quarta-feira, 31 de maio de 2017

Deuses Esquecidos – Eduardo Kasse – Resenha

Por Eric Silva

Nota: todos os termos com números entre colchetes [1] possuem uma nota de rodapé sempre no final da postagem, logo após as mídias, prévias, banners ou postagens relacionadas.
Diga-nos o que achou da resenha nos comentários.

Sexto livro da campanha do #AnoDoBrasil, Deuses Esquecidos dá continuidade a série Tempos de Sangue, de autoria do escritor brasileiro, Eduardo Kasse. Uma história de vampiros que se passa em plena era de domínio da igreja católica na Europa medieval. Independente do primeiro livro da série Deuses Esquecidos narra as aventuras de um camponês italiano que se torna vampiro e tem sua vida virada do avesso. Dividido entre sua fé e a nova condição que lhe é imposta, Alessio segue em sua jornada por entender quem ele é agora e qual o seu lugar no plano divino. Deuses Esquecidos é a continuação de uma série que esbanja crítica e erotismo, mesclando o cotidiano, a violência e o fanatismo de uma era com o que há de melhor na literatura clássica sobre vampiros, sem perder a originalidade, é claro.

Confira a resenha do sexto livro da campanha anual de literatura e que nesse ano homenageia a literatura do Brasil.

Sinopse

Alessio é um camponês humilde e até um pouco simplório, que do mundo só conhecia o que a fé e sua vida pacata de lavrador permitiam. Desde muito novo começou a trabalhar nos parreirais da abadia de Nicola, e com uma certa idade casou-se e teve um único filho, Lino.

Muito religioso, vivia de forma simples, mas se julgava feliz pelas dádivas que Deus lhe concedia. Apesar disso, tudo muda quando Alessio é vítima do ataque de um homem misterioso e se transforma em um vampiro, uma raça cuja existência ele ignorava.  Atormentado e acreditando sofrer de algum mal terrível, Alessio abandona tudo e parte em busca de respostas para sua nova condição e para as sombras e dúvidas que esta lança sobre seu coração. Nesta busca, o camponês passa a vagar pela Itália medieval com destino a Roma e, na companhia de Lúcio, um monge glutão que lhe dá apoio em sua jornada, descobre as vantagens e os dissabores de ser um imortal.

Resenha                                                                                              

No ano passado li O Andarilho das Sombras, primeiro livro da série Tempos de Sangue, de autoria do brasileiro Eduardo Kasse, e que narra a história e as aventuras do vampiro Harold Stonecross antes e depois de seu renascimento. Um livro fantástico que me incentivou a procurar outras obras dessa nova geração de escritores nacionais que se dedicam ao gênero fantasia.

De lá para cá, venho tentando dar continuidade a série que foi concluída ano passado com a publicação de seu quinto volume, Ruínas na Alvorada. Entretanto, minha agenda em 2016 esteve tão cheia que o projeto de ler Deuses Esquecidos ficou para 2017, o #AnoDoBrasil. De certa forma esse atraso foi bom, porque depois de tanto tempo e com a possibilidade de aproveitar o tema da nossa campanha literária anual, nada mais justo que, pelo menos, um livro da série fizesse parte do nosso itinerário pela literatura brasileira.

Ao contrário do que se pode pensar, o segundo volume de Tempos de Sangue não dá continuidade a história do protagonista do livro anterior, Harold. Inclusive, Stonecross é apenas citado no livro, já no fim da narrativa de Deuses Esquecidos. Em lugar de ser uma continuidade, Kasse preferiu apresentar aos seus leitores um personagem novo, Alessio, que, acredito eu, ainda terá uma participação importante no transcorrer da série.

Ainda que Deuses Esquecidos preserve alguns elementos que são marcantes na narrativa de O Andarilho das Sombras, como a forte crítica religiosa e o erotismo da narração, por outro lado, as duas obras se distinguem em muitos outros aspectos, o que torna Deuses Esquecidos um livro um tanto distinto do primeiro.

