em cidades menores as casas e apartamentos costumam variar bastante de tamanho.

Já que falamos em agricultura, outra atividade econômica de grande importância no Japão é a pesca. A criação de gado no Japão é limitada e a pouca oferta de terras agricultáveis levou os japoneses a buscar no mar a sua principal fonte de alimento[6]. O país além de ser o segundo maior produtor de pescado do mundo sua produção pesqueira responde por quase 15% da pesca mundial[7]. É por conta dessa enorme produção de pescado e da grande variedade de frutos do mar disponíveis que na sua culinária encontramos centenas de pratos cujos principais ingredientes vêm do mar. Entretanto, a alimentação japonesa ainda conta com outros importantes ingredientes básicos como o arroz, as algas marinhas, a soja e seus derivados, além de vegetais e legumes[8].

O povo japonês

Japoneses durante a celebrações do festival Hanami embaixo das árvores sakura (cerejeiras) no parque Ueno, em Tóquio 
Os japoneses costumam ser bastante tímidos e reservados além de discretos e cautelosos, mas a meu ver as características que mais se sobressaem são a educação, o senso de coletividade e o profundo respeito ao espaço do outro que se manifesta sobretudo na etiqueta japonesa. É claro que ao dizer isso corro o risco de generalizar, mas é algo que se sobressai em quase tudo que vejo e leio sobre os japoneses.

Eles são, em sua maioria, de fato tímidos e reservados e costumam se expressarem mais por gestos e atitudes[9]. Certos hábitos comuns no Brasil não são corriqueiros no país e podem causar desconforto e constrangimento a exemplo de abraços e beijos em público. Além disso, eles costumam tratar as pessoas com diferentes e crescentes graus de formalidade e que variam da situação cotidiana à posição social ou hierárquica, passando também pelo quanto se é íntimo e se a pessoa abordada permite a você um maior grau de intimidade.

Acho bem visível essa formalidade, que é uma das principais marcas da educação japonesa, na forma como as pessoas chamam umas às outras. Dificilmente um japonês chamará uma pessoa pelo primeiro nome a menos que essa tenha pedido que o fizesse. É preciso ser bastante íntimo ou parente próximo para chamar um japonês por seu primeiro nome. O corriqueiro é referir-se a pessoa por seu sobrenome acrescido de um dos muitos títulos honoríficos como –san (o mais comum), –senpai (usado para colegas mais velhos em escolas, empresas e clubes esportivos) e –sama (usado para pessoas em posições elevadas de uma certa hierarquia)[10]. Mas outros títulos que denotam maior aproximação também são usados, porém o seu emprego correto é essencial para evitar situações constrangedoras.

Contudo, em grande parte a atitude de reserva do japonês está ligada ao profundo respeito que eles têm em relação ao espaço e a privacidade do outro. Não gostam de ser inoportunos e também por isso atitudes extremadas de intimidade com pessoas estranhas costumam ser evitadas. Mesmo entre pessoas conhecidas há um costume de se evitar uma intimidade que a outra possa julgar excessiva ou incômoda. Intrometer-se na vida alheia é outra questão que os nipônicos costumam evitar. E no sentido oposto evitam também que seus problemas afetem outras pessoas. É daí que parte o senso de independência pelo qual são mundialmente conhecidos.

Contudo, se a individualidade é algo importante, o trabalho em equipe também é bastante valorizado e é uma marca cultural muito forte. Os japoneses possuem um espírito de coletividade que falta em muitos países ocidentais. No trabalho em grupo a harmonia do conjunto é lago importante que precisa ser preservado[11].

Outra característica interessante da sociedade nipônica que é destacada por Silvia Kawanami[12] do Japão em Foco, é a sua paciência e resiliência. Segundo a autora os japoneses são bastante pacientes nas situações de seu cotidiano como a espera em uma fila. Afirma a autora que é muito incomum um japonês se exaltar quando ocorre, por exemplo, uma demora no atendimento.