A primeira mudança está no tempo da narrativa que não recorre a flashbacks e centra-se apenas no presente de seus personagens. A segunda é a alternância de focos narrativos onde o autor recorre a primeira pessoa para dar voz aos pensamentos e sentimentos de Alessio, e lança mão de um narrador onisciente para relatar os fatos que se passam com os demais personagens da narrativa.

Contudo a mudança mais importante está na proposta para o protagonista. Em O Andarilho das Sombras somos apresentados a um vampiro experiente, sarcástico e soberbo cuja existência já atravessara muitos séculos. Em contrapartida, Alessio, além de temeroso e de fé arraigada, é um mero iniciante. O mais interessante dessa mudança está na oportunidade de conhecermos os conflitos vividos e as descobertas realizadas pelo recém-criado, vemos como ele conserva ainda muito de sua humanidade e como esta vai dando lugar a uma outra forma de ver o mundo. É interessante também ver como Alessio busca adequar a sua nova condição às suas crenças, buscando lacunas nas interpretações da fé cristã para sentir-se parte do plano divino, quando, porém, suas ações parecem se distanciar disso e sua própria fé por vezes se demonstra vacilante.

Dentre os personagens que figuram os mais importantes da narrativa, os que mais me chamaram a atenção foram a vampira Tita e o monge Ugo, o carnefice[1]. Eles dois ocupam os lugares, respectivamente, do personagem mais curioso e do mais sádico.

Nascida ainda no período de domínio do Império Romano, Tita é uma garota vampira poderosa e travessa, um personagem difícil de caracterizar de tão especial e singular. Logo de início, Tita, ou raposa, como gosta de ser chamada, nos faz lembrar de uma ninfa, uma entidade do campo vivendo isolada na beirada de penhascos, mas logo o seu jeito travesso deixa tudo mais complexo.

A personagem tem um jeito de criança indócil, que se mescla com lampejos de sabedoria madura, um jeito ora relaxado e sem temor ou pudor que por vezes se torna enigmático. Um personagem que se coaduna[2] com duas realidades nem sempre harmônicas: o universo campesino europeu e aquele criado pelas histórias mais comuns do vampirismo.


"– Desculpe a minha falta de educação – disse estendendo a mão para me cumprimentar. – É que faz muito tempo que não recebo visitas. Sou Tita Domitius Lentiginius, sua criada. Mas pode me chamar de Raposa.
– Sou Alessio di Ettore – falei hesitante. – E pode me chamar de... Alessio – corei. – Não queria ter invadido a sua casa. É que...
– Eu sei, eu sei – respondeu com um sorriso. – Quando o Sol nasce é um Deus nos acuda, não é? – piscou.
Olhei para ela com as sobrancelhas franzidas.
– Não precisa desconfiar, meu amigo, somos da mesma laia.
– Não estou entendendo nada.
– Somos o mesmo tipo de criatura. Nem homem, ou mulher. Nem demônio, nem anjo... – disse com o olhar divertido. – Somos caçadores da noite.
– Eu não sei o que sou...
– Hum... Então as minhas esperanças em descobrir algo foram por água abaixo – gargalhou.
Até que a menina é bonita. Pensei.
– Eu estou tão confuso...
– Com certeza é por causa da sede – foi até o corredor. – Venha, vamos beber algo.
Segui-a ainda ressabiado.
Deveria ter corrido, sumido penhasco abaixo. Mas, sinceramente, não sentia medo. Não via qualquer ameaça naquela garota franzina e de pele tão clara que parecia ser feita de cal salpicado com barro vermelho.
Saímos da gruta e o ar fresco da noite me fez bem. Uma lufada úmida e revigorante. Estiquei a coluna e escalei a parede de pedra atrás da garota. Ela subia com uma agilidade impressionante, tal qual um gato escala um tronco de uma árvore.
Às vezes, ela parecia flutuar.
– Graciosa ela – sorri."


Por sua vez, Ugo é um monge que trabalha como uma espécie de inquisidor e que tem por missão caçar Alessio mesmo que deixe um rastro de mortes e crimes pelo caminho. Um ex-combatente que encontrou na histeria religiosa o canal perfeito para dar vazão a sua brutalidade. O típico sínico e sádico que usa a Igreja para justificar sua selvajaria e a autoflagelação como punição para crimes imperdoáveis e pecados que jamais um membro do clero deveria fazer.

Deuses Esquecidos possui vários outros personagens que figuram diversas facetas da realidade medieval e, dentre eles, os órfãos da floresta são para mim os mais nostálgicos, porque me fizeram recordar as travessuras e aventuras de Harold e Edred quando ainda eram crianças. Dois espíritos verdadeiramente livres.

A edição está perfeita. Acho inclusive que a arte dos livros da série são dos mais bonitos da Editora Draco. Com arte de Ericksama, as capas dos livros de Kasse rivalizam apenas com a arte da série de Império de Diamante, de J. M. Beraldo, e do Baronato de Shoah, de José Roberto Vieira.

Por fim, só tenho uma crítica ao livro. Não sei nem se estou certo em dizer isso, porque é só uma impressão da minha experiência com as narrativas do primeiro e do segundo livro. Mas, comparando com O Andarilho das Sombras senti que a narrativa de Deuses Esquecidos foi mais apressada.

A história de Harold foi construída de forma bem mais detalhada e com vários acontecimentos que descreveram seu passado e seu presente, delineando cada faceta do personagem e muitas de suas andanças. Um livro incrível, apaixonante mesmo. Porém, em Deuses Esquecidos faltou um pouco mais de profundidade. Ainda que seja uma boa história me deixou a impressão de que poderia ter mais da vida de Alessio antes do renascimento (não que seu passado não tenha sido relatado). Senti falta também de uma abordagem maior em relação a vida e o passado de Lúcio e dos monges da abadia de Nicola.

O autor
Sou muito curioso sobre o passado dos personagens dos livros que leio e, por isso, não me incomodo com histórias longas e detalhadas, de muitos capítulos. Por exemplo, meu livro predileto é Os Miseráveis, mas algo que me irrita na narrativa de Victor Hugo é o pouco que sabemos da vida de Jean Valjean antes dele ser preso nas galés. Em compensação, acompanhamos o restante de sua vida.

Kasse alimentou essa minha curiosidade com seu primeiro livro. Por isso senti falta de conhecer mais de Alessio, de Lúcio, de Nicola, histórias e aventuras do passado. Minha identificação com Harold veio justamente de conhecê-lo intimamente. Acredito que quando conhecemos o passado de alguém nos tornamos mais próximos dele.

Alessio é uma proposta de personagem interessante por partir da perspectiva de um vampiro recém-criado que ainda carrega consigo as crenças de sua outra vida. Isso o tornou mais humano, mas eu gostaria de tê-lo acompanhado por mais tempo, antes e depois do renascimento.

Entendo, porém, que o foco era justamente o contrário. O foco está na transição sofrida pelo personagem, no começo da vida como imortal, nas descobertas e no mundo novo que se abre com todo os seus dilemas. Ainda assim a sensação de “pressa” no desenvolvimento dos personagens e da própria narrativa não se desfez, ainda mais quando penso no desenvolvimento de Lino e dos órfãos da floresta. Na minha modesta opinião, Harold foi gestado com mais calma e riqueza que Alessio e a maioria do séquito de personagens de Deuses Esquecidos. Contudo é só a impressão que tive.

De toda forma, estou ansioso por Guerras Eternas que, segundo a sinopse, será o encontro dos principais filhos da noite da série. Será o reencontro com Harold e tudo indica que a narrativa será épica!

A edição lida é da Editora Draco, do ano de 2013 e possui 214 páginas. Abaixo você pode conferir uma prévia do livro disponível no Google Books.

Quer saber mais sobre o autor? Confira nossa postagem sobre os autores que estamos lendo na campanha (Clique Aqui).