Silvia destaca também a grande capacidade da sociedade japonesa de lidar com seus problemas, vencendo os obstáculos impostos, e não cedendo à pressão. Além disso, afirma que eles possuem outra importante característica: a de buscarem dar o melhor de si e oferecer todo o seu potencial, ou seja, ter comprometimento com o que fazem.

Na verdade, são muitas as características que ainda poderia enumerar em relação ao povo japonês, que culturalmente é bastante singular e fascinante. Contudo para não em estender demais a postagem, passeemos ao último tópico.

O antigo e o novo: monarquia, tradições e modernidade

O Imperador japonês, Akihito. Ascendeu ao trono em 1989
dando inicio a era Heisei. Imagem Wikimedia Commons.
Politicamente, o Japão ainda é uma monarquia de caráter constitucional, mas o poder do atual Imperador do Japão, Akihito, é bastante limitado. A verdade é que mesmo tendo um monarca o país é governado por um primeiro-ministro eleito pelo voto popular – atualmente Shinzō Abe –, assim como acontece, por exemplo, no Reino Unido.

Com Akihito deu-se no país o começo de uma nova era, o Heisei (平成), marcado principalmente pela atitude pacifica e conciliador do atual tennō (天皇, imperador) em relação aos antigos rivais do Japão, a exemplo da Rússia e da China[13].

A monarquia no Japão começou ainda nos primórdios de sua história quando povos oriundos da Sibéria se fixaram no arquipélago no século III d.C.[14] O império, porém, perduraria só até o século XII, quando fora instaurada uma ditadura militar que ficaria conhecida como xogunato (幕府).

O xogunato duraria por sete séculos e durante dois deles o país se manteria fechado para as nações estrangeiras. O poder imperial seria restabelecido apenas em 1868.

Hoje, o Japão é não só politicamente muito diferente da época dos samurais (), daimiôs (大名)[15] e shōguns (将軍)[16], mas social, cultural e economicamente distinto e busca um caminho para aliar tradição e modernidade.

Castelo de Himeji, também conhecido como Hakurojō ou Shirasagijō.
Localizado na cidade de Himeji, Província de Hyogo, no Japão.
Imagem Wikimedia Commons.
Nas relações de trabalho, na forma de encarar a vida em sociedade e ver o mundo, nas várias regras de etiqueta, na forma de reverenciar e cumprimentar, ou no ato de tirar os sapatos ao chegar em casa, ou ainda nos templos e santuários antigos, muitos são os aspectos da vida do japonês que se encontram carregados de tradições silenciosas. Não é apenas a arte do ikebana (生け花)[17] ou do Shodō (書道, a caligrafia tradicional japonesa). Não é apenas os olhos maquiados das poucas gueixas ainda existentes, os imensos castelos que testemunham um passado longínquo ou a produção tradicional do mochi ()[18] exibido para os clientes e turistas no ano novo. Muito do que existe no Japão remota a sua história e cultura milenar que entra em conflito com o novo, com o moderno, e ao mesmo tempo tenta ora absorvê-lo, ora com ele contrastar.

Há entorno de 100 anos, quando a Europa já era um continente altamente industrializado, o Japão ainda era essencialmente agrário. Suas únicas “indústrias” possuíam um processo de produção altamente artesanal e manual, modelo de produção que em geografia chamamos de manufatura. Hoje o Japão é a terceira maior economia do mundo com um PIB de 4.938,64 bilhões de dólares (2016)[19]. É também um dos países mais industrializados e modernos. Socialmente o Japão ainda possui um elevado padrão de vida com IDH de 0,884 (2010, 11ª posição do ranking)[20] e a maior expectativa de vida do planeta (83,6 anos, 2014)[21].