Prévia do Google Books



[1] Italiano, originário do tatim carnifex: carrasco, torturador, perseguidor, assassino brutal. Carrasco (Wiktionary, 2017).
[2] Pôr(-se) em harmonia, conformar(-se), combinar(-se) (Houaiss, 2001).

terça-feira, 30 de maio de 2017

2017 #AnoDoBrasil - Os autores que estamos lendo


Ana Lúcia Merege

Nascida em 1969, na cidade do Rio de Janeiro, Ana Lúcia Merege é romancista e bibliotecária. Possui mestrado em Ciência da Informação, pelo IBICT/UFRJ-ECO, tendo defendido, em 1999, sua dissertação intitulada O livro impresso: trajetória e contemporaneidade. É também formada em Biblioteconomia pela UNIRIO e, desde 1996, trabalha no Setor de Manuscritos da Biblioteca Nacional, onde atua no trabalho com material original, fontes primárias, identificação de documentos e organização de exposições.

Seu primeiro romance publicado, O Caçador (2009), foi também o primeiro do gênero fantasia escrito pela autora que desde então vem se dedicando a organização de diversas coletâneas do gênero, além de contos e romances. Suas principais obras estão ligadas ao universo de Athelgard, criado pela escritora para ambientar sua mais recente trilogia que se inicia com o romance O Castelo das Águias e ganha sequência com os livros A Ilha dos Ossos e A Fonte Âmbar, todos publicados pela editora paulista Draco.

Com vasta experiência com manuscritos e forte interesse pela história do período medieval, Merege foi responsável ainda, na mesma editora, pela organização das coletâneas Excalibur: histórias de reis, magos e távolas redondas e Medieval: Contos de uma era fantástica, este último em parceria com o escritor brasileiro Eduardo Kasse.

A escritora ainda ministra cursos e palestras em instituições e escolas.




Milton Hatoum 

Escritor, tradutor e professor brasileiro, Milton Assi Hatoum nasceu em 19 de agosto de 1952, em Manaus, capital amazonense. Em 1967, mudou-se para Brasília onde estudou até 1970, se mudando daí para São Paulo, onde se diplomou arquiteto e urbanista e depois foi perseguido pelo DOPS da ditadura por envolvimento com o Diretório Central dos Estudantes da USP (DCE-USP). Durante parte da década de 1980, estudou na Espanha e na França e ao regressar tornou-se professor de literatura francesa na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) por quinze anos (1984-1999).

Descendente de libaneses, escreveu quatro romances premiados. Seu primeiro romance, Relato de um Certo Oriente foi publicado pela primeira vez ainda em 1989, quando o autor tinha 37 anos, e foi ganhador do prêmio Jabuti de melhor romance. Em 2001, foi um dos finalistas do Prêmio Multicultural do Estadão, por conta do seu segundo romance, Dois Irmãos, publicado em 2000. Em 2005, seu terceiro romance, Cinzas do Norte, obteve o Prêmio Portugal Telecom, Grande Prêmio da Crítica/APCA-2005, Prêmio Jabuti/2006 de Melhor romance, Prêmio Livro do Ano da CBL, Prêmio BRAVO! de literatura. Em 2008, recebeu do Ministério da Cultura a Ordem do mérito cultural. Em 2010, a tradução inglesa de Cinzas do Norte (Ashes of the Amazon, Bloomsbury, 2008) foi indicada para o prêmio IMPAC-DUBLIN.

Sua obra foi traduzida em doze línguas e publicada em catorze países. Teve ensaios e artigos sobre literatura brasileira e latino-americana publicados em revistas e jornais do Brasil, da Espanha, França e Itália, além de contos publicados em importantes revistas da Europa, EUA e México. Hoje, o autor é também colunista do Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo.

Site oficial: http://www.miltonhatoum.com.br/
Livros dele no blog: Dois Irmãos.



Gerson Lodi-Ribeiro

Nascido em 8 de Julho de 1960, no Rio de Janeiro, Gerson Lodi-Ribeiro é escritor de ficção científica e já escreveu sob o pseudônimo de "Daniel Alvarez" e "Carla Cristina Pereira. Foi oficial da Marinha do Brasil e possui formação como engenheiro eletrônico e astrônomo, além de pós-graduação em Vinho e Cultura.

Como escritor publicou seus primeiros contos em fanzines ainda na década de 1980, mas teve sua estreia profissional com a publicação da noveleta Alienígenas mitológicos, em 1991, na revista estadunidense Isaac Asimov Magazine, onde também publicou, em 1993, A ética da traição, conto que foi publicado ainda na revista francesa Antares, Science-Fiction & Fantastique Sans Frontieres.

Segundo o portal da editora portuguesa Saída de Emergência, tornou-se o primeiro autor brasileiro de ficção científica a ter mais de um conto na revista Isaac Asimov Magazine, sendo que A ética da traição também foi o primeiro trabalho de história alternativa no âmbito da ficção científica brasileira.

Foi presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica (CLFC) por dois mandatos consecutivos e, entre os anos de 2004 e 2010, trabalhou no desenvolvimento do universo ficcional do game Taikodom.

Ainda em 1996, recebeu o Prêmio Nova de Melhor Trabalho de Ficção Científica e Fantasia pela obra O Vampiro de Nova Holanda publicada em Portugal pela editora Caminho. Em 1999, ganhou o Prêmio Nautilus de Melhor Noveleta pela obra A Filha do Predador, publicado sob o pseudônimo de Daniel Alvarez. E no ano de 2012, foi o ganhador do Prêmio Argos de Melhor Romance de Ficção Científica e Fantasia pela obra A Guardiã da Memória.

Livros dele no blog: Aventuras do Vampiro dos Palmares



Moacyr Scilar

Natural de Porto Alegre (RS), Moacyr Jaime Scliar nasceu em 23 de março de 1937. Foi médico e também escritor de descendência judaica. Passou grande parte da infância no Bom Fim, o bairro porto-alegrense com uma expressiva comunidade de judeus e foi alfabetizado pela mãe, que era professora primária.

Em 1955 ingressando no curso de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul carreira profissional que exerceu em paralelo a de escritor. Em 1964, iniciou também a carreira de docente, e em 1969, torna-se servidor da Secretaria Estadual da Saúde.

Publicou seu primeiro livro, “Histórias de um Médico em Formação”, em 1962, mas sua estreia como romancista acontece com a obra A guerra no Bom Fim, publicado pela primeira vez em 1972.

Em vida, Scilar publicou 67 livros de diversos gêneros literários como o romance, a crônica, o conto, a literatura infantil, o ensaio. Em muitas de suas obras evoca o tema dos judeus, sobretudo da comunidade porto-alegrense, e das tradições judaicas.

Escreveu para os jornais Zero Hora e Folha de São Paulo, teve livros adaptados para o cinema e, em 2003, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.

Recebeu inúmeros prêmios literários dos quais destacamos o Prêmio Jabuti de Literatura de 1988, na categoria Contos, Crônicas e Novelas, e nos anos de 1993, 2000 e 2009, na categoria Romance. Pelo conto O olho enigmático foi também ganhador da categoria no Prêmio Casa de las Américas de 1989.

Moacyr faleceu no dia 27 de fevereiro de 2011 após um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC).


Livros dele no blog: A Mulher que Escreveu a Bíblia.


Jorge Amado

Jorge Leal Amado de Faria nasceu em 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, no distrito de Ferradas, município de Itabuna, sul do Estado da Bahia e é considerado um dos mais importantes escritores baianos e brasileiros com livros traduzidos para 49 idiomas.

Publicou seu primeiro romance, O país do carnaval, ainda em 1931, e em 1933 veio publicar seu segundo romance, Cacau, que foi, em certa ocasião, apreendido por policiais.

Formado em Direito pela Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, em 1935, nunca chegou a exercer a profissão, mas teve uma forte atuação política como militante comunista. Devido seu posicionamento político foi exilado na Argentina e no Uruguai entre 1941 e 1942.

Em 1945, chegou a ser eleito membro da Assembléia Nacional Constituinte, pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), e foi o deputado federal mais votado do Estado de São Paulo. Durante sua carreira política ficou conhecido por ser autor da lei que deu aos brasileiros o direito à liberdade de culto religioso. Nesse mesmo ano, casou-se com Zélia Gattai com quem continuaria casado até sua morte.