Falando em modernidade. A tecnologia é algo que chama muito a atenção do mundo quando se fala em Japão. No país ela é empregada em muitas atividades para facilitar o dia a dia da população, sobretudo, no que diz respeito aos transportes. Além disso, os cientistas japoneses demonstram um profundo interesse no avanço tecnológico. Ali foram desenvolvidos alguns dos transportes mais velozes do mundo, a exemplo dos trens de alta velocidade (超特急 chō-tokkyū) que formam a rede ferroviária de alta velocidade japonesa (新幹線, Shinkansen).

O trem de alta velocidade (trem bala). Na imagem temos um dos trens da linha Tokaido Shinkansen, com o Monte Fuji ao fundo. Imagem: Wikimedia Commons.

Há ainda no setor tecnológico outro seguimento que vem ganhando destaque: a robótica. Na vanguarda do setor, a tecnologia de robótica japonesa pode ser considerada a mais avançada, além de ser o país que mais investe na aplicação desta tecnologia no setor industrial. Protótipos de robôs para a indústria e até mesmo para uso doméstico são criados todos os anos e muitos já são empregados em atividades anteriormente realizados pelo trabalho humano.

Quando se soma tantos avanços tecnológicos com a crescente aproximação com a cultura ocidental sobretudo europeia e estadunidense os aspectos culturais tradicionais cultivados por qualquer povo sofre estremecimentos.

A cultura e o modo de pensar ocidental tem encontrado boa recepção e adeptos no Japão não apenas no mundo dos negócios, onde vem deixando os ambientes cada vez mais competitivos, mas principalmente entre os mais jovens que são ávidos consumidores de cultura ocidental.

Como vem acontecendo com todos os povos do mundo, sobretudo após o forte processo de globalização da economia, algumas tradições japonesas estão morrendo, outras tantas estão sendo reinventadas ou substituídas pela influência estrangeira. Todavia, ainda são muitos os japoneses que tentam manter vivos alguns dos principais elementos de sua cultura milenar e que atrai milhões de turistas todos os anos.

Enfim, O Japão é um país singular e muito interessante e não cabe inteiramente nessa postagem relativamente superficial. Ao longo de 2018, o #AnoDoJapão, conheceremos melhor esse país e seu povo através da leitura dos livros que farão parte do itinerário da III Campanha Anual de Literatura do Conhecer Tudo. Venha conosco nessa viagem pela terra do sol nascente.

Arigatou e ittekimasu!


Abaixo você confere o vídeo Japan: Where tradition meets the future que faz um lindo panorama do país.





Postagens Relacionadas

2018 #AnoDoJapão - Os autores que estamos lendo

Nosso Itinerário: livros resenhados


Listas e Postagens Especiais


Cinema









[1] Almanaque Abril 2006.
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Jap%C3%A3o#Geografia
[3] Enciclopédia Conhecer.
[4]Idem.
[5] http://www.japaoemfoco.com/os-mais-belos-terracos-de-plantacoes-arroz-do-japao/
[6] Enciclopédia Conhecer.
[7] https://pt.wikipedia.org/wiki/Jap%C3%A3o#Economia
[8] http://www.japaoemfoco.com/alimentacao-e-dieta-japonesa/
[9] https://skdesu.com/como-sao-os-namoros-japoneses-relacionamento-no-japao/
[10] https://skdesu.com/titulos-honorificos-japoneses-san-chan/
[11] http://www.japaoemfoco.com/por-que-o-japao-e-um-exemplo-para-outros-paises/
[12] Idem.
[13] https://pt.wikipedia.org/wiki/Akihito
[14] Enciclopédia Conhecer
[15] Senhor de terras no Japão pré-moderno.
[16] Título e distinção militar usado antigamente no Japão durante o período dos xogunatos.
[17] A arte japonesa de arranjos florais, também conhecida como kado (華道 ou 花道)
[18] Bolinho feito de arroz glutinoso moído em pasta e depois moldado.
[19] http://www.funag.gov.br/ipri/index.php/indicadores/47-estatisticas/94-as-15-maiores-economias-do-mundo-em-pib-e-pib-ppp
[20] http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/japao-1.htm
[21]https://www.terra.com.br/noticias/mundo/noruega-lidera-idh-japao-tem-maior-expectativa-de-vida,15f63d52cb567410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Para Sempre Alice – Lisa Gênova – Resenha


Por Eric Silva

Nota: todos os termos com números entre colchetes [1] possuem uma nota de rodapé sempre no final da postagem, logo após as mídias, prévias, banners ou postagens relacionadas.

Diga-nos o que achou da resenha nos comentários.

Está sem tempo para ler? Ouça a nossa resenha, basta clicar no play.




Uma doença devastadora contada de forma magistral, esse é o Para Sempre Alice, livro escrito por Lisa Genova e que se tornou filme em 2015. Neste livro a escritora estadunidense escreve um retrato fiel e comovente do mal de Alzheimer descrevendo através da história da fictícia pesquisadora Alice Howland, os meandros de uma doença que apesar de relativamente comum é ainda muito desconhecida do público geral.

Confira a nossa resenha do livro.

Sinopse

Na tocante narrativa de Para Sempre Alice, Lisa Genova narra a história de Alice Howland, professora e pesquisadora brilhante e bem-sucedida da universidade de Havard. Dona de uma memória prodigiosa, Alice jamais imaginaria que quando alcançasse os cinquenta anos começaria a esquecer. No início, coisas banais, pequenas tarefas até não conseguir lembrar o caminho de volta para casa.

Angustiada a professora procura ajuda médica e é surpreendida com um diagnóstico de mal de Alzheimer de instalação precoce, uma doença degenerativa incurável. Pouco a pouco sua vida vai mudando e ela vai perdendo a capacidade de manter suas atividades cotidianas e é obrigada, junto com sua família, a aprender a conviver com a doença e seus dilemas.

Resenha

Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAZ), o mal de alzheimer é uma enfermidade incurável, de caráter degenerativa e com evolução progressiva, e que por muito tempo foi confundida com “esclerose” ou “caduquice”.

Com maior ocorrência entre a população idosa, o alzheimer a provoca a perda de funções cognitivas como a memória, a capacidade de orientação, atenção e da linguagem, em decorrência da morte das células do cérebro (idem). Uma doença devastadora que pouco a pouco vai tirando a autônoma do paciente incapaz de reter, em sua memória recente, informações sobre fatos que ocorreram a pouco.

Enredo

Com um conhecimento profundo sobre a evolução e instalação da doença além de uma sensibilidade ímpar para narrar dramas familiares e pessoais, a autora estadunidense Lisa Genova conta em Para Sempre Alice os desafios enfrentados por Alice Howland, uma proeminente professora de psicologia da Universidade de Harvard, e por sua família, quando Alice é diagnosticada como portadora de mal de Alzheimer tendo apenas 50 anos de idade.

Dedicada cientista e professora universitária, assim como seu esposo John, Alice era realizada profissionalmente e muito respeitada em seu meio de atuação, uma referência dentro de seu campo de trabalho. Em Harvard, era reconhecida e admirada por alunos e colegas de trabalho pela sua competência e dedicação à docência bem como pelos estudos que conduzia na área de psicologia e linguística.

Por seu próprio exemplo e do marido, ela sempre desejou que seus três filhos, Anna, Tom e Lydia, seguissem caminhos parecidos e enveredassem por carreiras profissionais seguras e de sucesso. Conseguiu com os dois mais velhos, contudo seu desejo não se concretizou com a caçula que preferira o teatro a ingressar em uma boa faculdade como desejava sua mãe. Por conta disso, Alice e Lydia estavam sempre em atritos.