Com o regime militar o PCB é considerado ilegal e Amado é forçado a se exilar novamente com a família na França, onde ficou viveu em 1950, quando foi expulso. Nos dois anos seguintes viveu em Praga e quando retorna ao Brasil, afasta-se da militância política, sem, no entanto, deixar os quadros do Partido Comunista. Daí então, até sua morte em 2001, passa a dedicar-se inteiramente à literatura.

Em 1961 Jorge Amado foi eleito para a cadeira de número 23, da Academia Brasileira de Letras, e muito antes de sua morte, sua obra torna-se mundialmente conhecida sendo diversas vezes adaptada para o cinema, teatro e televisão. Além disso, ganhou inúmeros prêmios onde destacamos apenas alguns: Graça Aranha (Rio de Janeiro, 1936), Pablo Neruda (Rússia, 1989), Cino Del Duca (França, 1990), Vitaliano Brancatti (Itália, 1995), Luis de Camões (Brasil, Portugal, 1995), Jabuti (Brasil, 1959, 1995) e Ministério da Cultura (Brasil, 1997).

Recebeu também os títulos de Comendador e de Grande Oficial, nas ordens da Venezuela, França, Espanha, Portugal, Chile e Argentina, e de Doutor Honoris Causa em 10 universidades, no Brasil, na Itália, na França, em Portugal e em Israel. orgulhava-se igualmente de seu título de Obá, posto civil que exercia no Ilê Axé Opô Afonjá, na Bahia.

Representante do Modernismo no Brasil, o autor é bastante conhecido tanto pelos seus livros de cunho crítico e militante, como também pela sua luta pela tolerância religiosa e sua literatura com forte presença das crenças e mitos do candomblé. Mas também é igualmente conhecido pelas suas crônicas de costumes e pelo retrato que esboça da vida das comunidades marginalizadas da cidade de Salvador.

Livros dele no blog: Tenda dos Milagres


Eduardo Kasse

Paulistano, Eduardo Kasse nasceu em 1982 no bairro da Liberdade. Desde pequenos foi incentivado pela mãe, a educadora Sônia Kasse, a tornar-se leitor. Formou-se em Análise de Sistema pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo em 2003, seguindo carreira de desenvolvedor web, analista de conteúdo e editor.

Apesar de conhecido pela sua produção como autor de literatura fantástica medieval, fez seu primeiro ensaio na literatura com a poesia. No gênero poético publicou, em 2002, o livro Enquanto o sol se põe, pela editora Casa do Novo Autor, além de possuir outros escritos ainda inéditos segundo consta em um de seus sites oficiais.

Seu primeiro grande sucesso foi o livro O Andarilho das Sombras, publicado pela editora Draco no ano de 2012. Com este livro Kasse marcou a sua estreia como escritor profissional e deu início a sua mais atual série, Tempos de Sangue, concluída em 2016 com a publicação de seu quinto volume, Ruínas na Alvorada.
Kasse é também autor de contos de temática medieval e fantástica, muitos deles pertencentes ao universo de Tempos de Sangue.

Livros dele no blog: O Andarilho das Sombras, Deuses Esquecidos

Chris Melo
Paulistana, a escritora Chris Melo é formada em Secretariado Executivo, Letras e possui especialização nas áreas de Leis Trabalhistas e Língua Portuguesa. Abandonou a área administrativa após quase dez anos de carreira para se dedicar a literatura, começando a profissão de escritora publicando contos em seu blog pessoal.

Seu primeiro livro, Sob a Luz de Seus Olhos, foi publicado em 2012, pela Editora Underworld e sob o pseudônimo Christine M. Livro que a autora, agora sob o nome de Chris Melo, relançou em 2016, pelo selo editorial Fábrica231, pertencente a Editora Rocco.

É autora de quatro romances e um livro de crônicas, par­ticipou da coletânea O livro delas, e desde 2014, faz parte dos autores agenciados pela VBM Literary Agency.

Na área acadêmica, a autora possui estudos em Literatura Brasileira, onde analisa a obra infantil de Clarice Lispector.