Entretanto, a vida de Alice conhece uma grande reviravolta quando pequenos lapsos de memória alcançam o ápice de deixá-la completamente perdida durante uma corrida matinal. Completamente incapaz de reconhecer os pontos de referência do lugar onde estava, Alice esquece momentaneamente qual era o caminho para a sua casa. Apreensiva com os problemas causados pelas falhas de memória crescentes, a professora decide procurar ajuda médica e é diagnosticada como portadora de mal de Alzheimer de instalação precoce.

Minha opinião

A autora. Lisa Genova é estadunidense e além de escritora é neurocientista.
Para Sempre Alice é seu livro de estréia, autopublicado
e posteriormente adquirido pela Simon & Schuster. 
Para Sempre Alice é um livro muito bem escrito que você lê rapidamente. Com sensibilidade e extrema habilidade, a autora tece toda a sua narrativa descrevendo minuciosamente as fases e o percurso de evolução da doença de Alice, evolução que se dá de forma natural e gradativa, bastante realista.

Vemos como gradualmente Alice vai perdendo suas funções, sua capacidade de reter informações novas até alcançar um ponto em que já não mais reconhece os membros de sua própria família. Como uma tecelã que vai tramando cada fio com cuidado e perícia, Lisa Genova constrói um retrato detalhado do cenário de quem só espera o momento em que a doença prevalecerá e tudo a sua volta já não terá significado.

Alice é inicialmente caracterizada como uma mulher forte e muito decidida, acostumada a uma rotina de trabalho estressante, mas que se encontrava em seu total controle. Contudo, com o progresso da doença sua rotina e prioridades vão sendo sensivelmente alteradas e a autora consegue dar ao seu personagem o estado de espírito de alguém que aos poucos vai se perdendo, afundando na angustia de ver que algo está errado consigo e deparando-se com a impotência de poder parar o processo.

Quando gradativamente Alice vai se dando conta de que está esquecendo coisas corriqueiras, banais e até importantes de sua vida, o estado em que vai se pondo é o daquele que tenta se agarrar às lembranças e resgatar o que havia esquecido, ao mesmo tempo em que luta para aproveitar os últimos momentos de lucidez que lhe resta. Para demarcar esse avanço da doença, Lisa acrescenta a trama um hábito adquirido por Alice de todas as manhãs responder algumas perguntas, cujas respostas a cada dia se tornavam mais incompletas e imprecisas demonstrando o grau de demência alcançado pela personagem.

No final, todo o processo de progresso da doença de Alice é descrito com maestria por Lisa, que ainda esboça um grande talento para unir e intercalar a descrição do fato e a exposição dos pensamentos dos personagens, sem, no entanto, fazer desse recurso o estilo único ou principal de sua narrativa. Por vezes a narrativa se mistura aos pensamentos de Alice e a conclusão é como se pudéssemos literalmente vivenciar o que sente, o que pensa, o que deseja e, principalmente, o que sofre uma pessoa diagnosticada com Alzheimer, sobretudo quando ainda se é tão jovem como a protagonista.

Por fim, a autora ainda se preocupa em descrever outra importante dimensão da doença: a família. Vemos como os cuidados com uma Alice cada vez mais dependente vai afetando os filhos e o marido, as dificuldades de John em aceitar que sua esposa era portadora da doença e também a forma como a família passa a decidir a vida de Alice por ela.

Por todas essas coisas esse livro é um quadro completo para o entendimento do mal de Alzheimer. Por ser tão informativo é uma leitura muito indicada para os portadores da doença e também para seus cuidadores por tratar de várias dimensões da doença: as causas, os sintomas, os dilemas de cuidar de um doente que nem mesmo reconhece seus familiares e se perde facilmente, os tratamentos, mas principalmente a dimensão humana e afetiva do doente e de seus familiares.

Em 2015, o livro foi adaptado para o cinema com Julianne Moore no papel de Alice, o que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz.

A edição lida é da Editora Nova Fronteira, do ano de 2009 e possui 283 páginas. Abaixo você pode conferir uma prévia do livro disponível no Google Books.

Prévia do Google Books

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