Livros dela no blog: Sob a Luz de Seus Olhos


Lya Luft

Nascida no dia 15 de setembro de 1938, no município de sul-rio-grandense de Santa Cruz do Sul, Lya Fett Luft era filha de uma família de descendentes germânicos. Além de ávida leitora, aprendeu cedo a falar alemão e, ainda criança, já recitava poemas de autores clássicos da literatura alemã como Goethe e Schiller.

Formada em Pedagogia e Letras Anglo-Germânicas pela Pontifícia Universidade Católica, Lya Luft atuou como tradutora de obras da língua inglesa e alemã, traduzindo para o português livros de autores renomados como Virgínia Woolf, Herman Hesse e Thomas Mann.

Começou sua carreira como escritora após se casar com Celso Pedro Luft, seu primeiro marido, quando ainda tinha 21 anos de idade. Sua primeira incursão por uma literatura própria se deu na poesia com a publicação de "Canções de Limiar" no ano de 1964, porém também enveredou pelos romances, crônicas, ensaios e livros infantis, totalizando 23 livros.

Recebeu diversos prêmios entre eles o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte em 1996 e o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, em 2013, pela obra “O Tigre na Sombra” publicado um ano antes.


Livros dela no blog: O Tigre na Sombra



Carolina de Jesus

Carolina Maria de Jesus nasceu no município mineiro de Sacramento em 14 de março de 1914. Estudou apenas as séries iniciais por pouco mais de dois anos nos quais aprendeu a ler e escrever.

Em 1947, com pouco mais de trinta anos de idade, mudou-se para São Paulo, onde, por força da necessidade, tornou-se moradora da extinta favela do Canindé, localizada na zona norte da cidade às margens do rio Tietê.

Para sobreviver e alimentar seus três filhos, João José, José Carlos e Vera Eunice, Carolina trabalhava como catadora de papel, metais e outros materiais que vendia em depósitos de produtos recicláveis da cidade. Por vezes comia restos de alimentos descartados no lixo das casas e também dos dejetos retirava os cadernos onde registrava, sob a forma de diário, não só o cotidiano da comunidade em que vivia, como também poemas e canções que compunha.

No Canindé era odiada e temida pelas pessoas da favela pois em suas discussões com os vizinhos sempre ameaçava de colocá-los no livro que escrevia. Após uma destas discussão conheceu Audálio Dantas, um jornalista que em 1958 visitava a comunidade para escrever uma reportagem, mas que se interessando pelos escritos de Carolina ajudou-a a levar à público seu livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, publicado em 1960 pela Editora Francisco Alves.

Quarto de Despejo vendeu 100 mil exemplares e foi traduzido para 13 idiomas em mais de 40 países, tornando Carolina em uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil . Com o dinheiro obtido com a vendo dos direitos de seu primeiro livro, comprou uma casa de alvenaria e saiu da favela, contudo suas obras posteriores não alcançaram o sucesso de seu livro de estreia e Carolina voltou a pobreza, falecendo em 13 de fevereiro de 1977, com 62 anos.


Livros dela no blog: Quarto de Despejo


(Próximo Autor) Graciliano Ramos



Referências
https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2015/04/perfil-ana-lucia-merege-quer-conquistar-leitores
http://estantemagica.blogspot.com.br/p/sobre-mim.html
http://www.miltonhatoum.com.br/biografia/a-historia-do-autor
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa7721/milton-hatoum
https://pt.wikipedia.org/wiki/Milton_Hatoum
https://pt.wikipedia.org/wiki/Gerson_Lodi-Ribeiro
http://www.saidadeemergencia.com/autor/gerson-lodi-ribeiro/
http://www.scliar.org/moacyr/sobre/o-escritor/
http://www.releituras.com/mscliar_bio.asp 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Moacyr_Scliar
https://eduardokasse.com.br/
https://eduardokasse.com.br/blog/sobre-mim/
https://eduardokasse.com.br/sobre/
http://www.rocco.com.br/blog/fabrica231-publica-chris-melo/
https://www.bn.gov.br/es/node/2052
https://www.rocco.com.br/livro/?cod=2694
https://www.pautaagencia.com.br/chris-melo
https://oblogdasimonemagno.com/2016/04/08/os-livros-da-vida-de-chris-melo/

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